Andre guide
O problema não
é a discórdia
com as pessoas
ou o que falamos
de bom ou ruim
para elas,
e sim, qual será
o tamanho real
do ser e da sua
maturidade para
um novo laço
de entendimento.
Eis a questão.
Ou, chega! E fica-se
o belo!
Assim como
o cão batemos
ou somos mordidos
e ele ou nós sempre
entendemos.
Já com os homens
isso não será possível,
algo se torna amargo
seriamente.
Temos que aprender
muito com a natureza.
Um dia na face
da terra Deus
colocará o homem
para aprender sendo
escravo dos bichos.
Flor de Papel
Pra você fiz essa flor, meu amor
E nela dobrei todo o meu querer
A paixão eu pus em sua cor
E em suas pétalas imagem de flor viva ser
E lembra, meu amor
Sempre quando a ver
Que assim como nosso amor
Ela jamais irá morrer
13 de Junho
Ao leve frio do inverno em cor
Noite bela que clara incendeia
A dois um encontro se pôs a compor
A deslumbrante magia da lua cheia
Um vinho tinto e o leve ardor
Nossas histórias, nossos relatos
Recende em brasa a pele em flor
Inocente talvez - Incerto de fato
Tênue barreira dentre teus lábios
Em despedida a pôr-se afora
Retraídos em nosso temor
Firmou-se claro num beijo roubado
O principio de nossa história
O nascer do nosso amor
No Plural
Sermos a sós
Ser meu teu querer
Ser dois em um ser
Ser bem e ser mal
Ser eu e você
Ser no plural
Nós!
Poema a Tristeza
Que vida é essa que tanto me empolga
E hoje em mim causa tanta alegria?
Em tudo que vejo emprego beleza
E acordo feliz assim todo dia
Foi-me levada pra longe a tristeza
E junto a ela minha poesia
E antes que muda minh’alma padeça
E com essa alegria meus versos esqueça
Minha tristeza eu quero de volta!
Pra Sempre Lembrar-te
Seguido a paixão a ordem natural
Ingenuamente, talvez, por instinto
Dediquei-me explicitamente afinco
A discrepância dum amor unilateral
Tão logo o inicio, logo o final
A submissão insana em suplicio
Junto à pena que por ora sinto
Refundi num ato quão surreal
E na perjura do passado esquecer
Fechando os olhos a meu próprio ser
Já cansado de tanto esperar-te
Rabisquei a saudade um tanto amena
E fiz da tua imagem este poema
Para todo sempre lembrar-te
O Cordeiro e o Lobo
E o cordeiro logo roto
Cansado da salvação esperar
Arrancou a cabeça do lobo
E a comeu em seu jantar
O Sentido da Vida
Sabe-se bem que do amor nada se mede
E por seu clamor não há de haver conquista
Somente a unção do entranho par concede
O tragar das carnes ao se por a vista
Amor em demasia assim não se explica
A loucura do intangível fluxo das emoções
Ao contexto do que a si próprio implica
E faz por esmerar os mais distintos corações
Eis que divinamente motiva a existência
A sublime margem de nossa excelência
O segredo da origem quão desconhecida
E eis que do homem faz sua morada
Induzindo-lhe a lançar em dúvida ao nada
O puro e verdadeiro sentido da vida
Dos Meus Vícios
Trago em mim o trago destilado
Da fumaça embriagada das cortinas
Nas janelas empoeiradas que refina
Tão fugaz sagacidade de meu fado
Neste intenso resplendor enlameado
Regressivo a fusão do meu espírito
Manifesta-se num flagelo quão explicito
Traduzindo um coração amargurado
E destes hábitos a que faço meu refugio
Renego em alto minh’alma ao perjúrio
Em uma putrefação viva e amarga
E no teso fardo que aspira o existir
Precedo assim o inevitável que há por vir
Imorredouro sono que a nós todos resguarda
Da Minha Poesia
Tenho dito:
Que minha poesia não se prende a regras
Nem tampouco a contextos gramaticais
Meu coração é meu professor, e mais
Faço de minha inspiração a palavra expressa
Eis que a poesia é mais que o pensar
É um estado de espírito
É a alma que se faz aberta
É transparecer
É resplandecer
É o sentimento a poetizar...
E assim se faz um poeta
E fim de papo
Um erro a dois tem dois valores na mesma moeda. Para quem cometeu, vale um Dobrão de Estanho, para aquele que foi a vítima vale um Dobrão de ouro.
Cantando Solidões
Amo todo esse descompasso
Todo este acelerar dos corações
Amo esse fatigo abafo
Neste precatar de emoções
Amo essa densa embriaguez
E todo o florescer destas paixões
Amo a renuncia quão incerta
Neste esconso frágil de ilusões
Amo como ama um poeta
Cantando solidões
A Esperança
A esperança...
A paciência que entorpece
A esperança...
A cega fé que fortalece
A esperança...
O querer e o sobrevir
A esperança...
O porvir para o porvir
A esperança...
O persistir em convencer
A esperança...
O renascer e o florescer
A esperança...
O viver em relevar
A esperança...
O morrer em esperar
A esperança...
