Beijo de Mae p Filha

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Um só Cordeiro,
muitos povos.
Um só amor,
eternolouvor.

⁠O corpo entende no ritmo,
a cabeça entende no eco.

A juventude


A juventude perdeu o brilho
Perdeu o sentido
Perdeu o respeito


Antigamente a juventude tinha mais vida
A vida era bela
A gente brincava na rua


O tempo era lento
O riso era fácil
O abraço era casa


Hoje o mundo corre
Mas o coração se arrasta
Cheio de tudo
Vazio de essência


Não é que a juventude acabou
Ela só está ferida
Tentando existir
Num mundo que esqueceu de cuidar


Ainda há brilho — escondido
Ainda há vida — cansada
Ainda há sentido — esperando
Alguém chamar de volta

Caminhada


O chão não prometia facilidade,
ainda assim, eu fui.
Os pés cansaram cedo,
pediram pausa,
não rendição.


Parei à beira da estrada,
bebi água morna,
olhei pro nada
até o nada responder
com um canto manso.


A noite veio longa,
o sabiá insistia,
e o sertão, em silêncio,
seguia bonito
sem pedir prova.


Peguei o violão
e cantei com o passarinho.
Era amor queimando baixo,
chama viva
no meio do caminho.


Quando cheguei,
não havia aplauso —
havia braços.
Abracei minha família
e agradeci pela caminhada.

Luz Mansa


Fui encontrar ouro
E acabei encontrando
Diamantes
No teu olhar
Brilhante da cor do sol


Deitado na beira do mar
Ouvindo o barulho manso
das ondas
Só pra ficar te admirando…


Já era tarde dourada
A mesa de madeira exposta
Café passado na hora
Bolo e torta


E o dia vai ficando quieto
Teu olhar ainda aceso
Luz mansa

Terra Dourada


Terra dourada.
Tem frutos.
Tem animais bonitos.
Tem uma mata incrível.


Mas o seu povo dorme.


Está na hora de acordar
e olhar pra essa terra
que é belíssima.


Chega de olhar o terreno do lado
enquanto o nosso apodrece
por falta de cuidado.


Vamos olhar pra cultura local,
praquilo que nasceu aqui,
pro que tem cheiro de chão,
de sol, de história.


Estamos matando a nossa origem
cada vez que copiamos
o que não fala a nossa língua.


Não precisamos copiar.
Precisamos criar.


Criar com o que somos,
com o que temos,
com o que sempre esteve aqui
e nos ensinaram a ignorar.


Essa terra não é pobre.
Ela é esquecida.


E quando o povo acordar,
a origem volta a respirar.

Ô pátria amada


Ô pátria amada
Não deixaremos morrer


Ô pátria amada
Sempre vamos
lutar por você


A cada dia que passa
A nação está em chamas
Não é o fogo que traz vida
É o fogo que espalha a morte


Precisa renascer das cinzas
Enquanto muitos ainda destroem


Tu és braseiro
Brasa viva,
pátria amada


Ainda há sementes no chão
Ainda há mãos que sabem cuidar
Do meio da fumaça nasce o amanhã
E a esperança não deixou de brotar


Ainda há um amanhã sendo gestado
No coração de quem não desistiu

Ainda há um amanhã sendo gestado
No coração de quem não desistiu

No recanto


O vento quente do sertão
varre a alma cansada,
E a ansiedade aperta
o peito como corda de viola.
O homem sente
o mundo pesado nos ombros,
E a esperança parece distante, escondida no céu de brasa.


Mas chega uma palavra doce, feita de calma e cheiro de terra molhada,
Um sussurro que floresce entre
o juazeiro e a laranjeira.
O coração se abre,
desata o nó que sufoca,
E a vida volta a dançar
na batida lenta do luar.


No recanto da paixão,
o olhar se encontra,
Mãos trêmulas se entrelaçam,
tão simples e certeiras.
O medo se dissolve
na música das palavras,
E o amor cresce no silêncio
que fala mais que tudo.


Ah, sertão que ensina
a alma a resistir,
Entre seca e chuva,
entre dor e sorriso.
Uma palavra bondosa
é a chuva na rocha,
E o coração do homem
volta a cantar seu próprio destino.

Já está preparado

Estou agitado
Vem, desacelera-me
Preciso focar
A ansiedade bate forte

Já não tenho mais controle
Preciso de ajuda
Meu coração está queimando
Quando você chega

Tenho medo de não estar preparado
Tenho medo do novo
Ouço você falar dentro do meu ser:
“Tudo vai estar bem”

Ficar tranquilo
No momento certo, te darei
Não tenha pressa de entrar no novo
Seu momento já está preparado

Labirinto Interior


As pedras falam,
mas ninguém escuta.
O sangue quente escorre
entre sombras que dançam na cabeça.


Há vozes que me atravessam,
rasgam o silêncio,
e deixam rastros de carvão no peito.


Não sei se é noite ou tempestade,
se o chão queima ou se sou eu,
ou se o vento carrega minhas mãos,
incapazes de segurar o que foge.


Senhor, você que vê meu coração no meio da confusão,
guarda-me da própria sombra
sem apagar o fogo que me lembra que existo.


Que eu não me perca
entre a brasa e a bruma,
entre o toque que destrói
e a mão que quer abençoar.


Que eu seja labirinto e mapa,
raiva e silêncio,
pesadelo e oração,
até que a manhã me reconheça
entre os escombros do meu ser.

Que eu não me perca
entre a brasa e a bruma,
entre o toque que destrói
e a mão que quer abençoar.

Que eu seja labirinto e mapa,
raiva e silêncio,
pesadelo e oração,
até que a manhã me reconheça
entre os escombros do meu ser.

Não sei se é noite ou tempestade,
se o chão queima ou se sou eu,
ou se o vento carrega minhas mãos,
incapazes de segurar o que foge.

SEP


Sentimento que pulsa
em cada torcida,
Olho atento aos gramados, buscando glória,
Coração verde que jamais se rende,
Inspiração para os sonhos de vitória,
Ecos de hinos que atravessam gerações,
Dedicação que nasce
em cada jogador,
Amor que se veste
de verde e branco,
Determinação que
desafia o impossível,
Esperança viva em cada lance.


Energias que se unem em celebração,
Sonhos que se tornam
realidade a cada jogo,
Paixão que transforma
simples partidas em épicos,
Obra de história escrita em vitórias,
Resistência que honra cada camisa,
Torcida que canta sem parar,
Impetu que corre pelos campos,
Vibração que invade arquibancadas,
Alegria que explode a cada gol.


Paixão que vibra
em cada coração verde,
Amor que transcende
vitórias e derrotas,
Luz que brilha nos campos
e arquibancadas,
Memórias que ecoam
glórias eternas,
Energia que move torcidas e sonhos,
Inspiração que nasce a cada gol,
Resistência frente aos desafios,
Alegria que explode em cada canto,
Sonho de campeões que nunca se rende.

Quebra o silêncio


Quebra o silêncio
Antes que ele diga por você
Leio o ar nos teus pulmões
Descompassado
O corpo chega onde
a palavra não ousa


Quebra o silêncio
Sustenta o olhar
O medo é só
O nome errado
do que insiste


Quebra o silêncio
Fica
Eu escuto o que
não vem inteiro
Sem urgência
Sem escudos


Te toco
— o tempo perde função
Te cerco
— algo em ti repousa
Revelo o que nunca
Foi pedido
Esse intervalo
Onde a alegria aprende a ficar

A mesa ainda está posta.
Não porque fomos dignos,
mas porque a graça chegou antes
e preparou lugar no deserto.


A mesa ainda está posta.
Pão partido lembra o corpo entregue,
o cálice anuncia aliança
que não depende do nosso acerto.


A mesa ainda está posta.
No meio, a cruz não acusa —
ela explica o amor
que escolheu ficar.


A mesa ainda está posta.
Senta sem medo. Aqui,
a graça não pergunta o passado,
apenas chama pelo nome.

Há sol demais para ser abrigo, claridade que expõe o fundo antes do toque; amo o risco de nadar parado, de chamar de mar o que me alcança o tornozelo.

Entre ir e ficar


Te encontro onde o chão ainda engana, espelho curto de céu quebrado, teus passos fazem círculos que fingem profundidade.


Bebo teu silêncio com sede antiga, mas a água não afunda o nome que penso; tudo flutua
— promessas, e o medo de molhar demais.


Há sol demais para ser abrigo, claridade que expõe o fundo antes do toque; amo o risco de nadar parado, de chamar de mar o que me alcança o tornozelo.


Se fico, é por não saber voltar seco, se parto, levo sal que não nasceu aqui; entre ir e ficar, aprendo:
há águas que não enganam
— não juram fundo antes da hora.

Água Rasa


Caminho onde o fundo ainda aparece, mas o reflexo mente profundidade.
Teus olhos me chamam sem prometer afogo, eeu entro mesmo sabendo nadar pouco.


O sol toca a pele da água
e tudo parece seguro demais.
Mas há correntes mansas que puxam devagar o que não faz barulho.


Teu nome boia perto da margem,
não sei se âncora ou convite.
Fico com os pés no chão
e o coração já fora do lugar.


Água rasa não grita perigo,
só ensina tarde demais.
E eu, molhado de quase,
aprendo teu silêncio pelo frio.