Rosangela Calza
Pandemia
E eu continuo batendo na tecla de que o bom seria escrever só sobre o belo, o que nos alegra e conforta o coração, falar de coisas leves... das borboletas... das flores... de sons e sabores maravilhosos mas...
Os dias estão aí para mostrar que há o outro lado...
dias maus...
o mundo parece estar estilhaçado - já escrevi isso outro dia... parece que faz tanto tempo.... mas foi mais ou menos anteontem.
e quando escrevi pensei: o fim dos dias maus está logo aí...
e esse logo aí que não chega.
notícias de morte não param de chegar... Covid... mortes de causas naturais... acidentes... e, ainda, há aqueles que tiram vidas... como está comum isso. Não quero me acostumar a abrir o Whats de manhã e achar normal que mais alguém... ou mais alguéns se foram...
mas quem sou eu?
nesse Universo enorme... sou um pontinho tão pequenininho, só não sou invisível porque sou visível... mas me sinto invisível... e jogada de lá pra cá ao sabor das ondas... faz tempo que não sinto meus pés pisando o chão com segurança.
tanta coisa empacada. Até planos que eram tão comuns fazermos, hoje parece que não há lógica em fazê-los. Nossas vidas, nossas decisões, nossos futuros - nada está sob nosso controle.
na verdade sei que é meio ilusão achar que minha vida pode estar totalmente em minhas mãos... que quem tem bem forte preso nas mãos o timão sou eu... não é bem assim, né?
mas eu tinha a ilusão e isso já me ajudava bastante... ter ilusão... era um sentimento que me ajudava bastante... acho que isso é uma grande ilusão... também.
e fim... por hoje.
Cuide-se... use máscara... evite aglomerações... lave muito bem as mãos... e vamos que vamos ❤
Ah este amor
Ah este amor
Minha pepita de ouro.
Meu diamante raro.
Melodia mais pura.
Amor que a minha alma acalma.
Cessou a chuva.
Passou o inverno.
Os campos floriram.
"A vide em flor seu perfume exala."
Aroma de paz... eterno.
"Lírio entre espinhos.
Um saquitel de mirra..."
O meu amado é assim...
de eternidade a eternidade...
... só pra mim. ❤
Rosangela Calza... lendo Cântico dos Cânticos, de Salomão ❤
Todos os sonhos do mundo
Como Fernando Pessoa,
"tenho em mim todos os sonhos do mundo".
Vou fundo, não deixo pra lá,
não aceito: isso não dá.
Dá sim, vai por mim.
Tenho em mim toda a paciência do mundo
e acredito bem lá no fundo
que meu sonho me faz lutar
e que minha luta faz "todo o universo
a meu favor conspirar".
E você!?
Que sonhos tem?
Sonhos ainda tem?
Ou já perdeu a paciência...
e deixou de na vida acreditar?
Veja bem...
ou você tem...
ou alguém tem 😉
Prazer miserável
Há dias em que ele mergulha numa solidão miserável.
Não é justo o que este mundo injusto dele exige...
Ele merece mais, ele é tudo demais...
Por que tão pouco a vida de volta lhe traz!?
Fechado entre as quatro paredes do que é seu quarto,
Olha ao seu redor, nada do tudo que vê poderia ser pior...
A cama desarrumada...
... desdenhosa ri...
A cortina esvoaçante...
À meia luz...
A imagem que o seduz murmura provocante
Preso estás... só porque pro MEU prazer eu te prendi.
Amai-vos
"Amai-vos uns aos outros." Uma das frases mais lindas da Bíblia.
Exclusivamente o amor 'tem o poder de unir sem tirar a dignidade de outra pessoa, sem roubar seu próprio eu'.
Nos dias atuais a 'frase "amai-vos uns aos outros" adquire um sentido mais urgente: ou nos amamos ou morremos', diz Leo Buscaglia.
O mundo precisa ser unido... deixar de lado o desprezo pela vida humana... precisamos amar e servir nossos semelhantes... precisamos encontrar uma solução para o caos que aí está... e eu me arrisco a dizer que a solução é única e exclusivamente O AMOR.
Do que me resta
Da noite … as sombras.
Da chuva… o rio.
Do inverno… o frio.
Do vento… a brisa.
Do céu… um sol sombrio.
Do que me resta…
Do pouco que a vida me empresta…
Na janela uma fresta.
Do que me resta: esperar acabar a festa.
Nova estrada
Página virada.
Esperança por um fio.
No vácuo um vazio.
Segue meu rio.
Uma força que de mim emana.
Um sol que todo dia surge.
Perder o medo urge.
Um toque tocando o corpo carente.
Um abraço forte e comovente.
Página virada.
Segue-se por uma nova estrada.
Caminhos
Caminho sinuoso.
Caminho perigoso.
Vida lutas registra.
Não há paz à vista.
A dor se faz infinita.
Uma fresta na janela.
Um abismo vejo por ela.
Vencidos todos os medos.
Revelo os meus segredos.
Revejo o ponto de partida.
Escolho melhor ponto meridiano.
Reinvento-me na vida.
Dias amargos
Ligeireza.
Total falta de destreza.
Em meio ao mais completo caos…
Uma aceleração jamais interrompida.
Pausa.
Medo o futuro nos causa.
Limbo…
Um esperançoso aguardo…
Não quero mais dias amargos.
Pauso.
Recomeço.
Desfacelamento.
Viver é um eterno tormento.
Melhor rima
Amanheci na madrugada.
A lua ainda vagava pelos céus.
As estrelas pirilampavam.
Lá longe, trovões trovejavam.
Um relâmpago o céu risca.
As nuvens carregadas se aproximam.
Pego um papel e caneta…
No papel, deste momento, quero criar a melhor rima.
Poetizo-me.
Poetizo.
Faço o que for preciso para perfeitamente descrever o que está a acontecer.
A lua do céu desaparece.
As estrelas não vejo mais.
A chuva desagua caudalosamente…
Chuva que chegou tão de repente.
Da vidraça molhada vejo a rua pouco a pouco se transformar…
Pedras secas.
Agora por ela as águas de um rio estão a rolar.
Num segundo tudo pode se transformar.
Um rio que vira mar.
Futuro
Contra a vontade?
Fico em minha concha protegida.
Passa dia… passa noite.
Passa toda uma vida.
Protejo-me dos ventos…
Das tempestades, furacões tenho medo…
De todas as minhas dúvidas
nunca faço nenhum segredo.
Não é coragem o que me falta.
Isso não nego.
É que na maior parte das vezes a vida faz em mim um nó cego.
Amarrada ao passado fico.
Os olhos ardendo.
O corpo tremendo.
O que está à frente me causando medo.
É o futuro que sempre está um passo à frente…
Tento… tento.
Mas não o pego.
Pra você me guardei...
Na margem oposta
vejo que você aposta.
Esconde nas sombras uma dor.
Não quer mais saber de amor.
O rio corre para o mar.
Isso ninguém pode mudar.
Seu coração tão carente
Precisa de gente… urgentemente.
Um roçar de leve.
Um olhar suave.
Na margem de cá
Na hora certa… passo pra lá.
Do tempo
O tempo nunca desaparece.
O tempo não envelhece.
O tempo não é o que parece.
O tempo…
anoitece… amanhece.
O tempo…
é irreal.
As coisas é que têm começo, meio e ponto final.
O tempo não aparece.
Nem nunca desaparece.
O que é o tempo, afinal?
Força
Respira…
Deixa o tempo escorrer à vontade entre teus dedos.
Feche os olhos.
Descanse.
Quer desabar?
Desabe.
Deite no chão do quarto.
Às vezes a vida se assemelha um parto.
Chore.
Deixe as lágrimas rolarem.
Esvazie-se de suas agonias.
Desabar não é desistir.
Amanhã será outro dia.
Você poderá se reconstruir.
E, se precisar, de novo e de novo ruir…
Cambaleie… sem medo.
Não há julgamento.
Podes cair.
Tuas dores podes distrair…
Num mar profundo imergir.
Por um tempo da vista sumir.
Um novo eu podes sempre parir.
A morte de Ivan Ilitch, de Tolstói
A melhor coisa que comprei pra mim neste ano foi um Kindle e assinei o Kindle ilimitado.
Já li vários livros.
Ontem comecei a ler 'A Morte de Ivan Ilitch', novela de Tolstói. Quem me indicou foi minha neta. Quem indicou pra ela foi um professor... que, segundo ela, lê muuuuiiiito.
Ele disse pra ela que chorou quando terminou a leitura. Claro que foi o que me motivou a ler o livro... fiquei curiosa pra saber o que o fez chorar.
Já sei como termina, porque o autor faz o favor de contar quase no início... o fim.
Já li 75% do livro - tecnologia Kindle que diz quanto falta pra terminar um capítulo... quanto você já leu do livro todo... quando você liga está exatamente na página em que você parou de ler... enfim 😉
Aos 60% eu já havia entendido porque o professor da minha neta chorou. Não foi pelo que acontece com o personagem no fim, não... o que acontece com Ivan acontece com todo no mundo no fim... e o autor, como eu disse, já falou quase no começo o que acontece com Ivan... o título já diz 🙄 foram outras razões que trouxeram lágrimas aos olhos do professor... e eu não sou boba nem nada pra dar spoiler...
Claro que ainda há 15% do livro que podem me surpreender e ir por água abaixo o que tenho pensado que tenha feito o professor da Gi chorar... claro que posso chegar a um fim mais terrivelmente triste do que li até agora.. E não, não se engane.. a tristeza não está escrachada em fatos... a tristeza está entremeada em sentimentos e pensamentos de nosso personagem principal.
Talvez tenha algo mais no fim... mas eu só saberei mesmo no fim... por enquanto é isso.
Estranho
As palavras têm um gosto estranho.
Coloco-as no papel…
Quero de novo sentir nelas o gosto de mel.
O meu olhar cansado.
Meu coração machucado.
Os pés doídos.
Meu coração sofrido.
As palavras continuam com um gosto estranho.
Estranho!
As facas afiei
Parei um pouco.
Deixei de seguir este mundo louco.
Muitos espinhos encontrei pelo caminho.
Resolvi dar uma trégua.
Depois de ter andado mil léguas,
num mar de lama me afundei.
Cachoeira.
Em suas águas me banhei.
Até a alma lavei.
As facas afiei…
Mapas
Rasguei o mapa.
Agora qualquer caminho me serve.
Não tenho ponto de chegada.
Apenas sigo mais um dia por esta estrada.
Não quero o futuro desvendar.
Não quero placas pra me guiar.
Na dança da vida rodopio.
Não importa que esteja presa por um fino fio.
Se encontro um desvio, me desvio.
Sigo o leito do rio… ou não.
Sigo na mão.
Me perco na contramão.
Se precisar dou voltas.
Faço o caminho de volta.
Perco-me.
Encontro-me.
Nas esquinas da vida.
Sigo.
Entro em becos sem saída.
Deixo a vida me levar.
Deixo a chuva me lavar.
Deixo a vida me parir…
sem medos, sem dores
abismo profundo: eu sempre a cair… a cair…
no fundo, no fundo só vejo flores.
Minha palavra
Minha palavra dobrou a esquina.
O que tenho para dizer não cabe em um linha reta.
Tudo pra mim vira poesia.
O que acontece de noite.
E o que acontece de dia.
Minha palavra rola solta.
Atravessa a rua.
Veste-se… fica nua.
Minha palavra muda de calçada.
Voa… dá um nó.
Segue, falando só.
Por que voltou?
Não fez nada pra evitar
que triste eu fosse ficar.
Um dia partiu.
Meu coração partiu.
Estilhaçado,
chorou desesperançado.
Não fez nada pra evitar
uma dor que eu não queria sequer relembrar.
Meu maior castigo?
Não foi você partir…
Foi você voltar.
A caixa
Entrei mais uma vez em uma caixa.
Só que dessa vez não era uma caixa de brinquedos…
era uma caixa de escuridão.
Tateie por toda ela.
Demorei pra entender onde eu estava.
Adormeci.
O melhor a se fazer na escuridão é adormecer.
Dormi profundo.
Dormi até o fim do mundo.
E olha que a escuridão não tem fim.
Pobre de mim.
Escrevo
Escrevo.
Escrevo pra sobreviver de noites mal dormidas.
Narro meus dias.
Narro-os pra não me esquecer das tristezas nem das alegrias.
Conto sobre mim.
Conto sobre os outros.
Conto que os amores não são poucos.
Descrevo.
Descrevo o que os meus olhos veem.
Descrevo porque não quero que nada se apague de minha memoria.
Tão solúvel.
E os dias passam.
Alguns lentamente demais.
Outros tão normais.
escrevo pra sobreviver…
sobreviver a essas águas que querem pra sempre me varrer do mapa.
Escrevo pra tornar visível ese fio da minha vida.
Escrevo pra destatuar a dor da minha alma.
Escrevo pois só a escrita me acalma.
Do começo ao fim
E as coisas vão ficando para trás.
Vão sendo largadas pelo caminho.
Melhor assim…
Melhor caminhar sem pesos.
Mochila levinha.
Não, não perdes nada.
A vida é assim:
Coisas vão pasando.
Coisas novas vão chegando.
Tudo flui.
E assim do começo ao fim
Experiência
Acabou não sendo como querias…
E acabou…
Mas não deves pensar que fracassaste.
Fracassado terias se não tivesses feito.
Se tivesses deixado os braços cruzados.
Se tivesses deixado passar como se não existisse.
Fizeste.
Não saiu como querias…
Mas agora tens a experiência…
Sabes de algo que do contrário não saberias.
Tua mão
Sigo caminhando.
Passos leves.
Não tenho mais a arrogância de quem tem muito…
Nem a ansiedade de que quem pouco tem.
Sigo leve.
Miro um ponto à minha frente.
Nascente ou poente…
Não sei…
Só sei que há luz.
Em paz.
Aperto tua mão.
Tão suave ela me conduz .
