Paula Melize
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Rendição
No fogo brando em que o desejo arde,
A carne cede ao toque que a consume.
Desfaz-se o orgulho em ondas de perfume,
E a resistência curva-se, já tarde.
Não há cinismo ou força que resguarde
O peito aflito em febre que transume;
Entrega-se a alma ao vício do costume,
Num doce adeus à mente que era coarde.
O corpo dita a lei que nos governa,
Na noite escura, o beijo que devora
Apaga o medo e a culpa que se interna.
O tempo para e o mundo desmorona;
A carne aclama a carne que, nesta hora,
Ao puro instinto, enfim, se acanhona.
Soneto Autoral — Paula Melize
