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No meu quarto
Lembro-me do tempo em que eu tinha um cantinho sĂł meu.
Uma cama de solteiro, um lençol florido,
um travesseiro macio que guardava meus segredos.
Ali moravam meus choros silenciosos,
minhas alegrias simples,
meu entusiasmo pela vida
e até o descanso depois de um dia cansado.
Havia humanidade naquele pequeno espaço,
uma paz tĂŁo minha, tĂŁo quieta,
que parecia abraçar meu coração.
Sinto falta desse lugar que era sĂł meu,
desse pedacinho de mundo onde eu me encontrava
e me acolhia.
â As coisas sĂł sĂŁo um problema quando nĂŁo criamos estrutura emocional. Tudo tem o mesmo valor pro divino. Nossa mente que nos enreda dizendo que algo Ă© muito bom ou muito ruim.
VocĂȘ nĂŁo pode simplesmente desligar os seus sentimentos sĂł porque a outra pessoa desligou os dela.
A vida não é somente sobre nós, mas também sobre o que de nós ficarå para os outros. A vida não é sobre não ter erros, mas sim fazer com que muitos não cometam nossos erros. Cada instante vivido é uma presente e se houver um amanhã, que seja para plantar tais sementes... (Lorenzo Li)
7 de setembro, bandeira no céu.
Mas nossa independĂȘncia
Ă sĂł papel.
Foi grito, foi pose, foi teatro, foi cena.
O povo aplaudia
mas a dĂvida
jĂĄ nascia.
Do Ipiranga Ă City de Londres o grito virou contrato e o contrato virou corrente corrente invisĂvel elegante, porĂ©m permanente.
Paga aqui, refinancia lĂĄ
juros sobe, esperança cai
o nome Ă© bonito
soberania Nacional.
Mas no extrato.
DependĂȘncia Global.
Diziam
Somos livres, somos bravos, somos gigantes.
Mentira elegante!
Escravos modernos, pagadores constantes.
Dois milhÔes de libras
e um século inteiro de promessas quebradas
de um lado a coroa caĂa.
Do outro, o povo segurava as algemas douradas.
Se fosse hoje? Dois bilhÔes quem se importa?
O problema não é o preço.
Ă o ciclo. Ă a porta que nunca se fecha, Ă© a dĂvida que nunca morre
O banco nĂŁo te mata
ele te deixa vivo
Pra pagar.
IndependĂȘncia ou morte! gritou Dom Pedro.
E a Inglaterra respondeu
assine aqui, parceiro.
Enquanto o povo gritava
o banqueiro calculava.
Enquanto a criança nascia
a dĂvida jĂĄ a registrava.
E aqui estamos
exportando vida
Importando miséria.
Riqueza some na bolsa
e volta na fatura bancĂĄria.
A bandeira tremula mas quem segura Ă© o vento da ilusĂŁo.
Somos livres na mĂșsica
somos livres no hino
mas escravos na prestação.
7 de setembro Ă© sĂł desfile
à só fumaça pra esconder
que a independĂȘncia nunca chegou. E talvez nunca vĂĄ nascer.
Cada homem guarda sua vaidade fluida no Ăąmago â atĂ© o mais miserĂĄvel.
SĂł a abandona quando outro homem vil o constrange; entĂŁo cabe-lhe escolher: defender-se ou buscar novo constrangimento.
Mundo invertido
âNesse meu mundo invertido, virado de ponta-cabeça sĂł para me achar, tento nĂŁo ficar indo e voltando em um loop infinito, sem parar. Quero poder me desenverter sĂł para me olhar e dizer: "NĂŁo existe um lugar, sĂł, para vocĂȘ; existe um todo. Faz por merecer."
âNildinha Freitas
Na fileira central, havia um homem. Ele não era mais o protagonista que um dia ela iludiu. Era só o espectador. Alguém que um dia acreditou que aquele palco cairia, que as luzes apagariam, que o cenårio daria lugar à verdade. Mas a atriz não descia.
Nunca descia. Continuava em cena, mudando de figurino, de entonação, de personagem⊠mas sempre no mesmo palco
90% das pessoas que vocĂȘ conhece nesse mundo, sĂł gostam de vocĂȘ enquanto vocĂȘ oferece alguma vantagem, sejam eles amigos ou familiares.
Basta não ser conivente com a mesma visão de mundo pra começar a ser atacado.
Amo, odeio e me perco.
O amor é transitório e não tem força para mudar o destino.
Só é amor quando alguém decide permanecer; contudo, tal decisão é ilusão, pois o coração humano oscila como vento que não se captura.
O riso torna-se Ăłdio, e a palavra doce converte-se em dor.
Amar Ă© obra difĂcil. Aquele que hoje entrega tudo e Ă© honrado poderĂĄ, ao menor erro, esquecer quem amou.
O homem é movido por impulso, escravo de suas emoçÔes.
O prazer Ă© senda mais fĂĄcil que o amor; mas quem muito bebe do vinho, cedo se enjoa, e quando o vinho finda, resta-lhe arrependimento e solidĂŁo.
Mentir a si prĂłprio Ă© acorrentar-se a uma realidade que nĂŁo se merece.
Olhos belos podem amar-te, e tu a eles; mas recorda: nada te pertence, pois o outro sempre pode desistir.
Tua vontade nĂŁo altera o destino; preocupar-te com o que foi ou desejar o que nĂŁo tens Ă© tentar segurar o vento.
Nada é sólido. Lågrimas desperdiçadas não foram feitas para cair, sofres porque idealizas demasiadamente.
Os fardos que carregas sĂŁo teus, pois tu mesmo os criastes ao acreditar no que imaginaste.
Pais sĂŁo teus porque assim creste; mas podes viver sem eles?
Talvez fora melhor viver como se nada existisse.
De que vale ao homem crer no inferno?
Nascer Ă© condenar-se.
O mundo oferece apenas o que Ă© aleatĂłrio e ainda assim exige de ti responsabilidade sobre aquilo que nĂŁo escolheste.
Reagir às provocaçÔes é fortalecer o ego do outro.
Entrar em guerra Ă© buscar a prĂłpria ruĂna, pois abandonar a paz para defendĂȘ-la com conflito Ă© desatino.
Falar de tua vida nĂŁo alivia o fardo; nunca estarĂĄs pleno, pois envelheces.
Alguns amam riquezas, outros desejam liberdade, mas nenhum Ă© livre de si mesmo.
Vivem dentro de uma caixa escura â nĂŁo hĂĄ luz, nem sabem onde estĂĄ a saĂda, pois quem nasce nas sombras nĂŁo pode reconhecer o brilho.
Tua aparĂȘncia Ă© fruto de teu orgulho; quanto mais belo te adornas, maior o ego.
Experimenta ser o ponto neutro: onde o amor nada altera e a frustração é apenas fruto de tuas próprias ilusÔes.
Os erros que cometeste provĂȘm da falta de entendimento.
Mentiste a ti mesmo, prometeste e nĂŁo cumpriste; tais sombras caminarĂŁo contigo.
O que foi, foi. NĂŁo podes alterar quem te odiou â isso jĂĄ te condena, mas nĂŁo te aflijas.
A escuridĂŁo Ă© sempre escuridĂŁo, e caminhas sĂł, sem luz, por sendas incertas.
Sabes que morrerĂĄs, nĂŁo desejas viver, mas tampouco anseias pela morte.
Se hĂĄ algo antes ou depois, pouco importa â tua existĂȘncia nĂŁo foi escolhida.
Ăs fruto de ato carnal desprovido de propĂłsito.
E assim reclamas o direito de negar o que te condena, pois não escolheste nascer, nem habitar a oscilação eterna da incerteza.
