Valdir Enéas Mororó Junior
De nada adianta decorar as escrituras se o seu comportamento exige que as pessoas leiam uma edição revisada por conveniência.
A religião deveria ser um espelho para corrigir as próprias falhas, não uma lupa para encontrar o pecado alheio.
É fácil erguer as mãos para o céu no domingo quando se usa os pés para pisar nos outros o resto da semana.
É muita conveniência apontar o dedo para os Orixás da Umbanda e para as imagens dos santos da Católica, enquanto se fecha os olhos para o 'lobo em pele de cordeiro' que prega ao seu lado no banco da igreja.
A fé que só enxerga o erro no rito alheio e ignora o pecado no próprio templo não é espiritualidade, é apenas preconceito com verniz de religião.
Estranha é a moralidade que se escandaliza com o atabaque e com o santo, mas se cala diante da exploração e do falso testemunho de quem usa o nome de Deus para benefício próprio.
Se a sua crítica tem alvo certo por denominação, mas se torna mudez diante dos erros dos seus, o seu problema não é com o pecado, é com a liberdade alheia.
Hipocrisia é querer 'limpar' a casa do vizinho de outra fé, enquanto finge que a sujeira debaixo do seu tapete gospel é bênção.
O fanatismo cega: faz o fiel odiar o que não conhece na Umbanda e no Catolicismo, enquanto aplaude o erro que já se tornou rotina no seu próprio meio evangélico.
É estranho ver um rebanho que teme o lobo, mas se cala quando o pastor usa o avental de outra irmandade sob a túnica da fé.
Dizem que não se pode servir a dois senhores, mas muitos altares hoje sustentam colunas que não são as do Evangelho, e o povo finge que não vê a sombra que elas projetam.
O silêncio do fiel diante do pastor maçom não é prudência; é a renúncia da própria voz em troca de uma falsa paz institucional.
A fé cristã nasceu na luz pública do sacrifício; é irônico que hoje ela aceite ser guiada por líderes que juram segredos em câmaras ocultas.
Muitos criticam a idolatria do mundo, mas ajoelham-se diante de líderes que buscam o 'G' da geometria antes do 'G' de Glória.
Muitas vezes, a promessa de um paraíso no amanhã serve apenas para silenciar o grito por justiça no hoje, mantendo o povo dócil sob o peso da exploração.
A religião, quando institucionalizada pelo poder, deixa de ser um caminho espiritual para se tornar uma corrente invisível que dita o que pensar, em quem votar e como obedecer.
Dizem ao oprimido que o seu sofrimento é uma provação divina; assim, ele para de questionar as mãos humanas que realmente criam a sua miséria.
A religião funciona como um anestésico social: oferece um alívio ilusório para as dores do mundo real, impedindo que o povo lute para mudar a estrutura que o escraviza.
O medo do inferno costuma ser a ferramenta mais eficiente para garantir que ninguém conteste o 'céu' privado construído pelos poderosos na Terra.
Peço desculpas por te procurar mais uma vez, mas há momentos em que o silêncio se torna um fardo pesado demais para se carregar sozinho. Senti que precisava deixar o coração falar, nem que fosse pela última vez. Com o tempo, aprendi que amar alguém de verdade não é sobre posse, nem sobre lutar contra um "para sempre" que o destino resolveu redesenhar. Amar é, acima de tudo, ter a generosidade de permitir que o outro seja feliz, mesmo que essa felicidade floresça em um caminho bem longe do meu.
O amor verdadeiro possui uma natureza silenciosa e resiliente. Ele não sucumbe à distância, nem se apaga com o simples passar dos anos. Em vez disso, ele se transmuta; vira memória, vira o abrigo onde descanso nos dias mais cinzentos. Ninguém esquece um grande amor de fato; a gente apenas desenvolve a arte de conviver com a sua ausência, como quem aprende a respirar em uma altitude diferente.
De vez em quando, ao fechar os olhos, ainda lembro da única foto que tiramos no Mercadão. Você com um sorriso lindo e com os olhos brilhando mais do que as estrelas daquela noite maravilhosa. Uma foto que só ficou na memória, já que, naquele tempo, a imagem do celular era péssima, mas a nitidez do que senti continua intacta.
Sabe, ainda existe aquela música... a nossa música. Toda vez que os primeiros acordes tocam, o mundo ao meu redor emudece e, por alguns segundos, eu só consigo enxergar nós dois. A letra se tornou o espelho da minha alma:
"O tempo passou, só que nada mudou / O mesmo vazio de antes / Sua voz eu ouvi, nosso mundo eu senti / E a mente vem recordar / Do mesmo perfume, do mesmo olhar / O beijo que o tempo guardou / Invade a razão, toma o coração / E a saudade me faz lembrar."
Passei anos evitando te procurar. Tive medo de reabrir cicatrizes que nunca se fecharam por completo. Escolhi o isolamento do sofrimento por acreditar que o silêncio seria mais "saudável", mas a verdade é que ele acabou me corroendo por dentro. Desde a última vez que a gente conversou, eu te falei e repito: você sempre será o meu grande amor.
Se um dia me perguntarem sobre arrependimentos, minha mente voará imediatamente para aquela viagem a Petrolina. Eu não deveria ter ido; aquele foi o marco de uma partida que eu nunca quis aceitar. Eu sei que o tempo é um rio que não corre para trás, mas saio deste silêncio com uma única certeza inabalável: você nunca poderá dizer que eu não te amei.
Tentei o impossível para te esquecer. Lutei contra as lembranças e busquei novos ares, mas cheguei à conclusão de que a única forma de apagar você seria perdendo a memória ou fazendo um "reset de fábrica" na alma. Como isso é impossível, escolho aceitar que você foi o meu sonho mais mágico — um daqueles que nunca mais se repetem, restando apenas como as lembranças perfumadas de uma primavera eterna em meu peito.
Sigo agora o meu caminho, levando o que foi bom e deixando para trás o que dói. Desejo tudo de bom para você
Meu maior medo é deixar o que temos de mais bonito escorrer pelas mãos por causa de alguma bobagem ou imaturidade minha. Você é o meu melhor acerto, e eu estou aprendendo a ser melhor só para não te perder.
Às vezes me perco em atitudes infantis, mas o meu amor por você é a coisa mais real e madura que já senti. Por favor, tenha paciência com o meu processo; meu maior terror é te afastar de mim por besteira.
Eu tenho um medo absurdo de te perder para o meu próprio ego ou para as minhas falhas. Você vale muito mais do que qualquer erro bobo meu.
Daria mil voltas no mundo para te encontrar de novo, mas meu medo é te perder em uma única curva mal feita por falta de maturidade. Você é minha prioridade, mesmo quando eu ainda não sei agir como tal.
