Boas Vindas para um Amiga
Esperar algo além da dádiva da vida é vaidade. Assim como um filho espera algo do pai, ou uma mãe que cria expectativas em relação à filha. Um filho simplesmente não pode visitar ouse despedir de quem ama ? Mesmo que sua própria família não compartilhe desse amor
Criei uma redoma de ilusões, vesti uma armadura feita de dor e me refugiei em um mundo que nunca existiu. Quando despertei, o tempo havia passado, o espaço já não me reconhecia, e encontrei apenas a solidão. Ainda assim, para além do tempo e do espaço, existe Aquele que governa até as autoridades; diante d'Ele, nenhuma alma perdida está além do alcance da esperança.
Um filho pode erguer impérios e ser aclamado por multidões, mas, se faz o coração do próprio pai sangrar, toda a sua glória pesa menos que uma lágrima silenciosa. Não há vitória capaz de preencher o vazio deixado pela ingratidão.
A dor de um pai não nasce porque deixou de amar, mas porque continua amando alguém que já não reconhece esse amor. E talvez a maior tragédia da vida não seja perder um filho para a morte, mas vê-lo vivo, distante e transformado pela soberba.
Honrar quem primeiro nos amou é a mais nobre das conquistas. Todo o resto é apenas poeira levada pelo vento.
Há um irmão cuja força rivaliza com a minha, mas que fez das sombras seu único refúgio. Não atravessa o caminho que leva até mim, não pronuncia meu nome, nem ousa romper o silêncio que ergueu entre nós. Ainda assim, sua voz encontra outra estrada: alcança os ouvidos de meu pai.
Ignoro quais palavras derrama. Talvez sejam preces, talvez veneno; talvez verdades mutiladas vestidas de luz. Apenas sei que, enquanto evita meus olhos, conversa com os fantasmas da minha ausência.
E nas noites em que o vento parece carregar segredos, pergunto-me se é a culpa que o oculta nas trevas... ou se as próprias trevas já aprenderam a chamá-lo de filho.
Quanto mais tenho que escrever para ter prestígio e um nome ? Faça o suficiente para ver os seus dedos sangrarem
Dentro de mim moram dois sussurros:
um busca a luz, outro abraça a sombra.
Entre a razão e a loucura,
caminho sendo o próprio conflito que me habita.
O herói carrega as maiores lapadas porque o fardo de reescrever o destino quebra qualquer um. A dor é o pedágio inescapável de quem ousa alterar a sua realidade
Às vezes precisamos ser esperança para eles que estão começando a trilhar um caminho diferente da sua própria sina.
A morte perguntou: _Quantas almas irei ceifar para poder trocar de Cargo ?
Cronos disse: _Um ano apenas depois aumentamos seu salário!
A justiça jamais caminhou ao meu lado; observou-me de longe,
como um velho escriba que registra cada afronta
sem desperdiçar tinta antes da hora exata.
Chamaram-me de pequeno
porque confundiram silêncio com escassez,
e serenidade com rendição.
Mediram meu destino
pela estreiteza dos próprios horizontes.
O tempo, porém, não discute.
Lapida.
Quando seus ponteiros encerraram o julgamento,
não encontrei ruínas diante de mim,
mas espelhos.
E neles, cada sentença precipitada
retornava ao seu verdadeiro autor.
Não saboreio derrotas.
Saboreio a precisão.
Há um deleite quase sagrado
em assistir a arrogância descobrir,
tarde demais,
que a altura de um homem
jamais se mede pelo lugar
onde os outros insistiram em colocá-lo.
A justiça não me coroou.
Apenas removeu as sombras
que escondiam aquilo que eu sempre fui.
E esse veredito,
gravado pelo próprio tempo,
não admite recurso,
nem revisão.
As redes sociais são um mecanismo de aprisionamento. Para um autor de verdade, bastam apenas uma caneta, um papel e muita inspiração!
Falsos profetas, tirando as esmolas de um povo que não tem o que comer. O que dirão a Deus quando Ele lançar vocês e sua casa nas fornalhas do inferno? Talvez respondam: "Bom, pelo menos tive uma vida terrena próspera."
Tolos. O fogo do inferno apagará a felicidade de cem anos em poucos segundos.
O Ídolo de Argila
Ergui um altar onde havia apenas barro.
Julguei encontrar um farol,
mas era uma chama alimentada pelo próprio ego.
Emprestei meses ao aço,
à disciplina,
ao silêncio que antecede o combate.
Cada golpe moldava meu corpo,
enquanto a admiração moldava minha cegueira.
Venci o ringue,
mas fui derrotado pela verdade.
Descobri que a força dos punhos
não redime a fraqueza da alma;
que cinturões não acorrentam demônios,
nem medalhas curam o vazio de quem vive escravo de si.
Há homens que tombam diante de um adversário;
outros desmoronam diante do espelho.
Aquele que eu chamava de mestre
era apenas um peregrino perdido,
vestido com a armadura da vaidade,
incapaz de sustentar o próprio espírito.
Então compreendi:
Minha vitória nunca pertenceu ao altar que construí.
Pertenceu ao sangue que derramei em cada treino,
à dor que suportei em silêncio,
à vontade que permaneceu de pé
quando a ilusão caiu de joelhos.
Os ídolos apodrecem.
A disciplina permanece.
E, quando a máscara finalmente se rompe,
não morre o discípulo —
morre apenas a mentira.
Um homem que precisa beber para conseguir fazer o próprio trabalho não vale mais do que um vagabundo. É apenas um rato, escravo do próprio vício.
O ódio é um caminho amargo. Deixe a paz reinar em seu coração; assim, encontrará libertação, amor pela própria vida e apreço pela vida dos outros. Nunca se esqueça de que toda ação gera consequências.
Amor Latente
Houve um amor tão imenso
que fez do meu peito um santuário
e dos meus olhos, devotos cegos da tua luz.
Amei-te com a força que antecede a criação,
com a fé insensata de quem acredita
que um único abraço pode ressuscitar a alma.
Entreguei-te tudo.
Até aquilo que eu jamais soube nomear.
Mas a verdade não anuncia sua chegada.
Ela rompe o silêncio como uma lâmina,
e o primeiro golpe sempre é nos olhos.
Quando enfim despertei,
o paraíso que eu jurava habitar
não passava de um templo erguido sobre ilusões.
Toquei tuas lembranças
e elas se desfizeram como cinzas entre meus dedos.
Então compreendi:
o amor e o ódio jamais foram inimigos.
São a mesma chama
condenada a mudar de cor.
O amor que um dia me deu fôlego,
que devolveu vida ao que havia morrido em mim,
foi o mesmo que, ao revelar seu verdadeiro rosto,
ensinou meu coração a sangrar sem morrer.
Hoje carrego apenas o silêncio.
Porque não existe escuridão mais cruel
do que a luz que revela
que todo o infinito vivido por dois
existiu apenas dentro de um.
O Último Quarto da Casa
Toda casa possui um quarto
que nunca aparece nas fotografias.
Foi nele que cresci.
Não faltou teto.
Não faltou alimento.
Mas faltava aquilo
que nenhum objeto consegue oferecer:
a certeza de ser visto.
Passei anos esperando
que aqueles que me deram a vida
também me mostrassem
como viver.
Esperei uma palavra.
Um conselho.
Uma direção.
Esperei que alguém segurasse minha mão
e dissesse:
"Não tenha medo.
Existe um caminho para você."
Mas algumas esperanças
não morrem de uma vez.
Elas desaparecem lentamente,
como uma luz esquecida
em um quarto vazio.
Então veio a pandemia.
O mundo fechou suas portas,
e eu também fiquei preso.
Dois anos entre paredes,
lutando contra o medo,
a solidão
e a sensação de que o futuro
estava distante demais.
Eu tinha apenas 17 anos.
Era um garoto tentando compreender
uma vida que já parecia pesada.
Estudei.
Acreditei que o conhecimento
seria uma ponte para outro destino.
Passei um ano preparando minha mente
para uma oportunidade.
Mas a dor, o medo e a incerteza
foram maiores que meus planos.
O ENEM passou.
E com ele,
uma parte dos sonhos
que eu ainda carregava.
Depois vieram os dias de trabalho.
O corpo aprendeu o significado
da exaustão.
As pernas carregaram pesos
que ninguém viu.
As mãos perderam a juventude.
E, enquanto muitos construíam memórias,
eu construía resistência.
Nunca pedi riqueza.
Nunca pedi uma vida fácil.
Tudo o que eu queria
era um lugar no mundo.
Um propósito.
Uma profissão.
Uma razão para olhar para o amanhã
e acreditar que eu também tinha destino.
Mas o tempo revelou
uma das dores mais silenciosas:
o amor de uma família
nem sempre alcança todos
da mesma forma.
Na mesma casa,
existiam diferentes medidas de cuidado.
O afeto que não encontrou meus caminhos,
a consideração que nunca repousou sobre mim,
foi entregue em abundância
à minha irmã.
A ela,
os braços abertos.
A ela,
a proteção antes mesmo da queda.
A ela,
a certeza de que haveria alguém
para enfrentar o mundo por ela.
E eu não invejo o amor que ela recebeu.
Nenhum irmão deveria desejar
menos amor para outro.
Mas existe uma tristeza profunda
em perceber que aquilo que foi dado em dobro a alguém
nunca encontrou espaço
nem uma única vez
para florescer em você.
Eu os amo.
E reconheço:
eles não me devem nada,
além da vida que me deram.
Mas a vida,
quando não é acompanhada de presença,
às vezes parece apenas uma existência.
Por isso temo o dia da despedida.
Não porque não exista amor.
Mas porque algumas lágrimas
nascem das histórias que vivemos.
E outras não conseguem nascer
pelas histórias que nunca tivemos.
Talvez eu não chore pelas lembranças.
Não por crueldade.
Não por falta de gratidão.
Mas porque passamos pela vida
sem construir aquilo que o tempo não consegue apagar.
Fotografias envelhecem.
Casas desmoronam.
Pessoas partem.
Mas as memórias permanecem.
E essa talvez seja a nossa maior tragédia:
não fomos uma família destruída pelo ódio.
Fomos uma família separada pelo silêncio.
Vivemos sob o mesmo teto,
mas em mundos diferentes.
E o mais triste de tudo
é descobrir que uma pessoa pode passar a vida inteira
procurando um lar,
mesmo estando dentro de uma casa.
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