Tiago Scheimann
Deus me ensinou a esperar, e o tempo me ensinou a confiar. Esperar com fé e confiar no tempo é aprender que cada estação traz sua lição e sua cura.
A alma em paz vale mais do que qualquer vitória. A paz interior supera vitórias ruidosas; ela é a moeda que comprova um coração reconciliado.
Já fui o fim de mim mesmo, e ainda assim recomecei. Recomeçar depois de se perder é prova de que o limite era apenas um mapa, não sentença.
O amor é oração quando a boca se cala, no peito, o pedido vira ponte e passo, sentir atravessa o desejo e a graça, assim o coração faz igreja silenciosa.
Fui ferido por caminhos que me levaram à cura, cada estrada com dor ensinou um remédio, o atalho que fere traz lição e sentido, aprendi que toda rota guarda um aprender.
Deus tirou-me do caos e deixou lembrança,
essa memória vira gratidão que não some,
o passado me lembra onde cresci e renasci,
gratidão vira mapa do meu novo começo.
Andei sozinho, mas tinha direção, a bússola interior guiou cada passo, sozinho, ouvi melhor minha fé e rumo, aprendi a andar com coragem e sentido.
A fé é abraço invisível que sustenta, quando os braços humanos já não alcançam, esse abraço segura e faz seguir, basta sentir que não estamos sozinhos.
Ás vezes a alma não pede respostas, pede descanso, dar-se pausa é escolha de sabedoria, no silêncio a força volta a nascer, descansar é preparar-se para recomeçar.
Fui forjado na dor, temperado na fé, a dor moldou, a fé deu resistência, tornei-me aço que aprende a se curvar, não quebro, aprendi a seguir.
Perdi a esperança, reencontrei na manhã, a primeira luz trouxe novo ponto de apoio, até a noite mais longa se dobra ao sol, a esperança volta com cada amanhecer.
O amor não me salvou, mas ensinou a ser salvo, receber afeto foi aprender a aceitar ajuda, não carreguei tudo sozinho, deixei entrar cuidado, assim aprendi a ser inteiro outra vez.
Por meio das lágrimas, Deus reescreveu minha história, o sofrimento tornou-se tinta que autenticou minhas palavras.
Cada erro me empurrou para um aprendizado, o tropeço mostrou o caminho que o acerto não dá, aprendi com falhas o rumo que preciso seguir, valor há em cada queda que nos ensina.
Venci sem aplausos e descobri meu valor, o reconhecimento do mundo não me define, no silêncio da vitória encontrei medida, minha força veio de dentro, não do som.
A fé me fez atravessar pontes que a razão derrubou, caminhei onde a lógica dizia que não dava, acreditar abriu passagens que só a fé vê, atravessei e encontrei terra firme de novo.
Guiado pelo perdão, a amargura cessou quando o perdão veio, perdoar deu mapa onde a raiva cegava, assim me encontrei e pude seguir.
Foi preciso espaço para a minha reconstrução, nos remendos, aprendi a humildade do ser. Acabei moldado em meu próprio formato, inteiro.
Um dia fui queda, hoje sou voo atento. Aprendi o chão antes de conhecer o céu. O cuidado me deu outro modo de subir, voo lento, mas sigo certo do meu destino.
O amor amadurece quando a presença vence a promessa, ser todos os dias vale mais que palavra vazia, o compromisso diário constrói confiança, presença é prova que o amor permanece.
Fui silêncio por fora, grito por dentro e sobrevivi, as vozes internas pediram tempo e escuta, no autocuidado encontrei voz que acolhe, sobrevivi e cresci com minha verdade.
Deus não muda os planos, muda o coração, quando o íntimo se ajusta, tudo se rearranja, transformação interna rende frutos melhores, mudar por dentro é novo começo vivo.
Chorei diante do impossível, e ele cedeu, o pranto abriu espaço para o talvez, a persistência das lágrimas ganhou caminho, o impossível se curvou ao desejo fiel.
A alma exausta anseia serenidade, não provas, se extinga o ardor, conceda-se o direito ao descanso. Serenidade não é ensaio perpétuo nem estandarte de guerra, é abrigo, enseada onde o peito aprende a habitar. Permita à alma respirar, ela se recompõe em silêncio, remenda as fendas com dedos de linho, rega o próprio húmus. E, quando enfim abrir as asas, será voo comedido e seguro. um erguimento que aprendeu o peso da terra e a doçura do remanso.
