Boas Vindas para um Amiga
Dá uma raiva danada perceber o quanto de energia eu gasto só pra parecer um vivente normal aos olhos dos outros.
Tu pega um papel de bala e o teu peito desaba porque lembra do dia exato, do cheiro do perfume dela e da temperatura do vento naquela tarde.
Para qualquer outra pessoa, é lixo; para mim, era a prova material de que o que eu vivi não foi um delírio da minha cabeça.
O telefone virou só um pedaço de vidro e metal que serve pra me lembrar, em alta definição, do tamanho da minha solidão.
Há um ano, a gente estava fazendo planos pro futuro; hoje, eu sou o cara que torce pra essa data passar logo, como quem espera uma tempestade forte passar debaixo de um telhado velho.
Nunca pedi para um amigo meu votar em fulano ou beltrano. Vai que o cabra não dá certo, aí eu fico com a cara de tacho. Prefiro quebrar a cara sozinho, como sempre quebrei. Jamais acertei um voto, kkkk.
Benê Morais
"Vocês podem entender isso? Deus é mais do que um nome poderoso. Ele É O PODER. Deus é mais do que alguém que possui amor. Ele É O AMOR."
Carrego dentro de mim um excesso de permanências. Pessoas, dores e memórias que partiram do mundo, mas continuam habitando meus pensamentos como catedrais abandonadas.
Oxente, Oxe, Danosse, Visse.
Nosso idioma é peculiar, só a gente entende. É o nosso falar, um idioma dentro do outro, que quem não é daqui, às vezes nem compreende.
Vamos começar pelo Oxente:
Interjeição popular, sinal de espanto, surpresa, dúvida, impaciência ou indignação. Tudo depende do contexto:
“Oxente, menino, como assim?”
E o que dizer do Oxe?
Diminutivo de oxente, carrega o mesmo sentido na mente:
“Oxe, que bicho chato da gota!”
E o Danosse?
Parecido com os primos de cima, mas serve também para o espanto, a surpresa e a admiração:
“Danosse, que negócio caro é esse?”
Por fim, o nosso Visse:
Forma reduzida de “ouvisse”, serve para pedir atenção ou reforçar um pedido do coração: “Vamos hoje às 20h, visse?”
Viva Pernambuco, Viva o Nordeste, Viva o Brasil !
James Alessandre
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Não há nada aqui dentro.
Só um peso vazio sozinho.
46 kg de nada.
46 kg de tanto querer.
Eu quero reter mais peso mas eu não saberia lidar com mais.
Mas o peso que eu quero é diferente.
É um peso que me garante proteção no futuro. É montar uma reserva de energia só pra mim. Ninguém vai poder tirar de mim. Isso não! Isso vai ser meu, só meu.
Será que é culpa? Mas não fui eu quem tentei tirar alguém de um outro alguém. Se isso for um peso, esse peso não é meu.
Eu só não sei ter esse outro que me protege, esse outro tipo de peso que me faz não tê-lo. Se algo der errado, esse outro peso não vai falhar. E eu não sei o que é isso.
Hora de ir para a cama, chega de ouvir rádio por hoje. Deito e a cabeça não desliga.
Esse peso é grande, forte, alto e pesado, e eu não sei o que é ter você ao meu lado.
Durma bem tesouro.
A pessoa idosa é vulnerável, é como uma criança que depende de um adulto para tudo.
É um ser frágil que não sabe se defender. Com certeza você deve ter tido uma infância difícil com seus pais, mas aqui se trata de humanidade. Não é sobre seus traumas.
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