Wellyson C Jesus
Ou me ama, ou deixa-me
Tu me diriges palavras,
e nelas encontro
o bastante para permanecer,
jamais o suficiente
para descansar.
Não és tu
a origem do meu tormento.
É o silêncio,
esse artífice perverso,
que veste a incerteza
com as vestes da verdade.
Enquanto repousas,
minha alma fabrica espectros,
ergue rivais sem nome,
e concede à sombra
a dignidade do real.
Talvez nada disso exista.
Mas o receio
jamais necessitou de provas
para consumir um coração.
Ah, se me fosse concedida
a misericórdia da clareza!
Ama-me,
e que teu amor seja inteiro.
Ou nega-me,
e que tua negação
tenha a nobreza
que falta à hesitação.
Pois mais cruel
que o abandono
é a esperança suspensa,
esse cárcere invisível
em que o espírito
definha sem morrer.
Não consintas
que eu permaneça
como peregrino
à porta de um templo
que nunca me será aberto.
Se teu afeto me pertence,
acolhe-me.
Se jamais me pertenceu,
concede-me, ao menos,
a graça derradeira
de partir em paz.
Porque há despedidas
que ferem menos
do que uma eternidade
vivida à sombra
de um talvez.
