S. inácio

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MEU IRMÃO

Quando criança
sentíamos a cumplicidade no olhar
as brincadeiras
as broncas
No sentar para comer
as fantasias próprias da idade.
Horas de cochicho na cama
até pegar no sono.
Fomos crescendo
junto, o peso da responsabilidade
o distanciamento
outros quereres
planos que se traçam
e se frustram
sonhos que ficam perdidos na memória
Olhar longe
com receio de cruzar os olhares.
Se perdendo no muito em fazer.
Que o meu entardecer
seja o seu amanhecer,
só que esse sol é o mesmo
eu sou a mesma.
Toda vez que ver uma rosa
saiba que ela simboliza o amor
esse meu irmão que sinto por você.
Quando sentir uma brisa leve
sou eu a te abraçar
Ao olhar pro mar
ele estiver revolto
é a saudade dentro do meu peito.
A distância é um detalhe.
O pulsar do coração
é a esperança de alcançar o sucesso.
A chegada é a alegria
de ver um irmão à casa retornar.

De todos os amores por mim vividos até hoje,
o seu foi o mais intenso.

De todas as almas,
a sua foi a mas gemêa.

De toda vontade de ficar junto,
a vontade que me domina é a sua.

De toda a ânsia de cometer loucuras,
a sua foia que mais me tentou.

De todas as esperançasem amores depositadas,
o seu foi o que teve mais crédito.

De toda a saudade,
a sua foi a mais forte.

De todos os beijos,
o seu foi foi o mais gostoso.

De todo o calor,
o seu foi o mais ardente.

Por isso de todos os amores eternos por mim prometidos,
o seu será o único cumprido a risca!

Quem sou?

Para expressar quem sou, preciso mais que palavras, preciso de cheiros, cores, sons e sabores.

Preciso falar das lágrimas, dos risos e sorrisos
Das tristezas e pesares
Das vitórias e derrotas

É necessário não apenas a minha visão
Contar dos amigos e também dos inimigos
É preciso colher informação
E ainda assim discordar

Ou quando eu já não for mais quem sou
Então o mundo saberá
Quem jamais eu fui

Prefiro viver assim
Construindo
Desconstruindo
Em busca do que ainda não sei
Duvidando do que já sei
E viver à procura de desafios

Para eu poder me revelar
Preciso deixar de me transformar
Preciso parar no tempo e deixar de crescer
E isso só mesmo quando eu já não existir

Mas quando este dia vier
Você pode ler em minha lápide
Tudo aquilo que um dia fui!

... É verdade que existe um preço para tudo, mas este preço é relativo. Quando seguimos nossos sonhos, podemos dar a impressão aos outros de que somos miseráveis e infelizes. Mas o que os outros pensam não importa, o que importa mesmo é a alegria em nosso coração.

"Talvez amanhã quando você sonhar em me querer eu já tenha encontrado quem me queira. Quem sabe quando você lembrar que eu existo, eu já tenha desaparecido do seu alcance. E por caso se um dia você quiser me amar, eu transforme esse amor em amizade. Porque chega uma hora em que você cansa. Cansa de se preocupar, cansa de tentar agradar, cansa de fazer tudo certo, de ser bonzinho e politicamente correto".

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho ou por incapacidade, mas simplesmente aquilo já não se encaixa mais na minha vida.

Gloria Hurtado

Nota: Adaptação de trechos de Link

Cães não precisam de carros luxuosos, casas grandes ou de roupas chiques. Água e alimentos já são o bastante. Um cachorro não liga se você é rico ou pobre. Esperto ou não. Inteligente ou não. Dê o seu coração e ele dará o dele. De quantas pessoas podemos dizer o mesmo?
Quantas pessoas fazem você se sentir raro, puras e especiais? Quantas pessoas nos faz sentir... extraordinários?

Lembranças

Lembranças são crianças, são momentos,

São praças, ruas, brincadeiras.

São nomes, rostos, pessoas;

São encontros e desencontros.

São risos, alegrias, são dores.

Um forte perfume de jasmim

Da casa vizinha de grades verdes,

Que ficou marcado para sempre.

São gatos, cachorros, são cavalos.

São subidas em muitas árvores,

São mangas, abacaxis, são laranjas.

São a primeira escola, a professora.

São lembranças, são descobertas,

São o amor que nasceu medroso.

São um primeiro beijo, roubado.

São as vitórias, são derrotas;

Conquistas e frustações, são medos.

Lembranças são o primeiro sexo,

Sem graça, desajeitado e rápido.

São as descobertas a dois,

São ganhos, são perdas.

São os sonhos e os pesadelos.

São a vida, são a morte,

Saudades dos que foram.

São gostos, músicas e odores.

São caminhos e descaminhos,

São gritos e são silêncios.

São o tudo, são o nada.

São início sem o fim.

Os bons momentos da vida

Bons foram os belos momentos que ficaram em nossos pensamentos.
Esses sim, não voltam mais.
Entramos num êxtase de pura felicidade e vivemos novos instantes. É através de pequenas aventuras e do amor que somos felizes.

Nasruddin e a Verdade...

Certa vez,o Mullah Nasruddin se tornou conselheiro de um rei,que vivia se queixando do mau hábito de seus súditos,de contar mentiras.
Ele pediu a Nasruddin que o ajudasse a pensar numa maneira de corrigir os seus súditos,mas o mullah disse:"_Majestade,existem dois tipos de verdade,a Verdade(Deus)e a verdade do nosso cotidiano.Os seres humanos deveriam começar buscando a primeira,para só então falar a segunda.Mas como invertem o processo,acabam adquirindo o hábito de moldar a verdade de acordo com a sua conveniência,pois sabem,por instinto,que é uma verdade relativa."
O rei não gostou muito dessa explicação,muito filosófica,e disse:"_Ou uma afirmação é verdadeira, ou é falsa!Amanhã mesmo vou começar a fazer o meu povo dizer a verdade!"
No dia seguinte,o capitão da guarda mandou plantar na porta da cidade um poste,com uma forca,dizendo ao povo:"_De hoje em diante,quem quiser entrar ou sair da cidade,deve me responder uma pergunta,e se eu sentir que esse alguém está mentindo,será enforcado!"
O Mullah Nasruddin deu um passo à frente.
"_Onde você vai?",perguntou o capitão da guarda.
"_Vou ser enforcado!",respondeu o Mullah.
"_Não acredito em você!"
"_Ora,se você não acredita em mim,por que não me enforca?"
O capitão da guarda ficou sem saber o que fazer.Se ele enforcasse Nasruddin,sua afirmação seria verdadeira,e ele teria morrido inocente.Se não enforcasse,a afirmação seria falsa,e ele deveria morrer.

Mulheres

Como as mulheres são lindas!
Inútil pensar que é do vestido...
E depois não há só as bonitas:
Há também as simpáticas.
E as feias, certas feias em cujos olhos vejo isto:
Uma menininha que é batida e pisada e nunca sai da cozinha.

Como deve ser bom gostar de uma feia!
O meu amor porém não tem bondade alguma.
É fraco! Fraco!
Meu Deus, eu amo como as criancinhas...

És linda como uma história da carochinha...
E eu preciso de ti como precisava de mamãe e papai
(No tempo em que pensava que os ladrões moravam no morro atrás de casa e tinham cara de pau)

Manuel Bandeira
BANDEIRA, M., Libertinagem, 1930

O direito ao delírio

O novo milênio já está nascendo. Não dá para levar o assunto muito a sério: afinal, é o ano 2001 para os cristãos, ano 1379 para os muçulmanos, 5114 para os maias e 5762 para os judeus. O novo milênio nasce em 1º de janeiro pela obra e graça de um capricho dos senadores do Império Romano, que certo dia decidiram quebrar a tradição que ordenava celebrar o ano novo no início da primavera. E a contagem dos anos da era cristã vem de outro capricho: certo dia, o Papa de Roma decidiu marcar uma data para o nascimento de Jesus, embora ninguém saiba quando Jesus nasceu.

O tempo burla os limites que inventamos para acreditar que ele nos obedece; mas o mundo inteiro celebra e teme essa fronteira.

Um convite ao voo

Milênio vai, milênio vem, a ocasião é propícia para que os oradores de inflamado verbo discursem sobre os destinos da humanidade e para que os porta vozes da ira de Deus anunciem o fim do mundo e o aniquilamento geral, enquanto o tempo, de boca fechada, continua sua caminhada ao longo da eternidade e do mistério.

Verdade seja dita, não há quem resista: numa data assim, por arbitrária que seja, qualquer um sente a tentação de perguntar-se como será o tempo que será. E vá-se lá saber como será. Temos uma única certeza: no século 21, se ainda estivermos aqui, todos nós seremos gente do século passado e , pior ainda, do milênio passado.

Embora não possamos adivinhar o tempo que será, temos, sim, o direito de imaginar o que queremos que seja. Em 1948 e em 1976, as Nações Unidas proclamaram extensas listas de direitos humanos, mas a imensa maioria da humanidade só tem o direito de ver, ouvir e calar. Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar? Que tal delirarmos um pouquinho? Vamos fixar o olhar num ponto além da infâmia para adivinhar outro mundo possível:

O ar estará mais limpo de todo o veneno que
Não provenha dos medos humanos e das humanas paixões.

Nas ruas, os carros serão esmagados pelos cães.
As pessoas não serão dirigidas pelos carros
Nem serão programadas pelo computador.
Nem serão compradas pelos supermercados
Nem serão assistidas pela TV,
A TV deixará de ser o membro mais importante da família,
Será tratada como um ferro de passar roupa
Ou uma máquina de lavar.

Será incorporado aos códigos penais
O crime da estupidez para aqueles que a cometem
Por viver só para ter o que ganhar
Ao invés de viver simplesmente
Como canta o pássaro em saber que canta
E como brinca a criança sem saber que brinca.

Em nenhum país serão presos os jovens
Que se recusem ao serviço militar
Senão aqueles que queiram servi-lo.
Ninguém viverá para trabalhar.
Mas todos trabalharemos para viver.

Os economistas não chamarão mais
De nível de vida o nível de consumo
E nem chamarão a qualidade de vida
A quantidade de coisas.

Os cozinheiros não mais acreditarão
que as lagostas gostam de ser fervidas vivas.
Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos.
Os políticos não acreditarão que os pobres
Se encantam em comer promessas.

A solenidade deixará de acreditar que é uma virtude,
E ninguém, ninguém levará a sério alguém que não seja capaz de rir de si mesmo.

A morte e o dinheiro perderão seus mágicos poderes
E nem por falecimento e nem por fortuna
Se tornará o canalha em virtuoso cavalheiro.

A comida não será uma mercadoria
Nem a comunicação um negócio
Porque a comida e a comunicação são direitos humanos.
Ninguém morrerá de fome
Porque ninguém morrerá de indigestão.

As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo
Porque não existirão crianças de rua.
As crianças ricas não serão como se fossem dinheiro
Porque não haverá crianças ricas.

A educação não será privilégio daqueles que podem pagá-la
E a polícia não será a maldição daqueles que podem comprá-la

A justiça e a liberdade, irmãs siamesas
Condenadas a viver separadas
Voltarão a juntar-se, bem agarradinhas,
Costas com costas.

Na Argentina, as loucas da Praça de Mayo
Serão um exemplo de saúde mental
Porque elas se negaram a esquecer
Os tempos da amnésia obrigatória.

A Santa Madre Igreja corrigirá
Algumas erratas das Taboas de Moisés,
E o sexto mandamento mandará festejar o corpo.
A Igreja ditará outro mandamento que Deus havia esquecido:
“Amarás a natureza, da qual fazes parte”

Serão reflorestados os desertos do mundo
E os desertos da alma
Os desesperados serão esperados
E os perdidos serão encontrados
Porque eles são os que se desesperaram por muito esperar
E eles se perderam por tanto buscar.

Seremos compatriotas e contemporâneos
De todos o que tenham
A vontade de beleza e vontade de justiça
Tenham nascido quando tenham nascido
Tenham vivido onde tenham vivido
Sem importarem nem um pouquinho
As fronteiras do mapa e do tempo.

Seremos imperfeitos
Porque a perfeição continuará sendo o aborrecido privilégios dos deuses
Mas neste mundo, trapalhão e fodido,
Seremos capazes
De viver cada dia como se fosse o primeiro
E cada noite como se fosse a última.

Who gets to determine when the old ends and the new begins? It’s not on the calendar, it’s not a birthday, it’s not a new year, it’s an event —big or small, something that changes us, ideally it gives us hope, a new way of living and looking at the world, letting go of old habits, old memories. What's important is that we never stop believing we can have a new beginning, but it's also important to remember amid all the crap are a few things really worth holding on to.

Já escutei e li tantas coisas sobre o que é um amigo...
E hoje parei pra pensar...
Será que sou seu amigo como penso ser?
Às vezes dentro da gente existe a certeza do que a gente seria capaz de fazer por alguém que a gente gosta
Mas será que esse alguém sabe realmente disso?
Será que você sabe até onde pode confiar em mim e o tudo que eu seria capaz de fazer se fosse preciso?
Algumas vezes demora um pouquinho até se descobrir que determinada pessoa é única mas quando se percebe isso...
a gente corre pra junto dela ...
Pra contar alguma coisa muito boa que se viu ou o que a gente ta sentindo...
Para rir junto do que se achou engraçado, e quando se está triste é junto dessa pessoa que se quer ficar apenas por segurança..
Pra se sentir querido...
Pra se ter certeza que alguém gosta mesmo da gente.
E mesmo calado, quietinho.
O coração da gente diz baixinho...
Obrigado por ser meu amigo!

Eu queria deitar no seu colo. Eu queria te abraçar. Eu queria estar com você.
(P.S. Eu Te Amo)

S. O. L. T. E. I. R. O
Sociedade Organizada Livre de Traição e Erros, total Independência, sem Remorsos ou Obrigações.

Aula de piano

Depois do almoço na sala vazia
A mãe subia pra se recostar
E no passado que a sala escondia
A menininha ficava a esperar
O professor de piano chegava
E começava uma nova lição
E a menininha, tão bonitinha
Enchia a casa feito um clarim
Abria o peito, mandava brasa
E solfejava assim:

Ai, ai, ai
Lá, sol, fá, mi, ré
Tira a não daí
Dó, dó, ré, dó, si
Aqui não dá pé
Mi, mi, fá, mi, ré
E agora o sol, fá
Pra lição acabar

Diz o refrão quem não chora não mama
Veio o sucesso e a consagração
Que finalmente deitaram na fama
Tendo atingido a total perfeição
Nunca se viu tanta variedade
A quatro mãos em concertos de amor
Mas na verdade tinham saudade
De quando ele era seu professor
E quando ela, menina e bela
Abria o berrador
Ai, ai, ai,
Lá, sol, fá, mi, ré

Vinicius de Moraes
Álbum "A arca de noé"

Nota: Música composta por Vinicius de Moraes e Toquinho

...Mais

Ninguém me disse que o luto se parecia tanto com o medo. Não estou com medo, mas a sensação é a mesma. A mesma agitação no estômago, a mesma inquietação, o bocejo, a boca seca.

O amor é a maior magia que existe, a mais poderosa. Mesmo que alguns associem o amor ao deserto, e as dores, eu discordo. Quando o amor é sincero e verdadeiro ele quebra barreiras, o amor é a cura e o motivo. Embora seja muito perigoso, seu poder é infinitamente inspirador. Quem não ama, não vive.

Uma das coisas que eros [amor] faz é apagar a distinção entre dar e receber. Quem contabiliza crédito e débito não ama.