William Zandoni
Quem vive vasculhando o passado de alguém acaba deixando de viver o próprio presente.
Quem se prende ao que aconteceu antes, alimenta mágoas que não lhe pertencem e transforma o ontem em prisão. O passado dela não é sua história. Você recebeu algo muito maior: a chance de junto com ela ser o começo de uma nova história. Então pare de tentar apagar páginas que você não escreveu. Escreva algo tão intenso no presente, que quando ela olhar para trás, não sinta vontade de voltar, apenas perceba que tudo o que viveu antes foi apenas o caminho que a trouxe até você.
Ou você pula no oceano e aprende a nadar, ou continua abraçado à sua poça de água, fingindo que está seguro. Só não reclame da sede quando ela secar — porque o problema nunca foi a falta de água, foi a sua covardia diante da imensidão.
Quem passa a vida esperando o vento perfeito nunca descobre até onde seu próprio barco poderia chegar.
Há pessoas que passam anos construindo muros para se proteger, sem perceber que, do outro lado, estava justamente a vida que tanto procuravam.
A porta pode permanecer aberta por anos, mas quem tem medo de atravessá-la sempre encontrará uma desculpa para continuar do lado de fora.
Você pode continuar contando as ondas da margem ou entrar no mar e descobrir que algumas respostas só aparecem para quem tem coragem de se molhar.
O conforto também pode ser uma prisão. A diferença é que nela ninguém precisa usar correntes — basta ter medo de partir.
Algumas oportunidades não desaparecem porque eram pequenas; desaparecem porque esperamos tanto pela certeza que o tempo decidiu por nós.
Quem escolhe sempre o caminho conhecido pode até evitar alguns tombos, mas também nunca saberá quantas paisagens perdeu por medo de se perder.
A vida não cobra apenas pelos erros que cometemos; às vezes, cobra ainda mais caro pelas escolhas que tivemos coragem de fazer.
Não adianta reclamar do horizonte quando você passou a vida inteira olhando para o chão. Há mundos que só aparecem quando levantamos os olhos.
Um dia você perceberá que o maior risco não foi ter tentado e fracassado, mas ter permanecido seguro enquanto a vida acontecia longe de você.
Passei a entender que o vento não precisa estar a favor; às vezes, ele só precisa ser forte o bastante para arrancar você do lugar onde se acostumou a permanecer.
Há quem confunda paz com ausência de movimento. Mas água parada também parece tranquila antes de começar a apodrecer.
O problema de viver sempre na margem é que, depois de algum tempo, o medo começa a se disfarçar de prudência.
Algumas portas não se fecham de repente. Elas envelhecem diante de nós enquanto esperamos coragem suficiente para atravessá-las.
Existe um tipo de fracasso que ninguém aplaude nem lamenta: aquele de chegar ao fim sem nunca ter descoberto do que você era capaz.
Talvez amadurecer seja perceber que segurança demais também cobra juros — e quase sempre paga-se com aquilo que poderia ter sido.
Você pode passar a vida polindo a mesma janela ou quebrar o vidro e descobrir que o mundo nunca esteve esperando sua permissão.
Há escolhas que assustam porque podem mudar nossa vida. E há outras ainda mais perigosas: as que não mudam absolutamente nada.
O tempo não leva apenas pessoas e oportunidades; às vezes, leva versões inteiras de nós que nunca tiveram coragem de existir.
Um dia, talvez você olhe para trás e perceba: não era o abismo que parecia tão grande. Era a sua vida que estava pequena demais para continuar cabendo onde você insistia em ficar.
Há muitas verdades, como também a muitas mentiras Você acredita ou confia, de acordo com a fonte que lhe diz. Precisaria entender como o outro lado raciocina, pois a verdade será unicamente a dele, mesmo que outros digam verdades ou mentiras. Então você acredita no que te dizem, e ele acredita em quem ele é. O silêncio geralmente é a razão da não necessidade de ter que se justificar.
