"A troca da Roda" Bertolt Brecht

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Carnaval, pão e circo ... 
povo bobo e distraído 
(ovelha, cabra e hirco) 
no final, é povo traído.


Carnaval, pão e circo na avenida,
máscara sorrindo pra dor escondida.
Tambor que bate, razão que cala,
promessa velha em discurso que embala...


Povo distraído na luz do clarão,
dança algemado sem ver a prisão...
Entre serpentinas e brilho barato,
vendem-lhe sonhos a prazo e contrato...


Ovelha que segue, cabra que berra,
hirco que insiste em lamber a terra...
Ruminam slogans, engolem refrão,
mastigam migalhas de falsa nação...


Enquanto o circo levanta poeira,
a mão do administrador limpa a carteira...
Riem na festa, choram depois,
contam-se perdas, dividem-se em dois...


No fim da folia, cai o véu colorido,
resta o silêncio do povo traído...
E a história repete, sem dó nem pudor:
trocam-se as máscaras…permanece a dor...


✍©️@MiriamDaCosta

A pressa
atrasa.


@MiriamDaCosta

Cavalgar
é ser verbo indomável
conjugado no tempo 
sem tempos.
✍©️@MiriamDaCosta

Vou falar na lata:
- Saiam da lata!


A lata viralizou 🌱
no verão 1987-1988
teve quem adorou 🚬 
e quem fez até biscoito...


E nesse carnaval 🎊
a lata de novo viralizou
na critica-sátira social, 
e na oposição, o povo surtou 😮


"Malditos carnavalescos sem noção!
São todos endemoniados!
Atacaram nossas famílias e religião!
Serão devidamente denunciados! "


E assim, nesse carnaval 🎭
a lata vira rainha 👑 
virou assunto/polêmica nacional 🇧🇷
uma verdadeira ladainha 
na defesa da hipocrisia institucional
dessa direita e sua perene picuinha .


Eita povinho chato de galocha!
Sempre com argumentação chocha,
Saiam dessa lata já enferrujada 
dessa histeria desregulada
e hipocrisia escancarada!


✍©️@MiriamDaCosta

A laicidade do Estado Brasileiro
deve ser defendida com unhas e dentes,
ou a nossa Constituição acabará desunhada e desdentada.
✍©️@MiriamDaCosta

A União Europeia, com suas enraizadas diferenças e divergências, já nasceu predestinada ao falimento, pois a falência já estava sobrevoando os céus de algumas grandes nações europeias, enquanto em outras, já construía moradia em suas entranhas.

E amanheço o meu olhar
respirando os versos molhados
que a chuva generosa escreveu
na pele da madrugada.
✍©️@MiriamDaCosta

A praia deserta é sacrário
onde me encontro inteira,
sou silêncio, sou relicário,
sou onda e sou beira. 
✍©️@MiriamDaCosta

É que das feridas
eu fiz canteiros férteis,
onde floresço versos
como quem transforma dor
em estação de primavera.


Reguei cicatrizes
com silêncio e insistência,
adubei perdas
com a coragem de permanecer.


E onde 
antes sangrava,
hoje brotam palavras.


Porque a terra que fui 
e que sou
não recusou a estiagem, 
aprendeu a germinar 
por si só. 
✍©️@MiriamDaCosta

A crise do Jornalismo (com J maiúsculo)


Falta ética, falta seriedade, falta respeito para com o público.


E, para agravar o cenário, multiplicam-se erros aberrantes de gramática, concordância e sintaxe, não os tropeços humanos, compreensíveis na pressa da digitação, mas falhas grosseiras que revelam descuido, despreparo e desleixo.


Errar é humano.
Persistir no erro, quando se ocupa o lugar de profissional da informação, é irresponsabilidade.


Quem se apresenta ao público como mediador dos fatos deveria exercer atenção redobrada, rigor intelectual e compromisso com a verdade, não com a pressa, o algoritmo ou o espetáculo.


Outro ponto alarmante é a confusão deliberada entre informar e opinar.
Notícia não é palanque.
Reportagem não é diário pessoal.
Fato não é achismo.


Quando jornalistas abandonam a função de esclarecer para assumir a de influenciar, distorcer ou militar disfarçadamente ou descaradamente..., o Jornalismo deixa de ser serviço público e se converte em ruído, barulhento, enviesado e perigoso.


Sem ética, sem rigor, sem responsabilidade, o Jornalismo perde sua autoridade moral,
sua credibilidade e sua razão de existir.


O que vemos hoje, em muitos casos, não é Jornalismo.
É opinião travestida de notícia.
É vaidade editorial.
É negligência intelectual.


JORNALISMO, RIP. 🪦
Não por falta de ferramentas,
mas por abandono de princípios.
✍©️@MiriamDaCosta

O deboche é a artimanha de quem,
não tendo argumentos honestos,
o utiliza para fingir que argumenta.
✍©️@MiriamDaCosta

Perguntaram o que penso sobre o BBB 
e porque não escrevo nada a respeito. 


Respondo assim: 


Eu tenho dificuldades cognitivas, 
de interesse e até uma certa forma 
de analfabetismo seletivo 
para determinados assuntos.


O BBB simplesmente não dialoga 
com nada que me instigue, 
provoque ou acrescente.


Meu silêncio sobre isso 
não é desdém,
é preservação intelectual.
✍©️@MiriamDaCosta

Não é o erro ortográfico que fere.
Ele é humano, revisável, transitório.


As vezes,
eu escrevo com dúvidas,
com falhas,
com lapsos de gramática
e excesso de urgência na alma.
Escrevo para dizer o que pulsa, 
não para performar perfeição.


O erro verdadeiro 
não tropeça em letras,
ele tropeça na ética.


Ele aparece 
quando quem educa, 
comunica e governa 
falha não somente na língua,
mas no compromisso 
com o pensamento crítico, 
com a democracia 
e com a história.


Nada é mais contraditório, 
mais absurdo e mais perigoso 
do que uma democracia 
que militariza suas escolas públicas.


Ali, onde deveria florescer 
o questionamento,
se ensina a obediência.
Onde deveria nascer 
o pensamento crítico,
se impõe a ordem.


Esse é o início silencioso, 
porém oficial,
da formação de uma 
mentalidade dócil,
hierarquizada,
pronta para a fascistização.


Aí está o verdadeiro erro
e o maior clamor.


✍©️@MiriamDaCosta

As reações e as respostas
revelam a força
ou a fragilidade
de um caráter.


Ou a indiferença
de quem não é forte
nem frágil,
apenas
não é.
✍©️@MiriamDaCosta

Comecei a ler poesia
antes mesmo de aprender
a escrever e juntar letras.


Antes das palavras,
meu sentir já soletrava
afetos e ausências,
chegadas breves,
partidas longas,
silêncios que diziam tudo.


Antes das sílabas,
meu coração já sabia
o que doía,
o que machucava,
o que era justo,
e o que nunca foi.


Aprendi, ainda pequena,
que a poesia 
não reside nos livros.
Os livros é que tentam
acolher, tardiamente,
o que a vida sussurra
no avesso dos dias.


Quando me ensinaram 
a ler palavras,
eu já lia o mundo
com a alma poética 
e os sentidos alfabetizados.
✍©️@MiriamDaCosta

A gentileza, o respeito e as boas maneiras
nascem onde a alma aprendeu 
a ser elegante.
Não se impõem, revelam-se.
O mundo, exausto de ruídos e atropelos,
carece dessa elegância silenciosa
que não humilha, não grita, não fere.


Essas prerrogativas 
são luxos raros
de almas que recusaram 
a brutalidade cotidiana.
O mundo, rude e vaidoso,
confunde grosseria com força,
arrogância com poder,
e dessangra-se lentamente 
por absoluta falta de elegância.
✍©️@MiriamDaCosta

Ode às Sete Belas Artes


Óh! Sete faces do indizível,
sete caminhos 
para tocar o invisível.


Sois vós,
Belas Artes,
que traduzis o mundo
quando a palavra falha
e o silêncio transborda.


A ti, Arquitetura,
erguida entre o sonho e o cálculo,
que moldas o espaço
e ofereces abrigo ao tempo,
és o corpo onde a vida acontece.


A ti, Escultura,
que arrancas da matéria bruta
a delicadeza do gesto eterno,
como se o mármore lembrasse
que já foi carne.


A ti, Pintura,
que aprisionas instantes
em cores que respiram,
e fazes da tela
um território onde o olhar se perde
para enfim se encontrar.


A ti, Música,
invisível e absoluta,
que atravessas o peito
sem pedir licença
e reorganizas o caos
em harmonia ou tempestade.


A ti, Literatura,
que fazes do verbo
carne, sangue e memória,
e transformas palavras
em mundos habitáveis.


A ti, Dança,
linguagem do corpo em liberdade,
onde cada movimento
é um grito sem voz
e um poema em movimento.


E a ti, Cinema,
síntese viva de todas as outras,
que costuras tempo, imagem e som
e nos convidas
a sonhar de olhos abertos.


Óh! Artes!
sem vós, o mundo seria raso,
um deserto de sentidos,
uma existência sem eco.
Mas convosco,
até a dor encontra forma,
até o caos encontra ritmo,
até o efêmero
ousa tocar o eterno.


Sois vós
que impedis o humano
de esquecer que sente,
que pensa,
que cria,
e, sobretudo,
que existe para além 
da própria existência.
✍@MiriamDaCosta

📆 15 de abril - dia mundial da arte


Ode à Arte


Óh! Arte!
O que seria do mundo sem a Arte?


Seria um corpo erguido
sem alma para habitá-lo,
um grito contido
sem coragem de ecoar.


Seria o cinza
imposto como destino,
a existência reduzida
ao cálculo frio do sobreviver.


Mas tu,
insurgente e indomável,
rasgas o véu da obviedade
e devolves ao humano
o direito de sentir.


És o sopro que colore o caos,
a desordem que revela sentidos,
a ferida que sangra beleza
e a beleza que não teme a dor.


Na tua linguagem
cabem todos os silêncios,
todos os excessos,
todas as contradições de existir.


És abrigo e abismo,
espelho e vertigem,
carícia e ruptura.


E é por ti
que o homem não sucumbe
por inteiro
à brutalidade do mundo


porque onde
a realidade endurece,
tu floresces.


E onde tudo parece
perdido,
tu insistes…
em criar.
✍@MiriamDaCosta

O contato com a natureza 
e a solitudine
são as minhas melhores 
formas de prevenção 
contra o contágio
dessa sociedade 
louca e agoniada.


Manter uma certa distância,
uma margem de segurança,
desses humanos desumanizados
é, sem sombra de dúvida,
uma medicina alternativa
para manter-me
em equilíbrio.
✍@MiriamDaCosta

Ter equilíbrio mental e emocional
em meio ao colapso
de mentes desgovernadas
e emoções em combustão
é um ato de resistência.


Um oásis erguido
no deserto 
do descontrole total.


Porque, hoje,
não enlouquecer
já é insurgência.


Manter-se sã e inteira
é quase um crime
numa sociedade
profundamente adoecida,
agressiva e criminosa.
✍@MiriamDaCosta