Jean la bruyère
“” Cristalino feito fio de água lá na encosta
Repugnantemente selvagem
Feito beijo assanhado
Feito menino a comer o pão
Lágrimas banhadas a ouro
Deve ser alegria de ter malícia
Em uma delícia de conquistar
O solo onde pousam verdades
Isso é desejo a perseguir
Pra nunca mais mentir
A si mesmo ou a quem quiser continuar... ””
“” Vá para a rua
Cantarolar
Vai lá brincar e dançar
Há poder sobre seus pés
Na avenida
Você encanta
Desfila e planta
O sonho em alguém...””
Nossos atos governam nossa vida
Se hoje explodimos pontes
Amanhã ficará mais difícil
Ir até lá
Mas se pelo contrário
Plantarmos flores no caminho
É certo que ao passarmos
Perfumar-nos-emos também
Escolhas que temos que fazer
Mas são nossas ações e desejos
Que indicam o que o universo pode conspirar
“” Eu vi um disco voador
E não foi um só
Eram vários
Vindo de sei lá onde
Radares falhos
Segurança estudada
Voam livres
Feito aves
Rapinando seus jantares
Et`s à sombra do paraíso
O que querem aqui
Nosso lixo sideral
Na moral
São mais loucos que nós...””
Por mais que em alguns momentos possa parecer que o amor acabe, ele sempre estará lá e só precisará um pouquinho de atenção para aumentar ainda mais.
“” Não vi o céu
Mas ele estava lá
Estrelado encoberto
E acreditei
Sua força continua
Sonda e insinua
Ficar brilhando
Olhando-me sonhar
Com o paraíso desejado
Tal qual o beijo molhado
Da moça bela
Que nunca deixei de amar...””
“” Talvez escrever seja isso
Desnudar a alma
E deixá-la voar
Num vôo às vezes solitário
Em busca da essência
Da grandeza de amar
Certamente as linhas
São traços de ilusão
Onde o sangue verte quente
Regando as verdades do coração...””
Não importa a cor do céu lá fora, nem se a tempestade for brava, pôs você é capaz de contorna-lá com a leveza de uma pena, mais com a força de um búfalo selvagem.
Você e a mulher que faz minha carne tremer de desejo. E o ar faltar de tanto amor, você parece um vulcão que entra em erupção e com um simples olhar me derrete todo.
Meu corpo explode de tanto desejo, que você me causa.
Seu sabor de uvas frescas que se transforma em uma bela safra de vinho tinto.
Me delicio com seu sabor, quero beber todas as gosta do seu néctar e sentir todo o seu desejo de amar.
Com minha boca beija-lá e com minha língua deslizante, passar em seu corpo lhe provocando para que possamos fazer a maior de todas as sinfonias, vibrarem com nosso desejo de amar.
A solidariedade, muitas vezes, é distorcida por aqueles que buscam usá-la para se elevar, para se sentir superior, como se o simples ato de ajudar fosse um meio de se exibir para os outros. A verdadeira solidariedade não deveria ser uma moeda para humilhar, mas sim um gesto genuíno, uma forma de unir, de fortalecer quem precisa sem querer nada em troca, a não ser a satisfação de fazer o bem.
O amor, por sua vez, é buscado por muitos não com o desejo de dar, mas com o desejo de obter, de preencher um vazio, de se alimentar das carências do outro. As pessoas que buscam o amor de maneira egoísta acabam usando os outros, esperando receber mais do que estão dispostas a oferecer. O amor não é uma troca, é uma entrega, uma conexão verdadeira. Mas, para dar amor, é preciso primeiro aprender a se amar.
E a vida, ah, a vida é uma caminhada solitária para muitos, que buscam alguém para lhes estender a mão, como se a felicidade dependesse da presença dos outros. Mas, muitas vezes, a maior ajuda que você precisa vem do próprio espelho. Olhar para si mesmo, enfrentar seus medos, suas fraquezas, e perceber que, por mais que precise de ajuda, a maior força está dentro de você. Você não precisa depender dos outros para seguir em frente, mas sim se apoiar em sua própria capacidade de transformar.
A verdadeira mudança começa no momento em que você para de olhar para fora, e começa a olhar para dentro.
Ontem ao deitar, levei o meu pensamento parquiar na calçada de um lindo sonho, e lá eu o perdi assim que te encontrei, pois o meu melhor amigo me abandonou por te. Ezbnadyideias
O recordar, mora numa casinha lá no cimo da cabecinha de um corpo que vive em comunhão de sentimento com o próprio pensamento.
TANTA PAZ DEITADA FORA
E eu tanto queria tê-la
Absorvê-la
Como moribundo
Das dores do coração
Senti-la como divina graça
Como luz rápida que passa
No instantâneo
Naquela desintoxicação
De a sentir ao bebê-la
Nesta taça de emoção
Ainda que momentâneo.
Escorre a paz em sangue esvaída
Nas sarjetas
Da vida
Com os dejetos que expelem fedegosos
Os poderosos
Pelas bocas e rabos proxenetas.
Tanta paz deitada fora
Pura e tão cristalina
E eu tanto queria tê-la
Agora
Neste coração de má-sina.
(Carlos de Castro, In S. Pedro de Aldriz, 30-06-2022)
NA TERRA DOS ESTARRECIDOS
Lá, na minha terra, gostam de mim,
Mas muito ao de longe,
Porque ao longe,
Assim
Feito num monge,
Não lhes calco os calcanhares
Nem lhes corto os discursos,
Iguais aos dos ursos
Arraçados de muares.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 23-11-2022)
Se gosta verdadeiramente de poesia e antes de consumi-la, deve primeiro agitá-la, sentir-lhe o cheiro a pureza natura e só depois tragá-la, bebê-la, em dose própria, de preferência, sem outra adição de fármacos.
Contraindicações: Pode, por vezes, causar mal-estar, náuseas, tonturas, diarreia, a chamada caganeira à moda antiga, vómitos que podem trazer sapos engolidos há muito tempo e, pior ainda: síndromas de inveja mesquinha que pode causar "Onicofagia" é o termo médico e técnico para nomear o hábito de roer as unhas, podendo ser das mãos ou até mesmo dos pés. Às vezes, esse hábito passa a não ser de apenas roer as unhas, mas também roer a ponta dos dedos (e sei lá mais de quê...digo eu!)
Última prescrição: Deve ser só administrada em SOS, quando o paciente está mesmo em ânsias extremas de injeção da dose habitual...
ÁRVORE SECA
Ao vê-la, estarreci.
Ainda ontem
Do antes de ontem
De há três dias,
Eu vi-a;
Parecia-me salva
À luz da alva,
Daquele passado dia.
Hoje, mesmo agora,
Olhei lá fora:
Estava já mirrada,
Seca, num esturricado
Como torresmo queimado.
Quis regá-la,
Refrescá-la,
No pé do tronco a morrer.
Só então me lembrei
E pelo que sei,
Não adianta em desnorte,
Querer vencer
Sem poder,
Aquilo que já é morte!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 02-04-2023)
