Jean la bruyère
O bom pastor é aquele que faz da lã da sua própria pele, o agasalho utilizado para aquecer sempre que possível o frio das suas ovelhas
Algumas pessoas pensam que felicidade é quando uma borboleta pousa espontaneamente no seu ombro e lá permanece, não, é quando livremente escolhe voar e não deixa saudades
Ao entrar no coração do ser amado repara nas frestas que há em cada espaço, é por lá que o inverno congela os sentimentos, mas é também por lá que o sol aquece a alma
Quando numa guerra a paz é duramente atingida por todos os lados, é necessário reconstruí-la ao tentar refazê-la, ao fazer as pazes
Há três tipos de pessoas que não podem ficar em cima do muro: as que têm medo de altura, quem tem labirintite e as que se posicionam
Os conformistas são aqueles capazes de ter uma longa conversa com a esperança até fazê-la pegar no sono
O maior perigo não está na Verdade em si, mas em quem acha que a encontrou ao tratá-la com severa adulação
A morte de cruz é a evidência daquele que encontrou a Vida em perdê-la e sua decisão em seguir Aquele que nos trouxe a Vida em sua morte, é a diferença entre os Vivos e mortos vivos!
Quem chegou à primeira posição e deseja mantê-la deve recordar frequentemente do valor e das dificuldades enfrentadas nas posições anteriores.
Manter a calma quando a paz reina é sinônimo de fluidez da normalidade. Mantê-la em meio às adversidades é contrariar o óbvio, é permitir-se utilizar do psicológico de maneira exclusiva, de enconcontrar equilíbrio emocional em sua fonte original, é otimizar a capacidade de resolução das aflições.
Poder realizar um sonho de uma pessoa é gratificante, mas capacitá-la para as próprias conquistas é um gesto extraordinário e libertador.
Quando se tenta convencer uma pessoa teimosa, as chances de não convencê-la, bem como as de sair do diálogo de maneira pior do que entrou é um fato.
Quem muito confia a felicidade ao futuro, pode ingenuamente não enxergá-la hoje e desencontrá-la no incerto amanhã.
SOltOS
dizem que nunca vou saber lidar
com o mundo lá fora,
não vou saber morar nele.
mas como vou poder aprender
preso nessa gaiola
que insiste(o) em me esconder?
é aqui que chamam de escuridão,
nos galhos das árvores, dentro dos corações,
nas letras das canções.
isso pode ser por puro conforto
mas por mais que esteja preso,
sinto um veneno que me fortaleceu
e aos poucos quer me deixar morto.
é dia de voar,
de poder expandir os horizontes,
libertar o corvo que habita em mim.
daqui de cima
há sentimentos que nunca serão palavras.
sinto ventos, estradas,
escuto vozes que assim como a minha,
eram caladas.
dá vontade de ecoar o meu grito,
será que solto fico mesmo mais bonito?
no fundo, toda essa liberdade
me assusta um pouco, é tudo novo.
estranho seria se eu ainda gostasse
daquela prisão, mas ela me trazia consolo.
aquele desejo compulsivo
de conhecer o mundo, voar entre abismos,
desbravar todos os riscos
é o que todo mundo sente algum dia
mas isso é liberdade ou medo do que me bania?
estar livre e estar perdido
são coisas muito parecidas no fim.
afinal, estava melhor preso
ou estasiado em fugir?
sentir o vento em minhas asas,
ser um sujeito de sorte,
escutar o que todos falam sobre
chegar o dia de sua morte.
sei que preciso desvendar todas as miragens,
mandar as devidas mensagens,
odiar esse mundo de selvangens,
mas foi assim que descobri que
ser solto também tem suas desvantagens.
A vida é nosso instrumento de maior valor, se faz necessário usá-la com todo cuidado, amor e sabedoria.
