Beijo de Mae p Filha
SEGREDOS NA LUA CHEIA
Sempre vos quis segredar, ontem.
Antes que fosse anteontem.
Mas ninguém me ouviu.
Hoje, ouçam ou eu me agasto:
Fui feito da pedra de um crasto,
Minha mãe era a lua cheia
Meu pai era o brilho do sol
E desse amor, eu vim à boleia
Nesta estrada em caracol.
Segredo, guarda-se em cofre
Que tenha o coração ardente,
Se o não for, o confessor sofre
As penas de um ser demente.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2022)
Habituei-me de tal maneira às acidezes da vida, que hoje quando me querem dar a cheirar e degustar outras coisas revestidas de doçuras, eu, categoricamente, rejeito-as em nome da minha coerência.
EM MIM
Só agora, no fim, serei
O ser que não fui,
Porque errei no escolher
Da sorte, por não saber
Que ela só flui
A quem tem a coragem
De viver,
Sem querer entender
Se a vida é quadrada
Ou redonda
Como o mundo
Profundo
Entre a areia dourada,
A terra e o mar
E aquela onda malvada
Que nos arrebatou
E na tragédia nos levou,
Para um poço sem fundo.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 15-10-2023)
SE
Se todos gostassem da minha poesia,
Jamais haveria
Paz no mundo.
O mar e as fontes secariam,
Os rios ao contrário correriam,
O ovo não teria gema
Nem o ovário
Seria berçário
De hormonas,
Neste meu mundo de sintomas
Da falta de teorema.
Seria o caos completo,
Tudo morreria
O absoluto e o obsoleto.
Por favor:
Para que haja paz no mundo,
Nunca leiam a minha poesia;
Podem até falecer de ironia,
Ou então ficar moribundo.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 12-11-2023)
A dor da saudade em mim, ordena-me silêncio, reflexão e as luzes apagadas.
Tudo no escuro...
Carlos De Castro
Um pé de conversa que cansa e onde não se sente a verdade, por maior que seja a fôrma que forme o sapato, terá somente o tamanho de um pé de criança para os que detestam, como eu, a falsidade.
(©Carlos De Castro, em 02-09-2025, publicado no site PENSADOR.)
O PAI E A SAUDADE
Meu pai, foi-se cedo.
Fugiu.
Meu Deus, credo
Que meu pai partiu
Cansado,
Martirizado,
De tanto me ouvir,
Insistir,
Perguntar:
Porque me construíste, pai!?...
A mim, um vivo-morto
Cada vez mais vivo na morte
Que se fosse de outra sorte
Eu sentiria conforto
Se te tivesse comigo
Como aquele amigo
Que além disso é pai
E a gente pensa
Mesmo na descrença
Que ele, nunca, mas nunca se vai.
(Carlos De Castro, in Há um Livro Muito Triste Por Escrever, em 23-10-2025)
VELHICE ADIADA
Ombro a ombro, ele mais alto
Que ela, baixa de baixo salto
Numa amarração de vidas
Vividas,
Sentidas
Consentidas,
Que mesmo após a velhice,
A idade da rabugice,
Na cidade aperaltada
No passeio da fama do nada
Lembrando suas paixões,
Lá iam os dois amarrados,
Mirrados,
Num abraço de emoções.
Ei-los, chegados ao lar:
Dois jovens apaixonados
Em tempos de namorados
De corpos novos em brasa,
Lembraram a velhinha casa
Na mais louca das razões,
Os seus beijos de ilusões,
Trocados no seu amar.
A paixão andava no ar,
Já com pouco respirar,
Mas com um louco desejo,
Trocaram um longo beijo,
Ainda por cima,
Sem rima.
(Carlos de Castro, in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 16-11-2025)
Porque no meio de um mundo barulhento, você foi silêncio. Um silêncio que dizia tudo. Eu te vi e algo em mim... se reorganizou. Não foi escolha. Foi inevitável. Porque algumas conexões não precisam de lógica — só acontecem. E é isso que dizem sobre almas gêmeas, certo? Que elas se reconhecem antes mesmo de se conhecerem. Que elas se pertencem. Eu nunca acreditei nisso, até você.
Nos apaixonamos não por vontade, mas por falta. A falta de algo que a gente nem sabia que precisava até olhar nos olhos da pessoa certa. Ou errada. Ou perfeita demais pra caber em qualquer definição segura. A gente ama porque precisa se sentir inteiro. E você me fez acreditar que era possível.
Mas então veio o vazio. A ausência. Saudade?
Não. Não é só saudade. É abstinência. Do seu cheiro, do seu toque, do seu caos que fazia sentido. Ou parecia fazer. Você foi embora, mas ficou. Em cada canto. Em cada pensamento. Em cada pensamento de seguir em frente.
E eu me pergunto, toda noite, você ainda me ama?
Será que sente falta? Será que lembra da gente como eu lembro? Porque eu tento esquecer, mas não consigo. Porque amar você foi o que me fez crescer. E se tudo que fiz foi errado... foi pelo amor certo. O seu.
Então, no fim de tudo, eu volto à pergunta que nunca cala:
Por que você?
Porque sempre foi você. Desde o primeiro olhar. Desde antes do primeiro toque. Porque no meio de um mundo inteiro... Nós nos encontramos
E agora, dizem que é hora de... seguir em frente.
É, eu sei, as pessoas gostam de ouvir isso, não é? Achar que a dor vai embora só porque você diz isso em voz alta. Acontece que as palavras são apenas isso — palavras. E eu... bem, eu sou bom com palavras. Eu sei como fazer parecer que estou bem. Como fazer parecer que já não ligo mais.
Como se o coração entendesse comandos. Mas não é assim que funciona, é? Seguir em frente não é sobre andar... é sobre deixar pra trás. Esquecer. Apagar. Enterrar.
Você.
E como eu poderia fazer isso? Como se apaga alguém que se tornou sua vida? Como se esquece do sorriso que fazia você se esquecer de todos os problemas, o riso que fez sentido onde só havia ruído?
Você foi o começo. O meio. E, mesmo que tenha ido embora, ainda é o fim de tudo que veio depois.
Mas, se sou honesto, eu não esqueci de você. Não é fácil esquecer. Mas quem realmente esquece, não é? A memória de tudo que compartilhamos, tudo o que fizemos, permanece. E eu sou grato por isso. Grato por ter experimentado o que é verdadeiramente sentir. Porque, no fim das contas, são as experiências que moldam a gente. Você me moldou. Não da forma que eu imaginava, mas de um jeito que, de alguma forma, me ensinou a ser mais... real.
E isso, por mais doloroso que tenha sido, valeu a pena. Mesmo que eu nunca tenha sido capaz de seguir completamente em frente, eu me tornei alguém diferente. Alguém que agora sabe que a dor, a saudade, o vazio — tudo isso pode coexistir com o crescimento. Pode coexistir com o agradecimento.
Você fez parte de uma parte importante de mim, e talvez isso seja o suficiente. Não sei se um dia vou realmente esquecer. Mas aprendi que não preciso disso. Não agora. O importante é que eu aprendi a valorizar o que ficou. Eu realmente agradeço. Porque sem você, sem o que vivemos, sem o que me fez sentir, eu nunca teria chegado a esse ponto. O ponto onde posso olhar para tudo e dizer: 'Eu estou bem.'.
— Doeu de novo.
— O quê?
— O amor.
— Ah. Isso explica o silêncio.
O coração suspira, cheio de rachaduras novas.
O cérebro anota algo mentalmente, como quem registra um dado irrelevante.
— Você nunca entende, né?
— Eu entendo perfeitamente. Só não vejo utilidade em sofrer por isso.
— É que você não sente.
— É que você não pensa.
O coração se cala por um instante.
O cérebro aproveita pra revisar compromissos da semana.
— Ela parecia diferente…
— Todas parecem.
— E eu acreditei.
— Você sempre acredita.
— Eu só queria sentir de novo.
— E eu só queria dormir em paz.
Há um silêncio entre eles — o tipo de silêncio que dói mais que qualquer palavra.
— Como você consegue ser tão frio?
— E como você consegue insistir tanto em algo sem garantia?
— Porque é o que me faz vivo.
— E é o que quase te mata toda vez.
O coração ri. Um riso trêmulo, cansado.
— Então o que eu faço agora?
— Espera.
— E depois?
— Espera mais.
— E quando passa?
— Nunca totalmente. Mas você aprende a bater no ritmo certo de novo.
O coração respira fundo.
O cérebro volta ao trabalho.
No fundo, ambos sabem
vão brigar de novo,
vão se prometer paz,
e no próximo olhar certo —
lá estarão, lado a lado, repetindo o erro mais humano de todos:
acreditar de novo.
A vida é feita de capítulos.
Cada qual com seus personagens
Alguns, protagonistas outros simples coadjuvantes.
Linda
Linda
Linda…
Repito como quem tenta convencer alguém
de algo que ele insiste que sabe.
Linda por dentro,
linda por fora,
mas o olhar de fora é raso, é curto, é superficial,
e fica ali - como se fosse tudo.
E ela sorri, agradece,
como quem aceita um elogio que não merece.
Pois não é nem metade do que ela é.
Porque por trás da casca elogiada
existe uma menina silenciosa,
carregando dúvidas que ninguém vê.
Uma menina que não se enxerga,
que se mede por espelhos distorcidos,
que acredita mais nas ausências
do que nas presenças que a cercam.
Linda…
mas não dessa beleza que passa,
que se desgasta com o tempo
ou se perde com atitudes.
Linda de essência,
de pensamento,
de palavras,
de uma risada que contagia o ambiente.
Linda na forma de ouvir,
na forma de entender,
na forma de existir sem precisar provar nada - mesmo achando que precisa.
Linda personalidade,
que melhora ambientes sem perceber.
Linda voz,
que carrega uma paz que ela mesma não escuta.
Linda…
e eu repito,
não por falta de palavra,
mas por falta de algo que a enxergue inteira.
Porque eu a vejo
como ela não consegue se ver.
Vejo a inteligência escondida nos detalhes,
o humor leve que salva dias ruins,
a presença que faz falta
mesmo quando ela acha que é só mais uma.
Vejo alguém raro,
de verdade,
daqueles que não se encontram fácil
e que o tempo deveria ensinar a valorizar.
Mas ela…
ela insiste em reduzir tudo
a um único reflexo.
Ela aceita ser “linda”
como se fosse muito,
como se fosse tudo,
como se fosse só isso.
E isso…
isso é o que mais dói.
Porque ser linda, pra ela,
virou limite —
quando na verdade
era só o começo de tudo que ela é.
Sonhei com a minha avó já falecida, dizendo que não queria mudar o telhado da sua casa, que era de telhas, para telhado de "pau a pique" eu dizia que se ela não quisesse, era só deixar o telhado e Mudar só as paredes da casa, que precisavam de uma reforma.
Eu em seguida dizia pra ela tomar banho, que tínhamos que sair, então dei a ela meu shampoo e creme pra colocar no cabelo, ia dar o shampoo do meu marido, mas vi que já estava acabando, então não dei, ela saiu pra tomar banho e me olhava com um olhar muito duro.
Julho de 2023
Não sinta medo, remorso ou raiva!
Isso só te trará energias ruins e pesadelos à noite.
Encontre Deus em seu interior e nunca mais terá falta de paz.
O amor transbordará em você por toda a vida.
O homem que esconde a própria loucura é melhor que o que esconde a própria sabedoria.
Colecionar memórias é a forma mais bonita de viver. A vida é boa demais para passar despercebida, então eu escolho guardar momentos: risadas simples, conversas inesperadas, pequenos instantes que aquecem o coração. No fim, são essas lembranças que contam a verdadeira história de quem somos e do caminho que percorremos.
Em 2026 eu renasci. Um renascimento saudável, consciente. Os desafios dos últimos três anos me ensinaram muito e mostraram que ainda estou no campo de batalha, aprendendo, resistindo e seguindo em frente. Mas agora carrego algo diferente dentro de mim: a certeza tranquila de que, passo a passo, tudo vai se ajustar e ficar bem.
Ter um porto seguro muda tudo. É saber que, depois de qualquer tempestade, existe um lugar onde a gente pode respirar fundo, descansar o coração e recuperar as forças. Não precisa ser perfeito nem grandioso; basta ser verdadeiro. Um porto seguro é presença, é cuidado, é aquele espaço onde a gente se reconhece e entende que, apesar de tudo, nunca está sozinha.
Não importa quão alta seja a escada. Se houver um corrimão, eu subo. Porque, às vezes, o que precisamos não é de facilidade, mas de um ponto de apoio, algo que nos dê equilíbrio enquanto seguimos. A vida é assim: cheia de alturas e desafios, mas sempre existe uma forma de continuar avançando.
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