Raissa Peltz
Vivo em um novembro infinito
Perto do fim e evitando o começo
Repetidamente carregando esse peso
Uma ausência presente em mim
Frio que se propaga em meu peito lentamente
Olhos que já desistiram de chorar
Feita de uma porcelana rachada
Com medo de qualquer toque desajeitado
Recuando antes que aconteça
Evitando começos com medo dos finais
Construindo novas muralhas com minha ignorância
Afastando todos com meu jeito repugnante
Criando um mecanismo de defesa
Posso também ser um livro com páginas coladas
Das qual não se abrem pra serem lidas
Que preferem omitir oque sentem pra serem perfeitas
Sou aquela pessoa que corre pra casa no pôr do sol
Com medo da noite
Por mais que as estrelas me tentem, o escuro ainda me assusta.
Se eu sinto o vento eu fecho as janelas com medo da tempestade
Por mais que as gotas frescas me curem do meu deserto
Por mais que o vento limpe as folhas paradas
Após racharem minha porcelana polida
Todo toque me assusta
Todo balanço parece que precede a queda
