Valdir Enéas Mororó Junior
Meu amor por você é como a zona abissal: um lugar onde a luz de fora não alcança, porque ele brilha com a própria intensidade do que guardamos no fundo do peito.
Se o mundo se tornar barulhento demais, mergulha comigo. No fundo do meu oceano, o único som que resta é o eco do meu coração chamando pelo teu nome.
Não tenha medo da pressão ou do escuro; meu amor é a água calma que te envolve onde ninguém mais consegue chegar. No fundo de tudo, somos só nós e a imensidão.
Eu te amo na profundidade onde os naufrágios viram tesouros e o tempo deixa de existir. Você é o meu azul mais profundo, o meu silêncio mais bonito.
Você se foi, mas esqueceu de levar o espaço que ocupava em mim. Agora, vivo em uma casa cheia de ecos de um amor que não tem mais volta.
Dói aceitar que o nosso 'para sempre' virou um 'era uma vez', e que agora só nos encontramos no silêncio das minhas lembranças.
Guardo nossa história em uma caixa de veludo na memória. Não volta mais, eu sei, mas o brilho do que fomos ainda ilumina os meus dias mais cinzentos.
Amar você foi o capítulo mais bonito do meu livro, mesmo sabendo que a página virou e a autora decidiu encerrar a nossa história ali.
Para mim, amar uma mulher de verdade é entender que ela não é minha propriedade. Amar é respeitar sua autonomia e deixá-la viver sua própria essência.
No meu jeito de ver o mundo, o amor não prende. Se eu a amo de verdade, eu a deixo viver, porque ela não é um objeto que eu possuo, mas uma pessoa livre que eu escolhi admirar.
Amar de verdade é desapegar do controle. Ela não é minha propriedade; o meu papel é apenas deixá-la viver e ser feliz.
Amar uma mulher de verdade é entender que o meu mundo não deve ser a cela dela. Ela não é minha propriedade; amar é deixá-la viver a própria vida e ser feliz por isso.
No meu jeito de sentir, amor não combina com posse. Amar de verdade é respeitar a liberdade dela, sabendo que ela não me pertence, mas que escolhe estar ao meu lado.
Minha mente busca a verdade, e a verdade é que ninguém possui ninguém. Amar uma mulher é admirar o seu voo e deixá-la viver, sem rédeas ou controles.
Amar não é ter posse, é ter parceria. Se eu a amo de verdade, eu a deixo viver, porque ela é dona de si mesma e não uma propriedade minha.
A religião atinge seu ápice de controle quando transforma as correntes em adornos, fazendo o cativo acreditar que sua submissão é, na verdade, um ato de devoção.
Muitas vezes, as pessoas confundem o teto de suas celas religiosas com o céu, acreditando estarem livres simplesmente por não tentarem voar além dos dogmas.
A escravidão mais eficiente é aquela que dispensa guardas; basta convencer o indivíduo de que o questionamento é um pecado e ele mesmo trancará a própria mente por dentro.
Crer sem questionar é caminhar por um trilho estreito acreditando que se está escolhendo o próprio destino, enquanto a própria fé dita cada passo sob a sombra do medo.
A escravidão religiosa mais cruel é aquela que mata a razão hoje para prometer a eternidade amanhã; o indivíduo deixa de existir muito antes de o corpo cair, e o faz sem notar, achando que está finalmente aprendendo a viver.
