Boi
O boi que passa na porteira pra se alimentar de pastagem pela manhã é o mesmo boi que volta pela mesma porteira para dormir no curral.
Boi com sede no sertão,
É de partir o coração,
Ver os quarto arriar,
Sem um pingo de água pra dar,
Ver o bicho chorar,
E não ter como consolar,
Ver tanto lugar com água a fartar,
E tanta gente a desperdiçar..
Quando pensamos e agimos por conta de ações de outros, viramos boi de piranhas e temos que suportar todas as dores das mordidas.
"Você é meu e o boi não lambe"
🐃
Acredita-se que essa expressão venha do tempo da escravidão, onde, após eles sofrerem castigos severos e ficarem com as costas chicoteadas e sangrando, eram colocados bois para lamber suas feridas. Algumas vezes os feitores colocavam mel para instigarem ainda mais os bois e as vespas, por terem línguas ásperas e assim uma forma de punir mais ainda os escravos.
Essa forma de castigo causava doenças e gangrenas nas feridas e matava os escravos com dores e sangramentos sem cura na época.
Quem é você? Diga logo que eu quero saber. Já passou o carnaval, tire a máscara social. Boi, boi, boi, boi da cara preta, tire essa menina que tem medo do capeta. Então você é isso, um rosto sem riso e se quer ser meu inimigo, junte suas armas inúteis, pois eu conheço seu calcanhar de Aquiles e não vou te polpar. Seus poemas de escarnio morrem ao virar a página e é perigoso a você achar que eu sou frágil. E se falo em solidão é porque no meu mundo não cabe seu jogo sujo, que quer me calar covardemente. Pegue seu capital cultural, e dele se desfaça, veremos que sobra uma farsa de um comediante sem graça. Eu nasci pobre e doente, mas não me tenho medo do seu ódio. Eu te amei de graça. Acertei no amor, só errei no alvo. Tire a máscara e mostre também sua fragilidade ou vai viver eternamente essa personalidade falsa, que em meio à sensibilidade deixa escapar cruel sua própria destrutividade. Você não vai me calar, nem a loucura me calou. Eu já sofri tortura. Você tem palco e aplausos, eu tenho uma pele marcada por violência. E você ainda acredita que pode me diminuir. Eu conheço a escola da rua e das grades, e nenhas não há consolo nem apoio. Apena uma instituição sem rosto. Meu sofrimento é a doença que sua soberba ignora. Não, não é serventia da casa, é um coração em brasa. Coma seus privilégios e deixe em paz meu vazio e minha solidão. Eu que te amei em vão, desconheço desilusão e tenho uma voz farta que não cabe na sua sala. Tire a máscara e fale olhando nos meus olhos, sei que vai se calar, pois quem é você sem palco? Sapo cururu na beira do rio, quando o sapo canta maninha, é porque tem frio. Gélido coração é o seu e se um dia você ganhou minha confiança, hoje perdeu minha esperança do ser que eu pensava que você era, em meu estado de primavera. Eu amo João, você ama Maria. Quadrilha. Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar. Não, não tire a máscara. Não quero ver seu rosto. Suba no palco com seu novo projeto. Eu te conheço no palco da vida. E você tem sido meu professor, me ensinando lentamente a te odiar. Mas vou simplesmente esquecer. Você passará. Mascarado passou. Meus versos continuarão se sei bem a pessoa que sou. A canou virou, quem deixou ela virar? Sou o avaro burguês que não soube remar. Tire de perto de mim a palavra amar. Eu não te odiar. Escreverei mil versos enquanto a vida for testemunha da minha existência. Eu sou resiliência calada. Essa é a serventia da casa. Meu peito, meu lar.
ENSAIO MÚSICAL.
Letra e Música: Félix di Láscio.
CANTIGA DE BOI.
O Boi
O boi,
O Boi tinha mandato.
Ninguém mandava no
Boi.
O Boi era dono do pedaço,
Não andava descalço,
Hoje lembranças
Perdida no velho espaço.
O Boi,
O Boi...
Sumiu da festa,
Ninguém sabe o seu paradeiro,
Tá enfeitado o terreiro. _bis
Boi,
Boi...
Da Serra Itapararica,
Boi que fugiu com
A Rita.
Boi dos manguezais,
Boi de Minas Gerais.
O Boi,
O Boi...
Boi do agreste, boi cabra da peste,
Não se meta lá por sul.
Sua fama é no Nordeste,
Boi do Agreste,
Boa Cabra da peste.
Boi,
Boi...
Se alevanta,
Se arriba,
Vai a Paraíba!.
Lá, Lalá
Lá, Lalá...
(Refrão)
Dez mil réis,
Dez mil réis..
Por um voto de cabresto.
Vendido até o Cesto.
Félix di Láscio, Poeta e letrista Brasileiro.
Postado em 17/07/2026 h. 20:15
Cadê a arte que estava aqui?
O gato comeu?
O boi bebeu?
O rato roeu?
A água lavou?
O fogo queimou?
A ignorância apagou...
Caiado e Zema foram prestigiar a feira do boi zebu! Fica difícil saber qual rebanho era maior, o de Zebus ou o gado bolsonarista!
Era uma vez?... Não, foram várias vezes!
Depois que larguei meu cunhado sozinho com os dois bois, eu tinha certeza de que ele iria aprontar alguma comigo. Só não sabia como nem quando.
Num sábado de manhã, eu estava atendendo no balcão da mercearia quando chegou um homem me procurando. Fui até ele achando que queria alguma informação. Não. Não era nada disso. A coisa era mais séria, muito mais séria.
Ele se apresentou como irmão da Margarete.
Bem, a Margarete era uma moça que trabalhava no bar que ficava em frente à mercearia. Era garçonete e atendia os jogadores de sinuca, servindo bebidas e salgados. Meu cunhado costumava jogar lá todas as noites e eu, como sempre, ia junto.
Acho que ele me viu olhando para a Margarete. Coisas de adolescente. Naquela época eu tinha uns quatorze anos e ela devia ter uns vinte. Mas, na cabeça dele, já existia um romance, e ele certamente encontraria um jeito de tirar proveito daquilo.
O sujeito, que dizia ser irmão da Margarete, contou que tinha vindo de outra cidade para resolver um problema muito sério.
— Minha irmã está grávida e disse que você é o pai. Já falei com o Juizado de Menores. Quero resolver esse assunto rápido.
Na sequência, me chamaram ao telefone.
Era do Juizado de Menores.
Eu conhecia a pessoa que estava na linha. Não era o juiz, mas o comissário de menores. Quando atendi, ele começou a me questionar:
— É verdade? O filho é seu mesmo?
Meu Deus!
Larguei o telefone e saí correndo atrás do meu cunhado. Mas ele havia saído.
Fui então procurar minha irmã. Ela estava em casa.
Contei a história e ela nem me deixou terminar. Agarrou-me pelo braço e me arrastou até o bar onde a Margarete trabalhava.
A coitada nem teve tempo de entender o que estava acontecendo.
Minha irmã começou a falar um monte de coisas. Disse que eu era apenas uma criança e que a Margarete já era uma moça feita. Que jamais permitiria aquilo. E ainda falou algumas palavras nada publicáveis.
Depois me puxou de volta para casa.
Pegou uma mala, jogou algumas roupas dentro e decretou:
— Vou te mandar para Santa Mariana.
— Vamos! Se arrume. Só volte depois que as coisas se acalmarem. Melhor ainda: eu mesma vou te buscar.
Ela não me deixava explicar nada.
— Vá se despedir do Ney — disse ela, referindo-se ao meu cunhado. — E não conte nada. Depois eu explico para ele.
Saí procurando o Ney.
Logo o encontrei.
Ele estava com mais quatro pessoas, bebendo e dando risada. Olhavam para mim e riam ainda mais.
Foi então que percebi quem eram os outros.
Um era o sujeito que havia se apresentado como irmão da Margarete.
Outro era o Macaé, o comissário de menores.
O terceiro era irmão do meu cunhado.
E todos estavam se divertindo às minhas custas.
Voltei correndo para casa, contei tudo para minha irmã e lá fomos nós novamente conversar com a Margarete.
Depois de muitas explicações, pedidos de desculpas e alguns constrangimentos, ficamos esperando o verdadeiro responsável por toda aquela confusão.
Minha irmã era bem pequena perto dele, mas naquele dia parecia um gigante.
Deu a maior dura no meu cunhado.
Passado algum tempo, voltamos à rotina.
Eu estava novamente no bar, vendo meu cunhado jogar sinuca.
Só que agora eu observava a Margarete com uns olhares bem mais lânguidos.
E ela, depois de toda aquela história, me retribuía com uns sorrisos muito gostosos...
O Sapo-Boi da Geladeira
A fazenda era cinematográfica. Enorme. Tinha cerca de 15 mil alqueires, grande parte deles preservados. O proprietário era o senhor José Cândido Teixeira, cunhado do meu cunhado e primeiro prefeito de Santa Mariana. Ele não morava na fazenda, mas estava sempre por lá.
A casa-sede era dividida em três corpos. Em um deles ficavam a cozinha e a despensa. Em outro, totalmente aberto e bem ventilado, havia um salão enorme com uma grande mesa onde fazíamos as refeições. Era também o lugar de jogar conversa fora, contar causos e passar o tempo.
Na terceira parte ficavam os dormitórios: duas suítes e mais dois quartos.
Nesse salão, apesar de não haver energia elétrica na fazenda, existia uma geladeira movida a querosene. Como funcionava, eu não sei explicar. Só sei que funcionava muito bem.
Debaixo dela morava um tremendo de um Sapo-Boi — assim mesmo, com letras maiúsculas, em homenagem ao tamanho do bicho.
Ele só saía durante a noite. Imagino que fosse procurar comida e cuidar dos seus afazeres de sapo. Mantínhamos uma relação baseada em respeito mútuo e distância regulamentar.
Numa tarde de calor escaldante, eu estava sem camisa, parado no salão, olhando distraidamente para o lado de fora da casa. De repente, senti algo gelado e úmido grudando nas minhas costas.
No mesmo instante ouvi a voz do meu cunhado:
— Adivinha quem está nas suas costas?
Meu Deus... o Sapo!
Disparei numa correria desesperada. Corri tanto que levei o infeliz grudado em mim por um bom pedaço do caminho.
Passados alguns dias, lá estava ele novamente, vivendo sua rotina normal, acomodado sob a geladeira, em sua confortável casa refrigerada.
Quanto a mim, nunca mais fiquei parado perto daquele lugar sem antes conferir quem estava atrás de mim.
"Se é VAQUEJADA por que só tem homem, cavalo e boi? Não tem uma vaca. Então, por que é VAQUEJADA?"
Texto Meu No.1157 (Ano 2022)
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO
CITE A FONTE E O AUTOR
"Mais ou menos como naquele ditado: 'Não dou um boi para entrar numa churrascaria, mas dou uma boiada para lá continuar'. Sim, sou Carnívoro. Como descobriram?"
TextoMeu 1223 (Ano 2023)
🥩
BOI TALUDO
Da minha infância doce e dolorida, lembro-me dos fatos, alguns inesquecíveis. Esse que aqui início a contar é lindo e incrível, fala de um boi aqui no sítio nascido.
Refiro-me ao Boi Taludo, o maior e mais querido, forte e manso, mas bravo se seus donos são agredidos.
É o Sanção dos animais do sítio. Protetor, amigo de todos os animais da região. Recebe carinho e amor como forma de gratidão.
Forte e valente, no trabalho não dá mole não. Arar a terra pra ele é moleza; ouvi falar que Taludo já puxou um caminhão.
Lobos e raposas não chegam perto do sítio, não. Porque Taludo fica sempre na guarda e de prontidão.
Muitos querem lhe levar para os rodeios, mas ele não vai, não. Dócil e manso, não serve para esse tipo de apresentação.
Seus donos, que o conhecem bem só para desfilar e fotografar. Nisso Taludo é bom, conquistando sempre o primeiro lugar.
Era assim a vida de Taludo, pacata e simples, de inverno a verão. Amado por todos, que lhe devotavam muita admiração.
Num certo dia, choveu muito na região. E a casa do sítio, que era antiga, com seu velho telhado, não iria aguentar toda aquela agitação.
Houve um grande estrondo, e as madeiras foram ao chão. Todos correram para se proteger, mas Taludo não.
Ficou segurando o peso do telhado, dando tempo pra saída da família do patrão. Quando todos se retiraram, o telhado veio ao chão.
Nesse dia, morreria o boi mais forte da região. Taludo deu a vida para salvar a família do seu patrão.
Construíram uma estátua de Taludo na entrada do sítio, homenageando o boi mais forte e valente de toda a região.
CARRO DE BOI
Carro de boi é memória,
que o tempo nunca venceu;
leva o passado nas rodas
e o futuro que nasceu.
Nasceu de madeira bruta,
Talhada por boa mão;
Do machado e da enxó,
Do talento do artesão.
Feito com força e paciência,
Virou nobre criação.
Sem luxo, ferro ou riqueza,
Só madeira e precisão;
Cada peça bem medida,
Respeitando a tradição.
Era a ciência da roça
Guiando a civilização.
Foi companheiro do homem
Nas veredas do sertão;
Levando pedra e madeira,
Colheita, sonho e feijão.
Era o braço da esperança
Na mais dura plantação.
Carro de boi é memória,
que o tempo nunca venceu;
leva o passado nas rodas
e o futuro que nasceu.
Foi herança dos antigos,
Dos avós e dos bisavós;
Cada sulco que deixou
Ainda hoje fala a nós.
Sua história permanece
Na lembrança de todos nós.
Ajudou na colonização,
Rasgando o Brasil inteiro;
Abriu estrada e caminho,
Venceu barro e atoleiro.
Foi desbravador valente
Do sertão ao tabuleiro.
Na frente seguia o guia,
Experiente condutor;
Atrás vinha o boi de coice,
Também forte trabalhador.
Dois parceiros da jornada,
No serviço e no suor.
Quando o eixo reclamava
Num chiado agudo e forte,
Era um canto da madeira
Desafiando a própria sorte.
Parecia uma cantiga
Ecoando de sul a norte.
Levou engenho e farinha,
Levou cana e algodão;
Levou gente, levou vida,
Levou fé no coração.
Foi estrada sobre rodas,
Foi sustento da nação.
Carro de boi é memória,
que o tempo nunca venceu;
leva o passado nas rodas
e o futuro que nasceu.
Hoje dorme em museus,
Ou na sombra do terreiro;
Mas quem ouve o seu chiado
Vê renascer o vaqueiro.
Pois o carro de boi vive
Na alma do povo guerreiro.
Neste mundo de mentiras
Onde reina a injustiça
Não existe terra, boi e vaca sem dono
Existem somente homens e crianças abandonadas
À sua própria sorte, ou a desgraça ...
