Dia Nacional do teatro

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O Teatro do Inseto

Lágrimas são apenas o óleo que lubrifica esta engrenagem de carne.
O coração não bate;
ele se estilhaça como porcelana barata sob o pé de um gigante.

Hoje é o baile de máscaras.
Costuro um sorriso no rosto com linha de náilon, uma cirurgia amadora de alegria plastificada.
Sou o figurante de mim mesmo, um palhaço de gesso num palco que range.
À noite,
o teto baixa três centímetros.

As correntes não são de ferro, são de arame farpado invisível, enrolando-se nas vértebras, transformando o lençol em chumbo.
Levantar-se não é um movimento; é uma revolta.
É a metamorfose reversa: acordar homem e sentir-se bicho, esmagado pela bota de um Deus burocrata.

Quem habita este invólucro no centro do turbilhão?
Sou o estalo da mania ou o silêncio do abismo?
A moeda gira, mas o rosto é o mesmo:
Um lado é o chicote, o outro é a ferida.
A vida é um processo lento, um tribunal sem juiz.
E a morte... a morte é apenas a porta que não exige convite,
o único documento que não precisa de carimbo.

⁠O que acontece quando alguém decide mudar o rumo da peça de teatro? Isso criaria algo inesperado ou criaria algo pior do que qualquer um poderia imaginar?

(Lady Whistledown)

Bridgerton (série)
4ª temporada, episódio 4.

Dor na farsa


⁠O nosso "nós" era um teatro,
uma peça de um cenário, cruel.
Brincamos de amar com roteiro,
um ensaio dedicado na ferida, do mel
que se revelou veneno.
E quando a cortina fechou,
A verdadeira luz se acendeu,
a farsa desmoronou em pó.
Não era amor, mas técnica,
uma coreografia perfeita.
A única coisa real era o tempo,
E a única promessa cumprida,
foi o sofrimento.
Aquela dor que, ironicamente,
Também fingimos sentir,
para que, no final, ela fosse
a nossa única verdade,
crua e ilimitada.

A vida é um teatro, às vezes rimos ou choramos.

A vida não é fácil, mas o fardo ficou mais leve quando decidi me salvar. Me reergui sem o teatro das igrejas hipócritas; provei que a verdadeira libertação do álcool e do fumo acontece no silêncio da luta e na força da fé real. O chão me ensinou o que a hipocrisia nunca conseguiria.

Religião sem caráter é apenas teatro. Valorize-se pela sua honestidade; ela é a única moeda que nunca desvaloriza e que ninguém consegue falsificar.⁠

A vida é um teatro e cada vez que o cenário muda, você deve trocar de roupa.

Teatro: uma arte que parece ser tão real. Vida: uma mistura de personagens que constroem uma história real.

Odeio farsas, por isso odeio a vida, de certa forma.
Esse mundo é um teatro. É o sadismo de um ser caído. Não posso dizer que sei como é do outro lado, mas espero que seja muito melhor do que aqui.
Aqui é ruim demais. É perverso.
- Marcela Lobato

A política é como uma peça de teatro... Os políticos são um conjunto de atores que interpretam, falam e agem conforme os diretores e roteiristas querem. E os diretores e roteiristas são os banqueiros, investidores, megaempresários, financiadores de campanha, que não se expõem ao público, que estão atrás da cortina, nas sombras, no escuro, apenas escrevendo, ditando e orientando o que os políticos, os atores, devem fazer para entreter e fantasiar a peça para o público. E o público somos nós, que pagamos para ver essa peça diariamente, influenciados pelos cartazes que divulgam essa peça: a mídia. Uma peça que nos distrai, distorce e muda a realidade, para que fiquemos abobalhados, assistindo ao teatro e comentando, intelectualizando apenas o que estamos vendo, que são os atores, esquecendo que quem escreveu, ditou e orientou esses atores, está atrás das cortinas, planejando, investindo, financiando, chantageando e criando novas peças para fantasiar, iludir, enganar, superficializar e imbecilizar o público cada vez mais com um teatro barato, visando o lucro à custa dos seus espectadores.

O Teatro de Betesda.


Cinco pórticos erguidos para o olhar,
Mas as águas não se moviam para curar.
Havia um roteiro, um tempo, uma encenação:
Entrava o "enfermo" de aluguel, saía a multidão.
O milagre tinha dono, tinha preço e tinha cor,
Menos a cor da lágrima de quem sentia a dor.
Trinta e oito anos de espera e de descarte,
Enquanto o "favorecido" dominava aquela arte.
Quem pagava passava à frente, o forte vencia o réu,
E o pobre, no seu leito, olhava em vão para o céu.
Um sistema viciado, uma fila que nunca andava,
Onde a moeda do suborno era o que a água agitava.
Mas o Cristo não entra na fila, Ele quebra o esquema.
Ignora o anjo, a água e todo o estratagema.
Ele não pergunta "quem te ajuda a mergulhar?",
Ele pergunta "queres, de fato, te levantar?".
Pois para quem é a Verdade, o teatro é um insulto:
Jesus cura o homem e desmascara o culto.
O alvo foi atingido: o paralítico ficou de pé,
E a farsa do tanque afundou na própria má fé.

Já me disseram que se aplicasse minhas energias (do teatro)em outra profissão, por certo estaria rico. Não faz mal. Sou persistente. Se não ficar rico, pelo menos já garanti o céu.

O Teatro De Luxo Tem Sempre Um Lado Medíocre.

"Enquanto houver quem pague pelo show, o teatro continuará."

⁠No teatro da vida, prefiro ficar na plateia, pois o palco é um lugar perigoso. 

O mundo é uma peça de teatro que se repete todo o tempo. O mundo quer a sua repetição. Só quando percebemos a nossa contínua reprise é que podemos nos modificar, e, assim, modificar o Universo.

E a vida virou um teatro a céu aberto,
Com tanta gente interpretando.

Tem algo curioso na tal da Sexta-feira Santa. Eu fico observando como se fosse uma peça de teatro que todo mundo conhece o roteiro, mas ninguém lembra exatamente quem escreveu. Dizem que foi nesse dia que Cristo morreu. Dizem com tanta certeza que parece até que alguém estava lá com um relógio na mão, anotando data e horário, como quem marca consulta médica. Mas, no fundo, ninguém sabe ao certo. E mesmo assim, todo mundo respeita. Ou pelo menos finge respeitar, que às vezes dá no mesmo.


Aí chega o dia e, de repente, o mundo desacelera. A carne some dos pratos como se tivesse sido proibida por decreto celestial. O peixe vira protagonista, coitado, como se tivesse menos culpa no enredo da existência. Eu fico pensando no peixe, nadando tranquilamente dias antes, sem imaginar que seria promovido a refeição oficial da consciência aliviada. Porque não é sobre o peixe, nunca foi. É sobre a sensação de estar fazendo a coisa certa, nem que seja só por um dia.


E o medo… ah, o medo ganha um brilho especial. Tem gente que não varre a casa, não ouve música, não ri alto, não faz nada que pareça “errado”. Como se o céu estivesse mais atento, com uma prancheta na mão, anotando comportamentos. Mas aí eu penso com uma certa ironia silenciosa, dessas que a gente nem comenta em voz alta… nos outros dias, os mesmos que hoje se recolhem, vivem sem esse cuidado todo. Falam o que machuca, fazem o que sabem que não deveriam, ignoram o que pede atenção. Mas hoje… hoje não pode.


É um tipo de fé curiosa, meio seletiva, meio episódica. Como se a consciência tivesse um calendário próprio, funcionando só em datas comemorativas. E eu não digo isso com julgamento, digo com aquele olhar de quem percebe a contradição e, ao mesmo tempo, se reconhece nela. Porque, no fim, todo mundo tem um pouco disso. Esse desejo de ser melhor… mas só quando é conveniente, só quando o ambiente pede.


E mesmo assim, apesar de tudo, existe algo bonito ali. Existe um silêncio diferente no ar, uma pausa que não acontece em dias comuns. Uma tentativa, ainda que breve, de lembrar que existe algo maior, algo que pede reflexão, cuidado, presença. A Sexta-feira Santa não é sobre saber a data exata. É sobre o que a gente faz com a ideia dela. É sobre o símbolo.


O problema é que o símbolo dura pouco. No dia seguinte, tudo volta. A carne volta, o barulho volta, a pressa volta, as falhas voltam com força total, como se estivessem só esperando o sinal verde. E aquela consciência que parecia tão sensível… adormece de novo.


Talvez o ponto nunca tenha sido o peixe, o silêncio ou o medo. Talvez fosse sobre manter, pelo menos um pouco, aquilo que a gente só lembra de sentir nesse dia. Um pouco mais de cuidado, um pouco mais de respeito, um pouco mais de verdade nas atitudes, não só no calendário.


Porque fé de um dia só é quase como um feriado da alma. Descansa, aparece bonita, mas não muda a rotina.


E no fim, eu fico com essa sensação meio irônica, meio melancólica… de que a gente sabe o caminho, só não gosta muito de caminhar nele por muito tempo.


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Cuidado para não confundir a profundidade com a pena. O abismo não é apenas o teatro da tragédia, é também a câmara fria que gesta a pérola mais rara, a descida é a rota iniciática para a extração do seu tesouro mais íntimo.

"Quem não tem moral, vive de teatro. Quem tem caráter, vive de verdade."