Raimundo Santana
Olá, mulher virtuosa,
encantadora perfeição da minha vida.
Teu sorriso ilumina caminhos
que eu nem sabia que existiam.
O teu charme é acalanto,
meiga calmaria que abraça a alma.
Doçura que chega de mansinho
e transforma qualquer dia em paz.
Em você eu me reconheço melhor,
aprendo a ser leve, a ser inteiro.
Sou homem feliz quando te tenho,
abençoado por caminhar ao teu lado.
Te amar não é pressa,
é certeza que cresce no silêncio.
É olhar o futuro sem medo
e agradecer a Deus por você existir.
Se a vida é poesia,
você é o verso mais bonito.
E eu sigo escrevendo meus dias
com o amor que nasce do teu jeito de ser.
Eu não sei se é amanhã
que você chega em fúria, desgovernada por dentro,
ou se é depois de amanhã
que você parte, levando o silêncio embrulhado na raiva.
Essa incerteza me confessa um medo antigo,
uma alucinação lúcida de quem ama sem controle do tempo.
Não sei qual versão tua atravessa a porta,
nem qual mulher decide ficar ou fugir.
Há dias em que você é abrigo,
noutros, tempestade que não pede licença.
E eu aqui — firme, vulnerável —
tentando decifrar teus gestos antes que virem ausência.
Não sei qual será tua atitude,
mas sei da minha:
continuar verdadeiro,
mesmo quando teu coração oscila
entre ficar hoje, ir amanhã
ou nunca mais voltar depois de amanhã.
Porque amar, às vezes,
é permanecer mesmo sem garantias,
é enfrentar o caos com o peito aberto
e chamar isso, ainda assim, de amor.
Eu não sei você.
Mas eu estou de saída.
Não por fuga, nem por orgulho —
é por sobrevivência da alma.
Estou indo viver.
Aqui, ali, ou em qualquer outro lugar
onde o peito respire sem pedir permissão,
onde o coração não precise se explicar.
Vou em busca da felicidade,
embora ela tenha nascido comigo.
Só que às vezes ela se perde
quando insistimos em ficar onde não floresce.
Levo comigo tudo o que fui,
o que amei, o que doeu.
Não apago sentimentos —
aprendo com eles.
Se em outro lugar eu sorrir diferente,
não será esquecimento,
será maturidade.
Porque amar também é saber partir
quando ficar já não é amor.
Vou encontrar em outro lugar
o que aqui virou silêncio.
E se um dia você entender,
saiba: eu não fui embora de você —
fui ao encontro de mim.
Embora você não saiba,
existo no intervalo do teu dia —
sou o silêncio que te observa
quando a cidade faz barulho demais.
Sou um admirador sem rosto,
anônimo como o vento que passa
e ainda assim conhece cada curva do teu gesto.
Não busco palco, nem aplausos,
prefiro a discrição de quem sente
e deseja em segredo.
Caminho distante da multidão,
mas perigosamente perto de você.
Admiro tua nobreza,
essa elegância que não se veste —
nasce.
Teu jeito ocupa espaços
que meus olhos fingem não habitar.
E enquanto o mundo dorme,
me permito sonhar sem culpa:
não uma festa barulhenta,
mas um encontro lento,
onde o tempo perde a roupa
e a noite aprende nossos nomes.
Fragmentos viram cicatrizes
marcadas na retina de quem ainda ousa olhar.
Depois do confronto, não há vencedores.
há dois orgulhos sangrando em silêncio,
cada um recolhendo os próprios cacos.
Quando tudo começa a ruir,
comparar é inútil.
O chão não escolhe lados
quando desaba sob os pés.
Ninguém se adianta para enxergar o outro melhor,
porque o espelho está quebrado
e reflete apenas versões distorcidas da dor.
A distância cresce onde antes havia diálogo,
e o silêncio passa a ter voz.
O que restou não foi razão,
foi resistência.
Dois corações feridos
lutando para não admitir
que perderam juntos.
Viveram juntos perderam.
Após a queda um lamento.
Não admitir não.
Que perderam juntos.
Não me peça pra te seguir
se nem você sabe onde pisa.
Caminho desconhecido não é convite,
é risco disfarçado de promessa.
Tua estrada não aponta destino,
só gira em círculos de dúvida e ilusão.
Eu não nasci pra andar perdido
nem pra apostar meu futuro na tua confusão.
Respeito quem anda sem rumo,
mas eu escolhi direção.
Não me peça lealdade ao vazio
nem fé onde não existe chão.
Quem não sabe aonde vai
não pode exigir companhia.
Eu sigo em frente —
com verdade, com coragem,
e com o passo firme de quem sabe
que caminho sem propósito
não é caminho, é desistência.
A solidão não é ausência.
É presença de si.
É quando o ruído do mundo se cala
e a alma finalmente se escuta.
A solidão não é solidão —
é evolução, força amadurecida, sabedoria em silêncio.
É reconhecer a própria nobreza
sem precisar de aplausos ou testemunhas.
É estar em paz vivendo no caos,
inteiro mesmo quando tudo ao redor se fragmenta.
Quem abraça a solidão não foge do mundo:
aprende a caminhar nele sem se perder.
Por que você mudou a esse ponto,
a ponto de quebrar a ponte entre nós.
Quando tudo era maravilha, você se encantava,
se vestia de riso, prometia permanência.
Mas bastou a tormenta chegar
para você se perder de si mesma,
confundir medo com razão,
e chamar de caos aquilo que exigia coragem.
Se você parasse — só um pouco —
veria que ainda era possível juntar os fragmentos.
Mas preferiu espalhar acusações,
alimentar indecisões antigas.
Transformar o passado em arma.
O teu tormento não é sentença,
e muito menos justificativa para a derrota.
Não tente manipular o fim
quando foi a tua desistência
que ensinou o caminho a ruir.
Foi você quem envenenou a tua escolha.
Não tem o direito de acusar julgar condenar ninguém.
Meu amor, a que ponto chegamos.
A ponte entre nós já não sustenta passos — é sombra densa, silenciosa, pesada de tudo que não foi dito.
A névoa não se dissipou; ao contrário, criou raízes profundas no peito, enroscadas na memória e no afeto que insiste em ficar.
Ainda há amor, e é isso que dói.
Dói porque o sentimento permanece inteiro enquanto a distância se faz hábito.
Dói porque o coração lembra do que fomos, mesmo quando a realidade insiste em negar.
Não é ausência de sentimento que nos separa,
é o excesso de silêncio,
é o medo de atravessar essa ponte frágil e se perder de vez.
Te amar assim é permanecer em ruínas com o coração aceso.
É caminhar entre sombras sabendo que, um dia, ali houve luz.
Não venha me falar de lealdade quando a tua boca escolhe o eco da multidão. Respeito não se ensina em discurso, se prova no silêncio e na postura.
Falar é fácil. Difícil é sustentar caráter quando ninguém está olhando.
Hoje são muitos falando da minha vida, mas poucos tiveram coragem de caminhar comigo. Opinião em excesso não constrói caráter, só revela quem prefere julgar a assumir a própria verdade.
Quem é leal não se mistura ao barulho, não negocia princípios nem se alimenta da exposição alheia. A minha história não pertence à plateia, pertence a quem sou e ao que vivi.
Já não sei o que fazer pra te agradar, Cada gesto meu parece te irritar. O amor cansou de pedir abrigo, E a distância passou a dormir comigo.
Mulher revoltada, fizemos um acordo frio, Dois corpos próximos, mas o coração vazio. Tu não espera nada de mim, Eu não reparto nada contigo, enfim.
Viramos silêncio sentados na mesma mesa, O diálogo morreu, sobrou a frieza. O toque é ausência, o beijo é memória, O que era futuro virou só história.
Não foi falta de amor, foi excesso de dor, Foi orgulho gritando mais alto que o amor. A distância não veio de fora, não, Ela nasceu dentro do nosso coração.
Hoje não somos guerra nem paz, Somos dois estranhos que não voltam atrás. Quando o amor vira limite e não direção, A distância é o último nome da relação.
Começamos dos olhos para dentro do coração. Morremos de dentro para fora sem emoção. És a questão.
Mulher, ouça com atenção o que agora eu declaro,
acredite: o nosso tempo se encerrou no silêncio.
Não há retorno, não há atalhos, não há segunda porta.
O que fomos ficou preso ao ontem, sem direito a eco.
Nunca mais existirá aproximação entre nós,
nem por acaso, nem por saudade, nem por fraqueza.
O destino já virou o rosto,
e o amor, cansado, soltou as mãos.
Somos capítulos encerrados, páginas viradas à força,
memórias que o coração insiste em reler,
mas que a vida já rasurou com tinta definitiva.
Nem o universo, com toda sua imensidão e mistério,
ousará interceder por dois corpos
que aprenderam tarde demais
que amar também é saber partir.
Lembre-se o amo pode não ter acabado.
Já a nossa história sim acabou
Hoje eu não vou pedir.
Hoje eu vou agradecer pela vida.
Pelo amor forte, valente e verdadeiro
que sustenta a alma mesmo nos dias difíceis.
Gratidão pela paz que silencia a guerra interior.
Pelo ar que entra nos pulmões como bênção,
renovando forças, limpando pensamentos,
lembrando que viver já é um milagre.
Gratidão por cada amanhecer concedido,
por cada fôlego, por cada recomeço.
Hoje não peço nada.
Hoje reconheço.
Hoje agradeço.
Eu fico pensando no quanto eu gosto de você,
mesmo sabendo que você não conhece o valor do meu amor.
Ainda assim, eu sei.
Sei o quanto é bom gostar de amar você.
A tua nobreza devasta — não por ferir,
mas por deixar marcas profundas em quem observa.
A tua elegância não pede atenção,
ela simplesmente desfila, silenciosa e soberana.
A tua educação arrasta respeito,
o teu jeito ensina sem levantar a voz.
Você é exemplo moral em um mundo carente de verdade,
é presença que impõe sem dominar.
Amar você é um ato solitário e honesto,
é aceitar que nem todo amor precisa ser reconhecido
para ser imenso.
Basta ser real.
Tudo aconteceu depressa demais
e eu não quis puxar o freio.
Sou desses que se entregam por natureza,
que atravessam o risco com o peito aberto.
Fui me envolvendo em você
como quem aceita o incêndio
sabendo que vai queimar —
e mesmo assim fica.
Hoje eu vivo uma fúria deliciosa,
um caos bonito que nasce do teu melhor.
Mulher, tua sedução não pede licença,
ela invade, domina, permanece.
A cada dia eu me embriago no teu abrigo,
nesse refúgio quente onde teu olhar
me desarma sem tocar.
É luxúria que começa na pele
e termina no pensamento.
Se essa situação é perigosa,
que seja.
Ela é deficiente de juízo,
mas excessiva de desejo.
E mesmo sem vergonha de sentir,
eu confesso:
é maravilhosa essa forma
envolvente
indomável
que você encontrou
de me deixar teu.
Há quem enlouqueça longe do amor real,
Por não saber a diferença entre o raso e o essencial.
Eu sigo em silêncio, aprendendo a esperar,
Pois quem sabe amar não tem medo de ficar.
Onde anda você, meu amor forasteiro?
Que chega sem aviso e muda o mundo inteiro.
Estou em meditação, lapidando o coração,
Pra não confundir solidão com paixão.
Se o amor for verdade, ele vai resistir,
E saber exatamente onde me atingir.
Se vier, venha inteiro, sem medo, sem máscara,
Que eu te ofereço abrigo na minha calma.
Mas se não for amor, não bata outra vez,
Prefiro o silêncio do que mentiras gentis.
Onde anda você, meu amor verdadeiro?
Que não pede migalhas nem vive de roteiro.
Eu sigo em meditação, forte, em evolução,
Aprendi que amor não é prisão.
Se for pra amar, que seja assim:
verdadeiro em você, verdadeiro em mim.
Permaneço no silêncio em meditação,
Conversando com a alma, fugindo da ilusão.
Busco entender por que o amor não foi bastante,
Se entreguei meu mundo inteiro num segundo constante.
Enquanto tantos mendigam migalhas pelo chão,
Confundem carência com amor, vazio com paixão.
E sofrem em labirintos da própria mente,
Distantes do afeto real, do toque presente.
Não quero um amor que só saiba encantar,
Perfume bonito que o vento faz passar.
Quero verdade que fique quando o dia escurecer,
Um amor que saiba ficar, não apenas aparecer.
Onde anda você, meu amor forasteiro?
Que não tem endereço, mas mora no meu peito inteiro.
Estou em meditação, buscando conhecimento,
Tentando curar o coração do desalento.
Se o amor existe além da dor que senti,
Que ele encontre o caminho de volta pra mim.
Cansei de promessas vestidas de desejo,
De palavras vazias que não sustentam um beijo.
Amar é presença, é coragem, é chão,
Não é fuga bonita nem falsa emoção.
Se ela ouvir meu nome no meio da solidão,
Vai saber que esse abrigo ainda é o meu coração.
Diz a ela que o tempo não me mudou,
Eu sigo de braços abertos esperando o meu amor.
Caminhei noites longas conversando com a dor,
Mas nunca negociei a verdade desse amor.
O mundo tentou me endurecer, não conseguiu,
Meu peito ainda chama pelo nome que é só teu.
Se o vento levar notícias do que sou,
Que leve junto a certeza que eu não fui embora.
Eu fiquei aqui, do mesmo jeito, do mesmo amor,
Com a alma fiel, mesmo quando tudo chora.
Se ela pensar que eu esqueci, não é verdade,
Aprendi a esperar sem perder a dignidade.
O amor que é forte não grita, não implora,
Ele resiste em silêncio… mas nunca vai embora.
Se um dia ela cansar de fugir de si,
Vai lembrar que existo, que sempre estive aqui.
De braços abertos, sem medo, sem enganação,
Porque amor de verdade… mora no coração.
Quando duas almas se separam do amor,
o destino parece conspirar ao inverso,
empurrando caminhos para longe,
erguendo distâncias para que não exista outro encontro.
É como se o universo decretasse silêncio,
como se o tempo aprendesse a separar mãos
que ainda sabem se procurar.
Por isso, amor, não adiantemos o adeus.
Se essa é a última missão do amor,
que seja vivida inteira, sem medo, sem reservas.
Vamos aproveitar o agora,
amar com verdade,
ser felizes enquanto o coração permite,
sob a bênção sagrada de um amor que é real.
Porque mesmo quando tudo termina,
o amor vivido de verdade
nunca se perde —
ele se eterniza.
Quem entende não corre atrás,
Aprendeu que o silêncio também é resposta.
O espírito desperto sabe atravessar,
Mesmo quando a estrada cobra o preço da perda.
Pessoa fraca se ancora em promessas alheias,
Tem medo do vazio, da própria solidão.
Pessoa forte encara a noite de peito aberto,
Segue só, mas firme, guiada pela razão.
Não é orgulho, é clareza.
Não é frieza, é evolução.
Quem se encontra não implora presença,
Caminha inteiro na própria direção.
Os caminhos relevantes não chamam multidões,
São trilhas estreitas, feitas de verdade.
E quem tem coragem de andar sozinho
Descobre força onde antes havia saudade.
Mulher, quando ousas questionar a minha luz,
revelas mais sobre a tua sombra do que sobre mim.
Ris dos meus conflitos e dilemas
porque travas uma guerra silenciosa por dentro,
uma batalha dura contra a tua própria nobreza.
O amor que nos une não pede ataque,
pede equilíbrio.
Não sobrevive onde a indiferença governa
nem cresce sob o olhar que só procura falhas.
Quem se ocupa em vigiar defeitos
ainda não está pronto para reconhecer virtudes.
Porque amar, de verdade,
é enxergar grandeza mesmo nas imperfeições
e escolher permanecer
não apesar delas,
mas com elas.
Amor não é disputa de orgulho,
é encontro de consciências.
E só permanece inteiro
quem aprende a respeitar a luz do outro
sem tentar apagá-la.
Mulher rebelde, tu sabes que te amo.
Amo-te com uma felicidade voraz,
dessas que não pedem licença
nem aceitam redenção.
Ainda que eu esteja no abismo,
caindo sem mapa,
no precipício do medo e da culpa,
meus olhos te buscarão
e, antes do impacto, dirão:
eu te amo.
Mesmo quando minhas atitudes
se vestem de covardia,
quando falho em ser abrigo
e viro tempestade,
o amor não se cala.
Meus pulmões, quase sem fôlego,
lutando contra o fim,
hão de vencer o silêncio
para sussurrar nos teus ouvidos
— não por coragem,
mas por verdade —
eu te amo.
Amo-te quando fico,
amo-te quando erro,
amo-te mesmo quando não sei amar direito.
Amar-te é uma escolha feliz,
Que atravesso o universo por ti
até o último sopro eu te amo.
Amei, amei a tal velocidade da vida, essa pressa bonita que me trouxe até aqui.
Cheguei antes de você, mulher, antes do teu nome, antes do teu rosto, antes mesmo de saber que era você quem eu esperava.
Cheguei antes de te conhecer, mas o destino já me treinava o coração. Cada passo apressado era um ensaio do nosso encontro, cada silêncio, um espaço reservado pra tua chegada.
E quando nossos caminhos finalmente se cruzaram, entendi: não era pressa, era preparo.
A vida só me fez chegar cedo pra que, quando você viesse, eu estivesse pronto pra te amar devagar.
A sua chegada fui magia encanto. Palavras nao vão descrever.
A felicidade ao te ver ali feliz.
Te vê antes de lhe conhecer.
Cada olhar um encanto bonito.
Do nosso encontro preparando.
De eu com você linda mulher.
Ele amanheceu revoltado.
virou a casa pelo avesso sem pensar.
Xingou o mundo, fechou a cara.
Arrumou confusão em todo lugar.
Discutiu com os vizinhos da rua,
fez barulho antes do sol raiar.
Saiu dizendo que ela não dorme em casa.
Bateu o desespero: ele vai brigar.
A língua do povo corre ligeiro,
cada esquina tem uma versão.
Dizem que ela sumiu na madrugada,
deixou ele falando sozinho no portão.
Refrão
Segura esse corno, Chico.
Ele vai procurar a mulher pra brigar.
Já discutiu com o sogro,
Bateu no o cunhado.
Na confusão a sogra caui torceu o pé.
Ele vai bater na mulher.
Ele bebeu todas no balcão do bar,
fala alto, ameaça, quer se mostrar.
Diz besteira no calor da raiva,
quem vê de longe manda ele se acalmar.
Enquanto isso ela tá longe,
na casa errada resolveu ficar.
Ele perdido na própria dor,
vira assunto da cidade inteira outra vez.
