Camila heloíse
Já faz tempo que a minha boca não fala mais de amor; ela não canta mais aquela dor. Sobrou apenas um pouco de pó, que eu recolho em canções
Que jamais deixemos cair no esquecimento, no véu escuro do monturo dos medos, os sonhos coloridos da nossa essência mais perfumada.
Quando descobri que o medo mora nas minhas entranhas, o céu coloriu as nuvens e sorriu chuva em meus olhos
E junho chega... cheio de frio, pressa e promessa para meu coração. Rascunhos acumulados, finalmente serão concretizados.
A verdade é como poeira que fica circulando pelo ar. Às vezes só se enxerga quando há uma fresta de luz entrando pela janela.
Já faz tempo que a minha boca não fala mais de amor; ela não canta mais aquela dor. Sobrou apenas um pouco de pó, que eu recolho em canções.
Temos que agarrar nosso amor como quem agarra uma asa delta...
O amor é livre e precisa voar sem amarras a rodear, mas com alguém ao lado, que sei lá, seja liberta!
Fazendo seu coração vibrar com toda a liberdade como a dos "poetas".
E ainda pensa ter virtudes...
Tem a vida, mas é defunto que anda de dia.
Tem a boca, a voz, mas ao invés de desatar nós,
Vive a destilar vermes hipócritas!
Sempre a fui a mais julgada,
Mas nunca me condenei.
Sempre amei mais que os outros,
Mas nunca me amaram tal como eu sou.
Sempre fui a distraída, a sem juízo, a sem futuro,
Mas fui a única que deu frutos.
Perguntaram-me, porque eu escrevia alguns textos com raiva.
- Disse: Não diria raiva, mas sim de um jeito forte, intenso. Vivi momentos fortes, então extravaso na escrita de maneira "forte", justo, não?
Durante anos de uma vida povoada,
Andei só, com meu coração despovoado.
Dava bom dia ao vizinho com sorriso no rosto...
Para esconder a vergonha de cada a dia.
Destilava palavras de carinho,
Mas minha carne interna estava desidratada, sem rio.
O amor que sempre me amou, insistia em ficar...
Estava por um triz conservá-lo florido...
Pois eram muitos momentos pálidos, sem colibris.
Me vi num convento onde só enxergava lamento,
Duma escassez de sentimentos de entontecer,
As cores que eu via, era branco e preto,
O branco: não era de paz, era dum tormento-loucura...
O preto: não era da noite com luar, era a morte vestida para me tragar.
Minha sorte foi a de ter nascido teimosa, rebelde, é... rebelde.
Essa rebeldia causou a rebelião de toda uma vida ferida...
Sem cor, ser harmonia, sem poesia...
Me libertou!
A inquietude interior que me vestia me fez ser melhor do que eu via, sentia, e vivia...
Estava tudo entalado na garganta, e, antes que me estrangulassem...
Vomitei com toda a minha coragem.
Rasguei a batina que enclausurava minha espontaneidade,
Joguei-a no lixo, no lixo dos covardes!
Fiquei desnuda, com a face alva, macia e sem poeira.
(respirei)...
Eu sou a pessoa mais fraca que você pode conhecer. Mais eu sei esconder isso muito bem. É uma coisa que eu guardo só pra mim, um certo orgulho feminino.
Devagarinho, caminho por cada rua que vivi com você...
Meu cheiro misturado com o seu,
Está em cada esquina,
Em cada banco de praça,
Em cada calçada adornada,
Adornada de lembranças, que são, para mim, valiosa herança.
Devagarinho, ouço aquela música tomando uma taça de vinho.
Sinto meu corpo queimar, quimera, pois não passa de primavera,
O verão que marcou aquela música, aquele vinho, já era...
Era que marcou o romance mais ávido, do sol mais dourado e do amor mais sagrado!
Devagarinho, abro as portas do passado,
Passado ainda presente, que a dor veemente insiste em ficar.
Você foi como uma linda e longa viagem de trem...
Chegou, lindamente ficou, e tristemente partiu...
Será que ainda é vivo nesse mundo?
Será que casou-se e teve filhos?
Ora, foi mesmo uma viagem,
Daquelas que os personagens não morrem...
E nunca deixam de existir.
