"A troca da Roda" Bertolt Brecht
Assim como o Sol... Ser luz no caminho das pessoas deveria ser um mantra na vida de cada ser humano.
Nossa estrada é sinuosa, inconstante, irregular, cheia de desafios, altos e baixos... mas o que vale é observar as belezas dessa viagem que é a vida.
A cultura não pode ser algo vazio, sem sentido, ela precisa ser um ponto de partida para uma transformação de algo maior.
Por mais que sempre iremos encontrar pessoas ingratas, sigamos sendo generosos, pois cada um oferece o que tem.
A ascensão quando ela é meteórica, porém efêmera, traz consigo a mudança de olhar. O foco deste novo olhar, ao invés de horizontal, como era feito antes da tal ascensão, se torna vertical. Que ilusão! Este novo olhar vertical só aponta um vazio que acaba de ser preenchido pela soberba.
Sou filho do Nordeste, tenho orgulho do meu torrão, terra de homem valente que tira o sustento das mãos.
Terra de mulher guerreira que traz lata d'água na cabeça criando o menino de pés no chão.
Sou filho de Pernambuco, terra dos engenhos, do melado do mel da cana, da ciranda de Lia, do cantador Santana, de Capiba, Chacrinha e Lampião... Sim, sou da terra cantada nos baiões de Gonzagão.
Sou eu matuto forte não nego minhas raízes nem nego quem sou.
Na minha terra não se conta com a sorte, pois sou matuto forte nascido no Interior.
Minha escola foi cocheira, meu Professor foi o gado, fui menino Tangerino e na labuta diplomado.
Quando estiver pensando que é o fim da linha, erga os olhos com fé, contemple o infinito, acredite em dias melhores, pois os desafios diários sempre vem para nos fortalecer.
No Caminho com Maiakóvski
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!
