Bob Dylan
O que era o futuro? O futuro era uma parede sólida, nem promissora, nem ameaçadora – puro palavrório. Nenhuma garantia de nada, nem mesmo a garantia de que a vida não seja uma grande piada.
Eu realmente jamais fui mais do que era – um cantor de folk que fitava a névoa cinzenta com os olhos cegos pelas lágrimas e fazia canções que flutuavam em uma neblina luminosa.
Tudo o que eu havia feito era cantar canções totalmente sinceras e que expressavam novas realidades poderosas. Eu tinha muito pouco em comum com a geração da qual supostamente era a voz e a conhecia menos ainda.
É preciso que apareçam oportunidades para que você converta algo – algo que existe em algo que ainda não existe. Esse pode ser o começo. Às vezes você quer apenas fazer as coisas do seu jeito, quer ver por si mesmo o que está por trás da cortina de névoa.
Está ficando escuro, escuro demais para enxergar
Sinto como se eu estivesse batendo à porta do paraíso
Você diz que você está procurando por alguém
Nunca fraco mas sempre forte,
Para protegê-la e defendê-la
Independente se você está certo ou errado,
alguém para abrir todas as portas,
Mas esse não sou eu,
Não sou eu quem você está procurando
Vá levemente pelos cantos,
Vá levemente pro chão.
Eu não sou quem você quer,
Eu só vou deixar você para baixo.
Você diz que está procurando por alguém
Que prometa nunca partir,
Alguém para fechar seus olhos para você,
Alguém que feche o seu coração,
Alguém que vai morrer por você e mais,
Mas esse não sou eu
A resposta do Dylan aos acadêmicos suecos (que esperavam repercussão pelo prêmio) foi em poesia, não em prosa.
Sobre o Nobel de Literatura, concedido ao cantor e compositor Bob Dylan.
