Ruben Baptista
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Ah, deixa-me entrar nessa alma tua,
Nesse jardim de espinhos e de rosas!
Sei que choraste noites dolorosas
Sozinha, à espera de uma luz que flua.
Foste sempre a que ama e que se entrega,
A que dá tudo e fica com o nada,
Três vezes desposada, e nenhuma amada
Como o teu peito, ardente, o exigia e nega.
E se não fosse assim tão fundo o teu tormento,
Se Apeles não te houvesse ido roubar
Metade do teu ser, do teu alento,
Talvez pudesses hoje, devagar,
Trocar o Veronal por um lamento
Dito em verso, e ficar, só para amar.
