Sandro Sansão
ANTES E AGORA
Houve um tempo de passos demorados,
de pensamentos sobre a imensidão,
onde os gestos eram bem cuidados
e amadureciam na reflexão.
O antes tinha sonhos compassados,
tecidos pela mão da intenção;
colhia-se o saber dos dedicados
caminhos da paciente construção.
Agora, na rapidez dos segundos,
surgem atos ligeiros neste mundo,
sem raízes além da aparência.
Perde-se, às vezes, o valor da espera,
na veloz passagem desta era,
ofuscando o brilho da experiência.
Sandro Sansão da Silva Costa
Enfim Casados!
Enfim, o repouso
Tão merecido ao teu lado.
Como é bom
Contigo estar casado.
Desfrutar do desejo,
Teu presente sagrado.
Sou mesmo este homem?
Tu me fazes sentir honrado.
Não quero farra,
Não quero nada;
Quero apenas estar
Ao teu lado.
Não me sinto casado,
Sinto-me um eterno
Enamorado.
Sandro Sansão da Silva Costa
DÚVIDA!..
De repente,
busquei as cores,
vi que são muitas,
assim como os amores.
Tantas que me encantam,
tantas e tantas mais;
muitas são
e a cena se refaz.
As cores, aos montes,
aparecem diante do olhar.
Fico na dúvida,
fico a pensar.
De repente,
novamente,
vejo-me aqui,
igual a você,
sem sair do lugar.
Sandro Sansão da Silva Costa
CONSELHO
Lendo,
entendendo,
compreendendo,
ninguém
nasce
sabendo.
Busque,
mude-se,
informe-se.
Aja
com
sabedoria.
Fuja
dessa
rotina.
Se conselho
fosse
bom,
encontraria
todo
dia
em
cada
esquina.
Escute,
ouça,
escolha
o caminho
bom
e siga.
Não
pare
nunca.
Quem
acredita
alcança
essa
única
esperança:
levantar,
sonhar,
viver.
Assim
deveria
ser.
Sandro Sansão da Silva Costa
Escrito ou não Escrito?
A palavra escolhida,
como uma flor colhida,
brota em nosso ser,
toma um banho de luz
e começa a florescer.
Ao surgir o dia,
um orvalho a escorrer
cai no chão.
Do poeta?
Do mundo?
Do profundo?
Da solidão?
Ou da pura e fiel emoção
de um poema que nasce,
floresce,
permanece
dentro do seu,
do meu,
do nosso
coração.
Sandro Sansão da Silva Costa
Brincar e Ser Feliz
Na janela do meu olhar,
o tempo passa a brincar,
e a infância, sem esforço,
volta inteira a me visitar.
Crio brinquedos de pensamento,
feitos de sonho e imaginar,
onde o riso vira alimento
e a alma aprende a voar.
Sou menino arteiro,
do não esquecido e perdido,
brinco no tempo sem me prender,
sou feliz no que é vivido.
Sandro Sansão da Silva Costa
Aceitas o Meu Coração?
Não possuo riquezas.
Aceitas o meu coração?
Trago no rosto a simplicidade,
mas na alma carrego emoção.
Não tenho terras nem patrimônio,
tenho amor,
tenho paixão.
Pergunto outra vez:
aceitas o meu coração?
Viver a verdade inteira do afeto,
sem cálculos, sem explicação,
talvez seja este o teu dilema:
abraçar a abundância dos bens
e seguir apenas a razão,
ou guardar para sempre distante
o amor que pede abrigo,
sem condenação.
A mais rara joia do mundo
não reluz em ouro nem em prata;
permanece silenciosa,
guardada em meu coração.
Não possuo riquezas,
meu amor.
Tenho apenas um tesouro:
ofereço-te
o meu coração.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
ACEITAS OU NÃO ACEITAS?
Aceitas ou não aceitas meu querer,
meu coração repleto de paixão?
Trago um amor que insiste em florescer,
feito luz acesa na escuridão.
Não tenho ouro, prata ou riqueza,
apenas um sentir de alma-florida;
um bem-querer tecido com pureza,
uma esperança viva e colorida.
Se não aceitas, sigo o meu caminho,
com a dor silenciosa da partida;
guardando o teu nome bem sozinho.
Mas, se aceitas, muda o meu destino,
e o nosso amor, de sonho iluminado,
fará do tempo um verso cristalino.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
MISTÉRIO DE UM OLHAR
O que traz o teu olhar?
Mistério,
beleza,
paixão.
Será que o teu brilho
tem alguma explicação?
Um olhar
é apenas um olhar?
Meu coração diz que não.
O olhar revela segredos,
traduz a alma
em silenciosa expressão.
Os poetas percebem
o que foge à razão;
encontram, num simples olhar,
a mais pura inspiração.
Um olhar...
teu olhar...
simples assim.
Ganhou
minha admiração,
conquistou
meu coração.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
PÓLEN DE ENCANTO
Como o beija-flor
que visita a flor
ao entardecer,
trazes no voo
o pólen da esperança
que me faz renascer.
Teus beijos,
doces como a brisa,
ensinam meu coração
a florescer.
Viajo em teus desejos,
em teu olhar encantador,
deixando o tempo acontecer
no jardim do amor.
Entre silêncios e carícias,
guardo o teu encanto,
feito luz serena
a me acompanhar.
E assim sigo,
de sonho em sonho,
do entardecer
até o amanhecer,
esperando o retorno
desse beija-flor,
que leva saudade
e traz flores de amor.
Sandro Sansão da Silva Costa
CORAÇÃO
Ah, coração carente,
sai pela rua, inconsequente,
abre-se aos sorrisos eloquentes.
Pobre de mim,
pobre da gente.
O coração sente,
dói no peito,
como rio fluente.
Despeja na vida
sua parte amada
e também sofrida.
Em busca de aventura,
em busca de você,
segue seu rumo,
meio sem prumo.
Vai ao mar das emoções
que nos espera,
à sua espera.
Meu coração.
Sandro Sansão da Silva Costa
MEU RUMO
Ah, coração carente, sem ti perdido,
pela rua da saudade vai sozinho,
buscando em cada olhar algum carinho,
num sonho pela ausência consumido.
Quando estás longe, segue sem sentido,
meio sem prumo, procurando o caminho,
e a casa, em silêncio, faz seu ninho
num peito pela dor entristecido.
Mas ao te ver abrir a velha porta,
minha vida faz alegre reviravolta,
e o coração desperta para a emoção.
Rio fluente de aventura e esperança,
que ao mar dos sentimentos sempre avança,
levando até você meu coração.
Sandro Sansão da Silva Costa
CONFISSÃO DO SENTIR
Dentro desse sentir,
aprendo a seguir,
deixo a emoção conduzir
os passos do meu existir.
Confesso com os olhos
o que a voz não alcança dizer,
e guardo no coração
razões para viver.
Procuro não desapontar
quem me oferece afeição,
pois o carinho verdadeiro
merece dedicação.
E quando o tempo silencia
seus passos pelo caminho,
renovo o amor da vida
com esperança e carinho.
Assim sigo,
entre sonhos e emoção,
fazendo de cada instante
uma nova celebração.
DESBRAVADOR
Naveguei
pelo mar do teu sorriso.
Desembarquei
no porto seguro
do teu coração.
Minha missão:
por ti me apaixonar.
Felizes são todos aqueles
que podem desbravar
os caminhos do amor.
MANHÃ DE PRIMAVERA
Sempre bela,
a primavera em flor
ilumina esta manhã.
Com vento suave,
perfumes se exalam
por entre seus passos.
Parece até que falam
palavras de amor
ao meu coração.
Cores, flores,
ventos e amores
colorem a vida
e nos enchem de esperança.
Como aquela criança
que corre e se deita,
plenamente feliz,
neste jardim.
Sandro Sansão da Silva Costa
REVELAR
Há de ser eterno,
como o brilho das estrelas
e a luz suave do luar.
Teus olhos vêm me falar
sobre o amor,
que, assim como o universo,
um dia há de se revelar.
Sandro Sansão
SENTIR E REVELAR
Sinto a intensidade da alma no olhar,
como a luz do luar sobre o universo;
o coração me diz para esperar,
mas sigo em teu doce brilho imerso.
Sinto a energia do peito fluir,
como estrelas em eterna claridade;
não há mais jeito de fugir,
teu olhar revela a verdade.
Há de ser eterno este sentir,
como o amor que vem do coração;
estrelas e luar parecem sorrir.
Calma... diz a voz da emoção.
E o universo começa a se abrir,
revelando o amor em nosso coração.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
MOTIVO
Não tenho motivo algum para ser triste.
Não tenho motivo algum para me aborrecer.
Tive tempo de sobra para crescer, aprender e amadurecer.
Não preciso de motivo.
Basta acordar todas as manhãs
e seguir em frente.
Não nascemos para ficar parados,
mas para caminhar pela vida,
renovando os passos e os sonhos a cada dia.
MOTIVO DO RECOMEÇO
Não tenho motivo para me aborrecer,
tive tempo de aprender e amadurecer;
a alma sente, o coração quer explicar,
mas há uma força que insiste em caminhar.
Entre perguntas que a vida recolheu,
procuro entender o que aconteceu;
pelos caminhos guardados na emoção,
segue o sentir dentro do coração.
Teu doce olhar permaneceu em meu viver,
como energia acesa dentro do peito;
fazendo o sentimento acontecer.
A cada manhã, seguir em frente é o jeito;
a vida recomeça e volta a viver,
pois o amor encontrou em mim seu jeito.
Sandro Sansão da Silva Costa
Crônica
Campeonato Nacional da Sobrevivência
Se o brasileiro colocasse na política metade da paixão que coloca no futebol, talvez o Congresso tivesse comentarista esportivo, VAR e até torcida organizada fiscalizando votação.
Imagine a cena:
— Foi pênalti ou não foi?
— Não sei. Mas a reforma tributária passou sem ninguém perceber.
Enquanto isso, milhões de especialistas em escalação discutem durante semanas se o lateral deveria jogar mais avançado, mas não sabem o nome do vereador que ajudaram a eleger.
No futebol, o cidadão conhece a tabela de cor, a artilharia completa, os cartões recebidos, os confrontos históricos e até a previsão de chuva para o dia da partida.
Já na própria carreira...
— Como está seu plano para os próximos cinco anos?
— Que plano?
— O profissional.
— Ah... achei que você estava falando do campeonato.
E assim segue a vida.
O brasileiro acorda cedo, enfrenta ônibus lotado, trânsito engarrafado, fila, burocracia, boleto, carnê, prestação, taxa, imposto e mais uma coleção de surpresas que parecem surgir diretamente da criatividade nacional.
Trabalha de segunda a segunda para, no final do mês, descobrir que o salário entrou na conta apenas para fazer uma visita rápida.
Mal chega e já vai embora.
As contas fazem festa.
O dinheiro nem participa.
Mas seria injusto dizer que o povo vive apenas de sofrimento.
O brasileiro possui uma habilidade rara: consegue fabricar felicidade com matéria-prima quase inexistente.
Faz churrasco com pouco carvão.
Faz festa com pouco dinheiro.
Faz amizade na fila.
Faz piada da própria desgraça.
E quando a vida aperta, ainda encontra força para sorrir.
Talvez seja por isso que os governantes gostem tanto de oferecer distrações. Afinal, um povo entretido reclama menos.
Desde os tempos antigos existe uma fórmula famosa: pão e circo.
Por aqui, às vezes falta o pão, mas o circo nunca atrasa.
Quando não é futebol, é novela.
Quando não é novela, é reality show.
Quando não é reality show, aparece alguma polêmica da semana para ocupar a mente de todo mundo.
Enquanto isso, os anos passam silenciosamente.
Os cabelos embranquecem.
Os sonhos envelhecem.
As prestações se multiplicam.
E a aposentadoria parece um personagem de ficção.
Ainda assim, existe algo admirável nisso tudo.
Mesmo carregando dificuldades que derrubariam muita gente, o brasileiro continua acreditando no amanhã.
Continua ajudando o vizinho.
Continua dividindo o pouco que tem.
Continua encontrando beleza nas pequenas coisas.
No café compartilhado.
Na conversa da calçada.
No gol marcado aos quarenta e cinco do segundo tempo.
No abraço sincero.
Na família reunida.
Talvez a verdadeira riqueza nunca tenha estado nas contas bancárias.
Talvez ela esteja justamente nessa capacidade extraordinária de sobreviver sem perder completamente a alegria.
Mas confesso uma coisa.
Se um dia o brasileiro resolver acompanhar sua educação, sua profissão e a política com a mesma paixão que acompanha uma final de campeonato, o mundo inteiro vai precisar rever seus conceitos.
Porque aí deixaremos de disputar apenas a taça da sobrevivência.
E passaremos a jogar a grande final do desenvolvimento.
Até lá, seguimos em campo.
Entre boletos e esperanças.
Entre trabalho e sonhos.
Entre migalhas e sorrisos.
Porque desistir nunca foi o esporte favorito do brasileiro.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
Crônica
O Grande Teatro das Aparências
Vivemos tempos curiosos.
Nunca se falou tanto sobre verdade, e talvez nunca ela tenha sido tão evitada.
As pessoas dizem que querem sinceridade, mas apenas enquanto ela concordar com suas opiniões. Basta uma palavra contrariar seus desejos para que a verdade se transforme em ofensa, preconceito, intolerância ou qualquer outro rótulo conveniente.
O mundo moderno parece ter desenvolvido alergia ao contraditório.
Todos querem liberdade de expressão, desde que a expressão seja exatamente igual à sua.
As falsas promessas continuam circulando com excelente saúde. Mudam os rostos, mudam os discursos, mudam as embalagens, mas o conteúdo permanece praticamente o mesmo.
Prometem prosperidade.
Prometem justiça.
Prometem igualdade.
Prometem felicidade.
E o povo continua esperando a entrega de uma encomenda que parece extraviada há décadas.
As amizades também entraram na era da aparência.
Há quem possua milhares de seguidores e não encontre uma única pessoa para carregar suas dores quando a vida pesa.
São amizades de fotografia.
Companheiros de curtidas.
Irmãos de ocasião.
Presenças digitais e ausências reais.
Basta a tempestade chegar para que muitos desapareçam com a velocidade de um sinal de internet mal conectado.
E o que dizer dos costumes?
Houve um tempo em que honestidade era motivo de orgulho.
Respeitar os pais era virtude.
Cumprir a palavra era questão de honra.
Ser educado era demonstração de caráter.
Hoje, por vezes, quem procura andar corretamente parece carregar uma estranha culpa social.
A esperteza recebe aplausos.
A vulgaridade ganha visibilidade.
A superficialidade conquista admiradores.
E a integridade, muitas vezes, é tratada como ingenuidade.
Mas talvez uma das maiores contradições esteja justamente no campo da fé.
Não falo da fé sincera, que transforma vidas silenciosamente.
Falo do espetáculo religioso.
Da religião que se veste para ser vista.
Do discurso que emociona, mas não pratica.
Do irmão que abraça dentro do templo e ignora o necessitado na calçada.
Do fiel que conhece versículos inteiros, mas esqueceu o significado da compaixão.
Há quem vá à igreja não para ouvir aquilo que precisa escutar, mas apenas aquilo que deseja ouvir.
Não quer correção.
Não quer reflexão.
Não quer mudança.
Quer conforto.
Quer aprovação.
Quer sair convencido de que já está tudo certo.
Enquanto isso, o andarilho continua sentado na esquina.
O idoso continua abandonado.
A viúva continua esquecida.
E o órfão continua esperando alguém colocar em prática aquilo que foi tão bem pregado no domingo.
Chega-se ao culto com roupas impecáveis.
Sapatos brilhando.
Perfume importado.
Palavras cuidadosamente escolhidas.
Tudo muito limpo.
Tudo muito elegante.
Tudo muito correto.
Mas ao retornar para casa e retirar a roupa social, permanece uma pergunta silenciosa diante do espelho:
Quem limpa a alma?
Porque o banho remove a poeira do corpo.
Mas não lava a vaidade.
Não remove a hipocrisia.
Não elimina a indiferença.
Não apaga a falta de amor.
Do lado de fora, a televisão continua fabricando celebridades.
Nas redes sociais, surgem influenciadores que muitas vezes não influenciam sequer a própria existência.
Filmam o café.
Filmam o almoço.
Filmam a academia.
Filmam a viagem.
Filmam a própria filmagem.
E assim seguem registrando a vida sem necessariamente vivê-la.
Parece que o valor das pessoas já não está naquilo que são, mas naquilo que conseguem exibir.
A aparência tornou-se currículo.
A exposição virou moeda.
A vaidade recebeu status de virtude.
E a consciência foi sendo colocada discretamente em segundo plano.
Nesse cenário, a família perde espaço.
Os pais perdem voz.
Os costumes perdem significado.
Os princípios perdem valor.
E o silêncio da consciência vai sendo abafado pelo barulho constante de um mundo que nunca desliga.
Às vezes me pergunto para onde estamos indo.
Talvez a pergunta mais importante seja outra:
O que estaremos deixando para aqueles que virão depois de nós?
Mais seguidores?
Mais imagens?
Mais distrações?
Ou algum legado que realmente valha a pena?
Enquanto não encontramos a resposta, seguimos caminhando entre promessas e aparências, tentando distinguir o verdadeiro do falso, o essencial do supérfluo, a fé da encenação, a amizade do interesse e a consciência da conveniência.
Que Deus tenha misericórdia de nós.
E, mais do que isso, que nos conceda discernimento para não confundirmos brilho com luz, fama com valor, aparência com caráter e religião com amor ao próximo.
Porque, no final das contas, não será a fotografia perfeita que contará nossa história.
Será aquilo que fizemos quando ninguém estava olhando.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
O País do Amanhã Que Nunca Chega
O brasileiro é uma criatura fascinante.
Possui sonhos grandiosos, planos extraordinários e uma habilidade impressionante de adiar ambos para a próxima segunda-feira.
Quer a casa própria.
Quer o carro novo.
Quer viajar.
Quer empreender.
Quer mudar de vida.
Quer aprender outro idioma.
Quer emagrecer.
Quer economizar.
Quer investir.
Quer tudo.
Só não quer, às vezes, o compromisso diário que transforma desejo em conquista.
Existe uma diferença enorme entre querer possuir algo e querer construí-lo.
Muitos desejam a colheita.
Poucos se apaixonam pelo plantio.
E assim seguimos vivendo no país do "depois eu vejo", do "semana que vem eu resolvo" e do famoso "deixa comigo", que normalmente significa exatamente o contrário.
A enrolação tornou-se quase um patrimônio cultural.
Há quem passe mais tempo explicando por que não fez do que realmente fazendo.
E o curioso é que essa mania não prejudica apenas a pessoa.
Ela atinge a família, o trabalho, o sistema e, de certa forma, a própria nação.
Afinal, um país não é feito apenas por governos.
É feito também pelos hábitos de quem o habita.
Mas talvez a parte mais engraçada seja o discurso moral.
O brasileiro adora falar de honestidade.
Principalmente quando o assunto é a honestidade dos outros.
Critica a corrupção em Brasília enquanto procura um jeito de não emitir nota fiscal.
Indigna-se com os desvios milionários enquanto assiste televisão por uma ligação clandestina.
Condena os políticos por esconderem patrimônio enquanto mantém um dinheiro reservado que nem a esposa conhece.
Fala sobre transparência, mas possui segredos suficientes para preencher um arquivo inteiro.
Alguns levam uma vida matrimonial.
Outros levam uma vida paralela.
E há aqueles que conseguem administrar duas ou três versões de si mesmos ao mesmo tempo.
Uma verdadeira empresa de personalidade limitada.
O mais curioso é que todos conhecem a solução para os problemas do país.
Pergunte em qualquer esquina.
O especialista surgirá imediatamente.
Resolverá economia, educação, segurança, saúde e relações internacionais em menos de quinze minutos.
Mas quando chega a hora de organizar o próprio guarda-roupa, a consultoria encerra suas atividades por tempo indeterminado.
Existe também uma paixão nacional por observar a vida alheia.
O gramado do vizinho é sempre assunto.
A pintura da casa ao lado.
O carro novo da rua.
A promoção do colega.
O casamento dos outros.
Tudo desperta interesse.
Enquanto isso, o próprio quintal continua esperando uma limpeza prometida desde o verão passado.
E reclamar...
Ah, reclamar talvez seja o esporte mais praticado do país.
Se faz calor, o sol exagerou.
Se chove, a chuva não dá trégua.
Se esfria, o inverno passou dos limites.
Se melhora, certamente há algo suspeito acontecendo.
Nada parece suficientemente bom.
Ao mesmo tempo, pouco é feito para melhorar aquilo que está ao alcance das próprias mãos.
E quando finalmente realiza algo positivo, por menor que seja, inicia-se outra tradição nacional.
A divulgação.
O anúncio.
A cerimônia.
A autopromoção.
O cidadão troca uma lâmpada e quase espera receber uma medalha por serviços prestados à humanidade.
— Viu o que eu fiz?
— Percebeu minha contribuição?
— Notou meu esforço?
E assim, aquilo que deveria ser um gesto simples transforma-se em um documentário de longa duração.
Os anos passam.
As promessas envelhecem.
Os planos acumulam poeira.
As desculpas ganham experiência.
A esposa se cansa de ouvir que tudo mudará no próximo mês.
Os filhos crescem escutando projetos que nunca saem do papel.
Às vezes o casamento termina.
Às vezes a paciência termina antes.
Mas certas manias permanecem firmes e fortes.
O discurso continua.
As justificativas continuam.
As reclamações continuam.
As promessas continuam.
E o amanhã segue lotado de intenções que jamais chegam ao presente.
Talvez por isso o brasileiro seja, ao mesmo tempo, motivo de preocupação e de admiração.
Preocupação pelas oportunidades desperdiçadas.
Admiração pela capacidade de continuar acreditando que tudo pode melhorar.
Mesmo quando insiste em repetir exatamente os mesmos hábitos.
No fundo, somos um povo que sonha grande, trabalha muito, reclama bastante, improvisa demais e muda menos do que promete.
Talvez a verdadeira transformação comece no dia em que passarmos menos tempo observando os erros do mundo e mais tempo corrigindo os nossos.
Porque nenhum país se torna melhor apenas apontando defeitos.
Mas pode começar a melhorar quando cada cidadão resolve limpar o próprio quintal antes de fiscalizar o jardim do vizinho.
Até lá, seguiremos fazendo planos para segunda-feira.
Mesmo sabendo que hoje já é quinta.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
A Sala de Aula do Mundo Moderno
Outro dia me peguei pensando em como a escola mudou.
Não falo apenas das lousas digitais, dos computadores, dos aplicativos ou dos celulares que hoje parecem extensão das mãos dos alunos.
Falo das pessoas.
Dos comportamentos.
Das responsabilidades.
E, principalmente, da forma como passamos a enxergar educação.
Pertencente a uma geração que aprendeu que nem sempre a vida diria "sim", confesso que às vezes me sinto um turista perdido visitando o admirável mundo novo.
Hoje tudo parece delicado.
Tudo parece urgente.
Tudo parece motivo para preocupação.
Uma palavra mal colocada vira trauma.
Uma crítica vira perseguição.
Uma cobrança vira opressão.
Um conselho vira ofensa.
E o simples ato de contrariar alguém pode ser interpretado como um atentado contra a felicidade universal.
Não estou dizendo que os problemas emocionais não existam.
Eles existem.
E merecem atenção, respeito e tratamento sério.
Mas também me pergunto se, em alguns casos, não estamos transformando dificuldades normais da vida em diagnósticos automáticos.
A tristeza virou doença.
A frustração virou síndrome.
A ansiedade virou identidade.
E a responsabilidade, curiosamente, parece ter desaparecido da conversa.
Muitos pais, sobrecarregados pelas próprias rotinas, acabam transferindo para a escola funções que antes pertenciam à família.
Esperam que a escola eduque.
Ensine limites.
Corrija comportamentos.
Resolva conflitos.
Forme caráter.
Desenvolva valores.
Enquanto isso, o professor recebe mais uma missão para sua coleção já bastante extensa.
Porque o professor moderno não é apenas professor.
Ele é educador.
Mediador.
Conselheiro.
Psicólogo informal.
Assistente social improvisado.
Pacificador de conflitos.
Especialista em tecnologia.
Preenchedor de relatórios.
Participante de reuniões.
Executor de projetos.
E, quando sobra algum tempo, tenta ensinar a matéria.
A escola de antigamente tinha seus defeitos.
Muitos.
Mas existia uma compreensão mais clara sobre papéis e responsabilidades.
Hoje, frequentemente, o professor precisa justificar uma nota, uma advertência, uma cobrança e até mesmo uma orientação pedagógica.
A autoridade tornou-se suspeita.
A disciplina tornou-se questionável.
E a exigência acadêmica muitas vezes parece competir com uma cultura que valoriza resultados rápidos sem esforço proporcional.
O mais curioso é que aqueles que raramente entram numa sala de aula costumam ter opiniões muito firmes sobre o trabalho de quem está lá todos os dias.
— Professor reclama demais.
— Tem muitas férias.
— Trabalha poucas horas.
Quem diz isso normalmente vê apenas o horário da aula.
Não vê as correções.
Não vê os planejamentos.
Não vê os relatórios.
Não vê os cursos.
Não vê as formações.
Não vê as noites preparando atividades.
Não vê os finais de semana organizando conteúdos.
Não vê a exaustão silenciosa acumulada ao longo dos anos.
E, principalmente, não vê o desgaste emocional.
Porque ensinar nunca foi apenas transmitir conhecimento.
Ensinar é lidar diariamente com expectativas, conflitos, desafios e realidades completamente diferentes.
Há professores que chegam em casa carregando problemas que não cabem nos livros didáticos.
Problemas de alunos.
Problemas de famílias.
Problemas do próprio sistema.
Falando em sistema, este merece um capítulo especial.
A cada ano surgem novas plataformas.
Novos formulários.
Novos procedimentos.
Novas exigências.
Novas metas.
Novas estatísticas.
Novos indicadores.
Parece que tudo muda.
Exceto aquilo que realmente deveria melhorar.
E assim o professor segue.
Preenchendo documentos.
Participando de reuniões.
Atualizando sistemas.
Respondendo questionários.
Enquanto tenta encontrar espaço para aquilo que deveria ser o centro de tudo: ensinar.
O resultado é um profissional cada vez mais cansado.
Mais pressionado.
Mais responsabilizado.
E, muitas vezes, menos valorizado.
Ainda assim, algo impressionante acontece.
Apesar de todas as dificuldades, milhares de professores continuam entrando em sala de aula todos os dias.
Continuam acreditando.
Continuam tentando.
Continuam explicando pela décima vez o mesmo conteúdo.
Continuam incentivando quem quer aprender.
Continuam estendendo a mão para quem precisa.
Continuam lutando contra a maré.
Talvez porque saibam de uma verdade simples.
Sem professores não existem médicos.
Não existem engenheiros.
Não existem advogados.
Não existem cientistas.
Não existem administradores.
Não existem governantes.
Não existe profissão alguma.
Todas passam primeiro pela carteira de uma sala de aula.
Por isso, quando alguém pergunta se ainda existe solução para a educação, respondo que sim.
Mas ela não nascerá de um único decreto, de uma nova plataforma ou de mais um discurso otimista.
Ela surgirá quando família, escola, sociedade e governo compreenderem que educar é uma responsabilidade compartilhada.
Até lá, o professor continuará fazendo o que sempre fez.
Entrará em sala.
Respirará fundo.
Abrirá o diário.
Preparará a aula.
E seguirá tentando iluminar caminhos.
Mesmo quando o próprio caminho parecer cada vez mais escuro.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
Entre Algoritmos e Silêncios Humanos
A modernidade chegou sem bater na porta.
Entrou, se acomodou e começou a reorganizar tudo como se sempre tivesse sido a dona da casa.
Agora ela atende pelo nome de inteligência artificial.
Pensa rápido.
Responde mais rápido ainda.
Escreve, calcula, cria, sugere, corrige, aconselha e, em muitos casos, até parece entender aquilo que o próprio ser humano já não sabe mais explicar.
E o homem, curioso como sempre, ficou olhando esse espelho novo.
Primeiro com desconfiança.
Depois com encantamento.
E agora com uma mistura perigosa de dependência e admiração.
Mas no meio dessa era acelerada, algo estranho começou a acontecer.
Quanto mais as máquinas falam, mais algumas pessoas se calam.
Não porque não tenham o que dizer.
Mas porque começaram a escolher cuidadosamente onde ainda podem ser humanas sem serem julgadas.
Existe hoje uma espécie de cidadão invisível.
Ele trabalha.
Ele pensa.
Ele sente.
Ele observa.
Mas fala pouco.
Muito pouco.
Não porque seja vazio, mas porque aprendeu que cada palavra pode virar sentença.
No mundo digital, tudo é opinião imediata.
Tudo é análise instantânea.
Tudo é julgamento em tempo real.
E a verdade, quando aparece sem filtro, costuma incomodar mais do que esclarecer.
Por isso muitos preferem o silêncio.
Outros preferem a máscara.
E há aqueles que vivem divididos entre o que são e o que precisam parecer ser.
Enquanto isso, a inteligência artificial avança.
Organiza o caos.
Simplifica o complexo.
Responde o que ninguém quer pensar com profundidade.
E, de certa forma, começa a ocupar o espaço que antes era reservado às conversas demoradas, aos debates de esquina, às reflexões imperfeitas, mas profundamente humanas.
O mundo moderno virou uma grande vitrine.
Todo mundo se mostra.
Poucos se revelam.
As redes sociais transformaram a vida em palco.
E o palco exige personagem.
Por trás das câmeras, porém, existe um ser humano cansado de interpretar.
Um pai que não sabe mais como educar sem ser questionado.
Uma mãe que tenta equilibrar tudo enquanto o mundo exige perfeição.
Um professor que ensina sob pressão de sistemas que mudam mais rápido do que a compreensão humana.
Um jovem que busca identidade em meio a diagnósticos, tendências e rótulos que aparecem e desaparecem com a mesma velocidade de uma notificação.
E todos, de alguma forma, dialogam com máquinas que parecem entender mais do que pessoas.
Mas será mesmo entendimento?
Ou apenas processamento eficiente de palavras?
Enquanto a tecnologia avança, cresce também um fenômeno silencioso.
O medo de ser julgado.
O medo de ser mal interpretado.
O medo de não se encaixar.
O medo de não parecer atualizado.
O medo de não estar “correto” segundo padrões que mudam o tempo todo.
E assim, muitos vão se recolhendo.
Se escondem em conversas curtas.
Em respostas neutras.
Em opiniões diluídas.
Em versões editadas de si mesmos.
A moralidade, que antes era vivida no cotidiano, agora muitas vezes é performada.
Há quem fale de valores com perfeição nas redes, mas não consiga praticá-los na vida real.
Há quem defenda respeito, mas não escute ninguém.
Há quem pregue empatia, mas não pare para olhar o outro na calçada.
O mundo ficou sofisticado na fala, mas às vezes pobre na prática.
E nesse cenário, a inteligência artificial surge como companhia confortável.
Não julga.
Não se ofende.
Não se cansa.
Não abandona.
Mas também não sente.
E é aí que mora a grande contradição.
Porque, ao mesmo tempo em que buscamos respostas perfeitas, sentimos falta das imperfeições humanas.
Da conversa sem filtro.
Da discordância sincera.
Do erro que ensina.
Do silêncio que acolhe.
Do olhar que entende sem necessidade de palavras.
As pessoas reais ainda existem.
Elas estão aí.
Nas casas simples.
Nos corredores das escolas.
Nos ônibus lotados.
Nas filas longas.
Nos trabalhos exaustivos.
Nas noites silenciosas em que ninguém vê.
Mas muitas delas estão escondidas.
Não por ausência.
Mas por proteção.
Proteção contra o julgamento.
Contra a exposição.
Contra a exigência de parecer sempre bem resolvido.
Contra um mundo que cobra presença constante, mas oferece pouca escuta verdadeira.
E assim seguimos.
Conectados com tudo.
Desconectados de muitos.
A inteligência artificial aprende com dados.
O ser humano aprende com dores.
A máquina responde em segundos.
O humano amadurece em anos.
A máquina não erra por emoção.
O humano, muitas vezes, só aprende porque errou sentindo.
Talvez o futuro não seja uma disputa entre homem e tecnologia.
Talvez seja um convite à reconciliação.
Um lembrete de que nenhuma máquina, por mais avançada que seja, substitui o valor de uma conversa genuína entre pessoas que ainda se permitem ser imperfeitas.
Talvez o verdadeiro desafio da modernidade não seja criar sistemas mais inteligentes.
Mas resgatar seres humanos menos escondidos.
Menos julgados.
Mais presentes.
Mais reais.
E quem sabe, no meio de tanta conexão digital, ainda sobre espaço para algo antigo e insubstituível:
A simples coragem de ser humano.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
O Retorno ao Essencial
No meio de tanto barulho moderno, algo curioso tem acontecido.
Enquanto o mundo corre, apita, notifica e exige respostas imediatas, há gente fazendo o caminho inverso.
Desliga o excesso.
Desacelera o passo.
E volta.
Volta para o campo.
Volta para o simples.
Volta para aquilo que não precisa de explicação sofisticada para fazer sentido.
O campo não tem pressa.
Ele não compete com ninguém.
Não disputa audiência.
Não busca curtidas.
Não precisa provar nada a ninguém.
Ali, o dia nasce devagar, como quem respeita o tempo das coisas.
O sol não acelera.
A chuva não pede licença.
O vento apenas passa, como sempre passou.
E a vida segue um ritmo antigo, quase esquecido pelos que vivem entre telas e notificações.
Curiosamente, muitos que viveram anos na correria das cidades estão começando a perceber algo que sempre esteve diante deles, mas nunca foi ouvido com calma:
a paz não está na velocidade, mas na ausência de pressa.
E assim, aos poucos, surgem histórias de pessoas que trocam o excesso pela essência.
Trocam o trânsito pelo silêncio.
Trocam a disputa pela convivência.
Trocam a necessidade de estar certo pela vontade de apenas estar em paz.
No campo, ninguém pergunta se você está vencendo ou perdendo na vida.
Pergunta-se se você dormiu bem.
Se a chuva veio na hora certa.
Se o milho nasceu.
Se o café está bom.
Se a tarde está tranquila.
A modernidade, por outro lado, parece ter transformado tudo em competição invisível.
Quem sabe mais.
Quem fala melhor.
Quem aparece mais.
Quem se destaca mais.
Quem responde mais rápido.
Quem produz mais.
Quem vive menos.
E no meio disso tudo, o ser humano vai se desgastando tentando acompanhar um ritmo que não foi feito para ele.
Talvez por isso o campo esteja chamando novamente.
Não com gritos.
Mas com silêncio.
Um silêncio que não cobra desempenho.
Um silêncio que não exige explicação.
Um silêncio que simplesmente acolhe.
Há algo profundamente libertador em não precisar estar certo o tempo todo.
Em não disputar cada opinião.
Em não transformar cada conversa em batalha.
No campo, a vida ensina outra lógica.
A terra não discute.
A semente não questiona.
A chuva não negocia.
Tudo apenas acontece no tempo certo.
E isso, por si só, já basta.
Enquanto isso, lá fora, a inteligência artificial responde perguntas, organiza ideias, escreve textos e resolve problemas em segundos.
Mas não conhece o cheiro da terra molhada depois da chuva.
Não conhece o som de um galho estalando no silêncio da manhã.
Não conhece o descanso de olhar o horizonte sem pensar em produtividade.
E talvez por isso, mesmo cercado de tecnologia, o ser humano comece a sentir falta de algo que nenhuma máquina consegue simular:
a simplicidade de existir sem ser avaliado o tempo inteiro.
No campo, as pessoas estão voltando a valorizar o que não se mede.
O café feito devagar.
A conversa na varanda.
O pôr do sol sem fotografia obrigatória.
O trabalho que cansa o corpo, mas alivia a alma.
A presença sem pressa.
A paz sem explicação.
Não se trata de fugir do mundo moderno.
Mas de não ser engolido por ele.
De usar a tecnologia sem ser usado por ela.
De viver conectado ao mundo, sem se desconectar de si mesmo.
Talvez o maior luxo da atualidade não seja ter mais.
Mas precisar de menos.
Menos barulho.
Menos disputa.
Menos aparência.
Menos urgência.
E mais vida de verdade.
Aqueles que voltam ao campo não estão necessariamente desistindo da modernidade.
Estão apenas escolhendo o que ela não conseguiu oferecer:
tranquilidade.
Equilíbrio.
Presença.
E uma forma mais leve de existir.
No fim, não importa tanto estar certo ou errado.
Nem vencer ou perder.
Nem aparecer ou desaparecer.
Importa apenas viver com o coração em paz.
E talvez seja isso que o campo, com sua simplicidade silenciosa, ainda ensina melhor do que qualquer outro lugar:
a vida não precisa ser uma disputa constante.
Ela pode ser apenas um lugar de descanso para a alma.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
