Professor Elmo Alves Tôrres

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Este mundo muito me intriga:
o simples vira complexo e o dificultoso, às vezes, fazemos involuntariamente.

A prosperidade leva muita gente para o seu lado;
a adversidade afasta, mas traz maturidade.

A delicadeza e a sutileza convergem para que a simplicidade se difunda.

Não sou seguidor de Dídimo; acredito em muitas coisas que sei estarem longe de existir.

Onde a felicidade não tiver espaço, crie canais de amabilidade e logo ela vai aflorar.

Uma casa onde você não escuta o tilintar de panelas e frigideiras é algo desanimador.

Romantizar erros, longe de mim;
implicar com acertos, mantenha distância.

Assim como as palavras, o silêncio também se revela um sutil e eloquente instrumento de enganação.

Há dias que se anunciam difíceis; contudo, guiados pela batuta do Pai Celestial, tornam-se surpreendentemente leves e prazerosos.

Da leveza calculada de um gato doméstico à potência monumental de uma baleia-azul, a natureza demonstra que o extraordinário existe em todas as escalas.

Falar a verdade tem um peso colossal: arrasta a insegurança, espanta o medo e extermina a mentira.

A competição mais acirrada é consigo mesmo; as demais, quando leais, transformam rivalidade em virtude.

O otimista se oxigena nas dificuldades, transforma-as em oportunidades e carrega o aprendizado como bandeira suprema.

Essa Tal Modernidade

O mundo moderno é cheio de nuances que muitas vezes engolimos calados. Sábios pesquisam, experimentam e, ainda assim, não chegam a conclusões definitivas; as dúvidas persistem e, por vezes, se ampliam diante do status quo. Já os incautos do conhecimento, na linguagem criada por eles mesmos chamados de idiotas, exibem prontamente certezas ruidosas, empolgam-se com teses artificiais e chegam rapidamente às mais mirabolantes conclusões.

A dificuldade de escutar, aliada à febre da chamada leitura dinâmica, gera intelectos rasteiros, repletos de pseudorrazões. A antiga aliança entre o desejo de saber e a pesquisa praticamente desapareceu. Questionamentos naturais e concepções enraizadas na razão perderam espaço para leituras de manchetes e informações sinopsadas, que hoje parecem conter o contexto de nossa sociedade.

A crise do século XIV foi provocada por uma combinação de fatores: a crise agrícola e a fome decorrentes de más colheitas, agravadas pela Grande Fome de 1315–1317; a devastação causada pela Peste Negra, que matou cerca de um terço da população europeia; os efeitos destrutivos de conflitos prolongados como a Guerra dos Cem Anos (1337–1453); e o aumento das tensões sociais que geraram revoltas camponesas, como a Revolta dos Camponeses de 1381. Esses fatores enfraqueceram o sistema feudal e mergulharam a Europa em profunda instabilidade.

Há quem sustente que tudo isso foi consequência do afastamento do homem da religião, interpretação difundida por setores da própria Igreja medieval, então grande detentora de terras e poder político.

No presente, o estancamento do conhecimento que vivemos pode ser associado ao distanciamento da leitura didático-hedonista e à supremacia de uma tecnologia que incentiva o “saber fácil”. A antiga pesquisa, realizada em diversos livros impressos e confrontando autores e ideias, perdeu espaço para cliques rápidos que oferecem um conhecimento leve e, muitas vezes, superficial.

Ainda assim, a defesa integral da tecnologia como fonte preponderante em nosso trabalho diário será sempre minha bandeira. A utilização racional dessa ferramenta nos conduz a ratificar e ampliar substancialmente o conhecimento. A convergência entre saber empírico, ciência e tecnologia torna-se um levante do bem para a expansão maciça de nosso entendimento.

A leveza da alma nasce ao encontrarmos alegria na alegria dos outros.

A Educação lapida e multiplica o limiar dos saberes.

Se o silêncio se transfigurar em eloquência, a retórica perde sua persuasão.

O homem, por mais maduro e plissado que seja, muitas vezes chora por coisas frugais, como as crianças.

O “não” dos outros converte-se em impulso, não como negação de sua essência, mas como expressão do prisma equivocado deles.

Algumas pessoas brilhantes permanecem invisíveis não por demérito, mas pela ausência de um palco adequado.

Quando a própria companhia lhe traz paz, não a evite nem hesite; apenas não abdique do esforço de socializar.

Quando a justiça e a liberdade se conciliam, o bem-estar vira praxe.

Muitas vezes, as palavras não exprimem o que queremos dizer; portanto, é necessário um olhar ou um simples gesto para completar o nosso pensamento.

Na lógica do mundo, o ser humano vale menos por sua essência e mais pela utilidade que aparenta aos olhos alheios.

As Cores do Sertão do Apodi


O azul das águas de nossa lagoa realça o cinza da caatinga;

O verde de nossa vegetação contrasta com a epiderme dos povos originários;

O chumbo de nosso lajedo suplanta a cal branca de sua degradação;

O amarelo de nossas riquezas enaltece a fartura de nossa região;

A terracota de nossa argila enrijece a luta de nosso povo;

O colorido de nossa fauna sarapinta a miscigenação de nossa gente;

O vermelho do poente incendeia o horizonte de nossa chapada;

O laranja do entardecer aquece os sonhos que resistem ao tempo;

O dourado do sol castiga e, ainda assim, fecunda a resistência;

Nossa água mineral sacia a sede, sustenta nosso lugar e renova as cores vivas de nossa terra.