Tiago Scheimann
O Silêncio de Deus é a resposta sutil de que o Mestre está, nos bastidores do impossível, movendo peças que não cabem à nossa visão.
O Milagre diário é o sim renovado à jornada, quando todas as circunstâncias gritam o óbvio e a alma escolhe a permanência n'Ele.
A Luz da Fé não dissolve a noite, mas providencia o fio de prumo para caminhar na escuridão sem cair no fosso da desesperança.
O medo é o custo da negligência da alma, o sintoma visível da oração que foi insistentemente adiada.
O descanso em Deus é o ato subversivo mais potente que um espírito à beira do colapso pode declarar contra a tirania da ansiedade.
Das quedas, fiz minha escola. Dos pedregais, desenhei um novo caminho e das vezes em que precisei me erguer, aprendi que a vida é um paradoxo tênue, entre a dor que fere e o recomeço que cura.
Sou o sentinela e o prisioneiro de uma guerra que nunca cessa. No tribunal noturno da mente, cada lembrança esquecida retorna como testemunha hostil, expondo minhas feridas com uma precisão cruel. O silêncio, esse juiz disfarçado de paz, sentencia-me a reviver o que tentei enterrar. Quando os pensamentos se libertam, tornam-se lâminas: cortam sem aviso, rasgam o que o tempo tentou cicatrizar. A sombra, paciente, estende sua mão, prometendo descanso em troca da rendição. Mas há em mim uma centelha teimosa, um lampejo que recusa a dissolução. Assim sigo, numa vigília interminável, onde a lucidez é tanto escudo quanto lâmina. Cada instante é um duelo, e cada suspiro, um veredito suspenso entre a luz que sangra e a escuridão que observa.
A verdadeira resiliência não é parar de sentir, mas aprender a caminhar com o chão ainda úmido das lágrimas.
O corpo cansa, mas a alma só se exaure quando a fé na mudança se torna mais leve que o peso do passado.
As feridas que a vida não cicatriza se tornam lições silenciosas, escritas na profundidade do nosso ser.
O fardo mais pesado não é o que carregamos, mas a ilusão de que temos que carregá-lo sozinhos e sorrindo.
A luta mais solitária é aquela em que você precisa convencer a si mesmo de que ainda vale a pena resistir.
O tempo não cura, ele apenas te obriga a conviver com a ausência e a transformar a falta em presença interna.
A exaustão mental é o reflexo de um espírito que lutou em batalhas que nunca deveriam ter sido suas.
As lágrimas, rios que secaram. As dores, que foram companhias, morreram de velhice. Muitas amizades nasceram e delas só restaram lembranças... Mas eu, em meio a tudo isso, não mudo: sou ainda aquele menino assustado, caído nas pedras frias, nas águas turbulentas. Permaneço o garoto que não consegue subir sozinho o pedregal.
O passado é meu pesadelo, a obsessão que me rouba o sono. O cerne é que o incômodo não reside no que foi minha experiência, mas na amarga certeza de que isso me corrói por dentro. Afinal, mesmo que o tempo nos concedesse a volta, nesse labirinto irrecuperável, eu jamais teria o poder de alterar o que se consumou.
