Boca
O fogo que sopra da boca
o vento.
O frio que passa e leva
o sol.
O sono que bate e acalma
os olhos.
A fome que perturba e procura
a ânsia.
A pressa que corre e solta
a mão.
A voz que chama e diz:
Bom dia!
O dia que se apressa
o amor que não espera
o que se faz?
o que se faz?
Fica aqui comigo
ou não se vai.
Lagrimas que eu deito sao salivas que tu deitas na minha boca
Tu nunca dizes mas sei de antemao que ès por mim louca
kuando xtou longe de ti sinto me comu um parafuso sem porca
a sua beleza a mim nao encanta mas aos meus orgaos de sentido enforca.
Retalhos do Coração
Não diga um eu te amo,
Apenas da boca pra fora
Fale o que o seu coração está sentindo, conte-me os seus planos,
Mesmo que não compreendas agora.
Não diga que me quer,
Se ao menos não pensar assim
Afinal, não é porque que te quero como você é,
Que vou aceitar alguém me tratar de uma maneira tão ruim.
Não diga que me ama,
Se de fato isso não for para ser
Afinal, não é porque o meu corpo te chama, meus olhos cheios de amor ardem em chamas
Que eu vou aceitar alguém me desmerecer.
Se de fato quiseres minha companhia,
Fale o que está escrito no seu coração
E se acaso acontecer de me trocar um dia,
Finja que não me conhece e
Vida que se segue, então!!
Se você soubesse o quanto eu te imagino agora... minha boca colada na tua, te deixando sem ar, minha mão escorregando por debaixo da tua roupa sem pedir permissão, sentindo cada parte tua implorando por mais.
Quero te ver perder o controle, gemer meu nome baixinho e implorar pra eu não parar.
Eu não sou de pressa gosto de torturar com prazer, de te deixar louco só com a ponta da língua e o meu olhar cheio de malícia.
Quero você de olhos fechados, tremendo sob meus toques, sentindo cada segundo como se fosse te consumir por dentro.
Se dependesse de mim, você não ia dormir. Ia passar a noite toda sendo meu… do jeito mais intenso e sujo, mais meu.
Quando a Alma Insiste
Amores que não cabem no calendário,
ferem a boca da hora, dilatam o dia.
Despedidas, mas não o esquecimento,
porque o vivido se agarra à pele como lume.
E eu sigo, mesmo dividido, mesmo nu,
com o coração latejando no vão da garganta.
Coragem? Talvez. Ou apenas o delírio
de caminhar enquanto a alma insiste em ficar.
O corpo lateja. Escolhas não processadas vibram o corpo. E ele vai reclamar tudo que a boca calou, vai gritar tudo que o agir omitiu. Corpo é silencioso, modesto, sutil, mas quando fala, seu tom é alto.
Ouça seu corpo.
Nem tudo na vida merece resposta; o silêncio também tem o dom de fazer calar a boca inóspita de um tolo.
Se seus olhos não forem dignos de ver a luz, sua boca não será digna de falar, nem de opinar. Pois opinião sem base é fraqueza, e fraqueza, em qualquer corte ou conflito, é convite à submissão. Quem fala sem saber revela mais do que pensa e entrega mais do que possui. Em um mundo regido por forças e não por verdades, o silêncio do ignorante vale mais que o discurso vazio. Primeiro se conquista a visão — depois, o direito à voz.
Na sua boca, eu me perco,
no seu olhar, me acho inteiro,
no teu toque, o amor desperta,
como a semente que a terra liberta.
Seu abraço me acalma a alma,
seu sorriso, doce abrigo,
quando chega, tudo acalma,
e até o silêncioécontigo.
Minha boca aos pedaços eu junto Sem reclamar, aos cacos vai cortando Sem muito eu falar.
Não posso falar não posso expressar, algo simples, muitos querem me calar.
Risadinha aos cantos mas eu sinto ao longe, Deboche vem de graça sem muito a oferecer, apenas a tristeza vem me acolher.
Não desisto mas pessisto, logo fraquejarei, mais no dia que eu parar será o dia que eu morrerei.
Não é possível ter maus pensamentos e depois dizer boas palavras, porque a boca fala do que está cheio o coração. Muitas pessoas pensam que não podem controlar os pensamentos, mas isso não é verdade. Podemos escolher em que queremos pensar e devemos fazer isso com cuidado porque nossos pensamentos se tornam nossas palavras e nossas palavras afetam nossas vidas de muitas maneiras.
“Minha mente não cabe nessa Igreja”
Dizem que Deus fala na boca dos homens,
mas por que então gritam como se Ele fosse surdo?
Por que não ouvem quando falo baixo,
por que não percebem que meu silêncio também é súplica?..
Vestem ternos como se fossem armaduras celestiais,
mas por dentro tremem de ego, de vaidade, de conveniência, de um tapete bonito, mas que por baixo está cheio de sujeira..
E me olham — eu, o que não se encaixa —
como se eu fosse o desvio, a ovelha torta, o quebrado do rebanho, o incrédulo..
Mas eu não me perdi..
Eu apenas não me curvei a mediocridade religiosa..
Sou aquele que quis pensar e criticar com os olhos abertos,
não com os olhos fechados pela tradição cega..
Aquele que quer sentir Deus na verdade que pulsa,
e não no grito que mascara a ausência d’Ele..
Falam de cargos como se fossem unções divinas,
mas os escolhidos são sempre os mesmos:
O advogado bem-falante, o rico que sabe sorrir bonito,
o irmão da família certa, da conta bancária cheia..
Enquanto o simples, o honesto, o servo de verdade,
é jogado nas sombras do templo,
como se Deus não coubesse em mãos calejadas
ou em vozes que tremem, não por medo, mas por verdade..
Um dia me disseram que eu estava com o diabo no corpo..
Mas tudo que eu carregava era dor..
Dor antiga.. Dor ignorada..
E eles — os ungidos, os usados por Deus — não souberam ver isso..
Quiseram expulsar demônios,
quando o que eu precisava era de um abraço, amor, aceitação..
Quiseram passar ternos na minha cabeça,
como se o tecido resolvesse o que a empatia não quis ouvir..
Dizem que Deus é verdade,
mas quando questionei, disseram que eu era fraco, estava errado e era incrédulo..
Que eu precisava apenas crer por crer, sem questionamentos..
Mas eu não quero crer por inércia, não consigo simplesmente calar o conhecimento, crítica ou a razão que residem na minha mente, eu preciso escrever, pensar, evoluir, e colocar tudo isso não só no “papel", mas na alma, porque é isso que sou, sou verdadeiro e justo..
Quero crer por encontro, não por bocas externas e vazias..
Quero uma fé que olhe nos meus olhos e diga: “Eu vejo você.. Com todas as suas dúvidas,
suas feridas, sua sede de sentido..”
Quero um Deus que não precise de microfone, porque Ele fala onde o grito humano não alcança..
E se minha fé não cabe no molde da religião,
é porque talvez ela esteja maior que os seus muros, que são envoltos em egoísmo e superficialidade..
Mais real que seus cargos..
Mais viva que seu culto de aparências..
Eu sou o que se cuida, o que corre, o que pensa, o que sente, o que quer ir além mentalmente e fisicamente..
O que não prega com palavras e ilusões, mas com atitudes e verdade..
O que limpa a casa e uma alma no mesmo dia, o que não aceita viver na mediocridade, seja do prazer fácil, da bebida alcoólica, ou da mulher com lascívia..
O que escreve, se conhece, se busca, se conhece, e se encontra todos os dias, indo contra a maré da superficialidade humana..
O que escolhe a verdade, porque ela só dói, quando você não se auto controla..
A minha fé não veste gravata..
Ela anda descalça, verdadeira..
Ela prefere a rua à tribuna..
Prefere o silêncio à performance.
Prefere ouvir e compreender, ao invés de se esconder atrás de status..
Prefere o Deus real ao “Deus do cargo”..
E se isso te incomoda, talvez o problema não seja a minha alma..
Talvez seja o espelho que você evita olhar..
Minha fé é inconformada..
Porque a Verdade que eu busco
não tem dono, nem placa, nem púlpito..
Tem profundidade, tem dor, tem beleza..
E é nisso que eu acredito, que podemos fazer melhor, sem máscaras ou títulos..
