Vida31
O Teste do Agora
Cada amanhecer exige um novo escudo,Um teste diário de controle e calma.Nessa frequência paranoica de tudo,A correria consome o lazer da alma.
O mundo parou, o isolamento foi real,Trancados na rotina de um lar profundo.Vinte e quatro horas no mesmo quintal,Revelando quem éramos pro fim do mundo.
No dia a dia comum ninguém se via,O espelho da família estava ocultado.A pandemia trouxe a face que se escondia,O laço real que havia sido guardado.
A tela da TV só traz o tormento,Ansiedade que dita o peso das horas.Planejar o amanhã virou puro desalento,As grandes certezas foram jogadas fora.
Não cabe mais desenhar o futuro no papel,Com a política entregue à mão alheia.Depender do outro é viver sob um véu,Onde a decisão de fora nos encadeia.
Para não colher frustração no peito,O segredo é viver o hoje, sem pressa.Caminhar no presente é o único jeitoDe proteger a mente e cumprir a promessa.
— Roseli Ribeiro 2026
Erguem-se os homens ao trono do Estado,E em suas mãos, o destino de milhões,Sob um comando cego e implacável,Que move massas, forças e nações.Por essa glória de ilusório brilho,Caminham firmes, sem poupar a ética,Trilhando a fraude, o erro e o desvario,Numa vaidade estéril e patética.
O ego impera, a ganância dita as leis,Promessas voam como fumo ao vento,Rios de ouro vertem para estes reis,Mas o povo padece no esquecimento.Quem os contesta enfrenta a vil vingança,Pois a injustiça é a arma de quem pregaUma disputa onde a virtude cansa,E a própria pátria ao exterior se entrega.
Nenhum dos lados traz a solução,Nenhum partido cumpre o seu papel,Enquanto o povo espera na opressão,Sob o silêncio de um decreto cruel.Contudo, a culpa não reside neles,Não são as cores que nos dão o norte;A verdadeira história não é deles,É sobre nós que pesa a nossa sorte.Onde se esconde a alma verdadeira,Que zela pelo todo e o bem comum?Quem erguerá a mística bandeira,Sem esquecer de povo algum?
Ass: Roseli Ribeiro 2026
Quando a mente se perturba diante de eventos externos que assumem proporções agigantadas, ela inevitavelmente consome a vitalidade do ser e adoece o corpo.Se o sofrimento brota de percepções puramente individuais e as conclusões pertencem apenas a uma perspectiva humana, o verdadeiro embate deixa de ser com o mundo e passa a ser da alma consigo mesma. O desafio supremo reside na capacidade de processar as adversidades sem cultivar mágoas, dissipando a dubiedade dos pensamentos para alcançar a autêntica paz interior.— Roseli Ribeiro 2026
O reconhecimento, portanto, é postergado para além da existência. A morte atua como um filtro purificador: ela remove a ameaça prática da ação e transforma o indivíduo incômodo em um símbolo estático. Somente quando o herói deixa de ser uma força viva e imprevisível é que a sociedade se sente segura para ritualizar sua memória. Santifica-se o morto para silenciar o impacto que ele causava quando vivo, convertendo o tributo tardio em uma tentativa de reconciliação com a própria covardia moral do tempo presente.— Roseli Ribeiro, 2026
