Patrick Vieira
O ser humano só pode ser livre controlando seus desejos! O que é impossível para a mente humana. Os desejos apenas nos dão o ponto de partida para ação submissa a decisão.
Algumas pessoas procuram algo nos outros para criticar e se sentir superior, procuram como um leão a procura de sua presa. Afinal de contas, todos querem reconhecimento e ter o sentimento de importância na sociedade. Sociedade essa, que influência no desejo de superioridade ao próximo, e que ao mesmo tempo critica quem a segue.
volta pra casa
me leva pra casa, eu quero voltar
deixei o aprisco, fugi do altar
o que era refúgio virou desespero
por culpa de um lobo, fingindo ser cordeiro
suas palavras, afiadas e frias
expulsavam a paz, calavam as guias
as ovelhas dispersas, feridas no chão
enquanto ele reinava com falsa unção
senti que o céu tinha virado silêncio
minha fé machucada, meu peito, um lamento
mas mesmo distante, ainda ouço a voz
do bom pastor chamando, cuidando de nós
me leva pra casa, pra graça, pro abrigo
onde há mesa posta, perdão e abrigo
sei que o caminho de volta é real
pois mesmo ferido, o amor é leal
e agora eu clamo com alma cansada:
jesus, me conduz de volta à morada
longe dos lobos, de volta ao lugar
onde o teu espírito possa me sarar
“Forja-me Outra Vez”
Quero voltar…
Ao primeiro amor que queimava no peito,
À chama que ardia sem jeito,
Ao clamor que subia sem medo,
Ao som do Teu vento, perfeito.
Me ensina a buscar como antes,
Com olhos fechados e alma aberta,
Que o pranto volte a ser constante,
Que minha adoração seja liberta.
Faz de mim, de novo, flecha Tua…
Mas não uma qualquer — forjada na fornalha,
Onde tudo começa: no fogo que purifica,
Que não apenas queima,
Mas transforma.
A bigorna me espera.
Sou o metal sem forma,
Toco o martelo do Teu querer,
Cada pancada me molda —
Não para ferir,
Mas para fazer florescer.
Quando penso estar pronto,
Tu me mergulhas na água.
Há vapor…
Há choque…
Mas é vida nova que brota!
Do calor do Espírito à água da Palavra,
Me sela com força e graça.
E ainda assim, não é o fim.
Vem a lima…
A pedra que afia com paciência.
Cada toque tira o que não presta,
Cada traço revela o que resta.
E o fio da minha alma,
Agora cortante e precisa,
Se prepara… não para ferir,
Mas para cumprir a missão.
Pois a flecha precisa recuar,
Antes de avançar.
Precisa confiar,
Antes de voar.
E quando enfim sair do arco da Tua vontade,
Que eu atravesse o impossível,
Ultrapasse a carne,
E alcance o alvo do Teu coração.
"Evangelho de Fariseu?"
Dizem que fazem o IDE,
Que vão atrás dos de fora,
Mas deixam se perder —
Os que estavam dentro, desde o início.
"Se ele não vier até mim,
Não irei até ele", dizem friamente.
Incrível. Que evangelho é esse?
Evangelho de fariseu… indiferente?
Nem chamam de fraqueza a dor que carrego,
Chamam de imaturidade. Chamam de birra.
Como se feridas profundas
Fossem apenas dramas de quem não lida.
Mas só quem sangra,
Sabe o peso de continuar.
Às vezes, fugir é sobreviver —
Não é medo… é tentar respirar.
E ainda que eu não quisesse sair,
Não tive escolha…
Pedi ajuda, clamei apoio,
E ouvi: “Estou do seu lado” —
Mas o fim… o senhor já sabe.
Promessas jogadas ao vento,
Palavras sem presença.
No momento mais escuro,
Só o silêncio fez companhia.
Enquanto uns pregam multidões,
Outros morrem em silêncio.
Quem vai por eles?
Ou será que… só contam os que aparecem no templo?
"Eu Te Vejo, Mesmo Que Não Digas"
Te vi quando ninguém mais via,
quando teu abraço calou meu fim,
quando tua oração venceu o abismo
e me fez lembrar que ainda havia um “sim”.
Tu foste a ponte sobre águas escuras,
a mão no meu ombro, o peito no meu choro,
e agora és tu quem afunda em silêncio,
escondendo a dor sob um falso decoro.
Por fora, um sorriso cansado:
“tá tudo bem, pode deixar...”
Mas eu escuto o grito abafado:
“por favor, alguém… vem me buscar.”
Tu carregas o mundo sem pausa,
tentando ser força onde falta chão,
mas até heróis precisam de descanso,
até os fortes merecem compaixão.
Não posso tirar tua dor com palavras,
nem consertar o que em ti desmorona,
mas posso sentar ao teu lado em silêncio,
segurando tua alma que ainda ressona.
Se não quiser falar, tudo bem,
se fugir de ajuda, eu entendo.
Só não pensa que está invisível —
eu te vejo, amigo, eu tô te vendo.
E mesmo se teu mundo ruir em pedaços
e tu não tiveres força pra chamar,
lembra: fui salvo pelo teu abraço…
e agora, eu só quero te abraçar.
"O Amor que Veio nos Amar"
O amor que veio nos amar
ultrapassa o tempo, o céu, o mar.
Não há barreira, dor ou pesar
que consiga esse amor apagar.
Deus olhou o mundo e, em Seu olhar,
viu corações prontos a se quebrar.
Então, enviou Seu Filho a nos tocar,
para que a vida pudéssemos abraçar.
Porque Deus amou de forma sem fim,
que entregou Jesus, Seu próprio Filho, por mim.
Para que todo aquele que nele crer
não pereça, mas venha a viver.
É um amor que atravessa a dor,
que dá esperança, que traz calor.
Que toca a alma, que faz renascer,
que nos convida a simplesmente crer.
O amor que veio nos amar
não espera o mundo mudar.
Ele nos encontra onde estamos,
nos cura, nos guia, nos levanta mesmo no esquecimento.
Não se mede, não se explica,
mas transforma, consola e edifica.
E mesmo que a vida queira nos separar,
o amor que veio nos amar nunca vai falhar.
Olhe para o céu, ouça o vento a passar,
sinta no peito: Ele veio nos salvar.
Porque a eternidade começa ao crer,
no amor que Deus quis nos oferecer.
O amor que veio nos amar
é presente, é luz, é eterno luar.
É promessa cumprida, é vida a pulsar,
é João 3:16 a nos ensinar:
que crer em Cristo é nunca mais se perder,
é viver para sempre, no amor que veio nos amar.
"Coluna em Pé"
Entre ruínas e ventos, fiquei de pé,
não por força, mas por fé.
Quando todos se calaram, ouvi o Céu dizer:
“Filho, é tua vez, ergue o estandarte e vem vencer.”
O chão tremia, mas minha alma não,
pois quem carrega o fardo tem a unção.
Família é campo, é missão, é altar,
e sobre mim recai o dom de cuidar.
Sou vigia nos muros, intercessor na madrugada,
a voz que clama, lâmpada acesa, espada levantada.
Não sou o mais forte, nem o mais santo,
mas o escolhido entre os que restaram no pranto.
E se o inimigo cercar minha casa, verá,
não há recuo onde Deus mandar ficar.
Porque a promessa não morre, só amadurece,
e quem permanece, prevalece.
Carrego o peso da responsabilidade,
mas também o consolo da fidelidade.
Pois aquele que chama também sustenta,
e no deserto ensina o que o trono apresenta.
Quando o cansaço tenta me parar,
é o Espírito que vem me renovar.
Oro de joelhos, choro e confesso,
mas sigo firme — porque o propósito é o progresso.
Sou coluna, raiz e chão,
não dependo da vista, vivo de visão.
A guerra é grande, mas maior é o Rei,
que me ergueu quando eu pensei que não voltava a ficar de pé.
E se o mundo cair, eu continuo a crer,
pois não há tempestade que me faça deter.
Minha casa é promessa, meu lar é missão,
e Deus é o centro da minha direção.
Fui chamado pra servir, não pra aparecer,
pra lutar em silêncio e ver Deus mover.
Pra ser exemplo quando tudo desaba,
pra manter a fé viva onde o amor se acaba.
E quando o tempo provar minha fé,
serei lembrado como aquele que ficou de pé.
Porque a unção não cansa, a fé não envelhece,
e quem confia no Eterno — permanece.
"Quando tudo se fecha"
Quando tudo se fecha e o céu parece de ferro,
quando o grito não ecoa e o coração se aperta sincero,
há um Deus que te observa, mesmo quando não se vê,
e trabalha em silêncio, só pra fortalecer tua fé.
As portas que o homem tranca, Ele abre com o olhar,
o chão que hoje é deserto, amanhã pode brotar.
Nada é tarde pra quem crê, nada é longe pra quem ora,
Deus escreve histórias belas, mesmo em meio à demora.
O tempo que parece perda é preparo em disfarce,
Deus te esconde no silêncio pra que a dor não te ultrapasse.
Ele limpa o teu caminho, arranca o que é mundano,
pra que o novo que virá te encontre pronto e humano.
Não é castigo, é cuidado — é amor em formação,
é o céu te lapidando pra cumprir tua missão.
E quando tudo for escuro e nada mais fizer sentido,
lembra: o ouro só brilha depois de ter sido ferido.
O vento que hoje te curva vai te ensinar a firmar,
o peso que te derruba vai te ensinar a orar.
E quando a alma cansada quiser tudo abandonar,
ouve Deus sussurrando: “Filho, Eu vim te levantar.”
A esperança não morre, ela apenas adormece,
mas ao toque do Altíssimo, logo ela floresce.
E mesmo que o mundo diga que o teu sonho acabou,
Deus sussurra em teu íntimo: “O melhor ainda não começou.”
Então segue, mesmo com o coração cansado,
porque a tua história ainda não chegou no ponto esperado.
O céu não se esqueceu do som da tua voz,
e há milagres sendo escritos — exatamente pra nós.
"Meu Herói"
Pai,
amo o seu jeito de amar.
Um amor que não fala alto,
mas se mostra nos detalhes,
na pressa que vira cuidado,
no tempo que o senhor arruma mesmo cansado.
Trabalha tanto,
e ainda assim me ensina o valor de estar presente,
de ser forte sem deixar de ser doce,
de vencer sem precisar gritar.
Eu também tenho tentado,
com cada passo,
me tornar alguém que o senhor se orgulhe de chamar de filho.
Nem todo mundo nasce herói...
mas o senhor,
sem capa, sem glória, sem alarde,
virou o meu.
E no silêncio entre um abraço e outro,
eu entendo que amor de pai
é o tipo mais bonito de eternidade.
"Quando o céu toca a alma"
Não estou triste,
mas algo em mim pede lágrimas.
Não de dor -
de vida.
É como se o céu encostasse no meu peito
de leve,
e minha alma, surpresa,
quisesse responder.
O choro vem,
mas não cai.
Fica ali, feito oração silenciosa,
feito gemido sem palavra,
feito toque do Espírito que a mente não traduz.
Romanos diz que Ele intercede por mim,
e talvez seja isso que eu sinto:
um mover que não se explica,
um derramar que não se derrama,
uma visita que o corpo reconhece
antes do pensamento entender.
A emoção trava na porta,
não por fraqueza,
mas por reverência.
Como se até as lágrimas soubessem
que Deus está perto.
E então fico quieto,
com a vontade de chorar sem motivo,
e percebo -
não é tristeza.
É sensibilidade.
É cura nascendo sem ferida.
É o coração ajustando o que nem eu sei.
É a presença que arruma a casa
sem fazer barulho.
Cada lágrima que não cai
ainda assim é vista.
Cada emoção engolida
ainda assim é guardada.
Porque Deus recolhe até aquilo
que não escorre do rosto -
até aquilo que só escorre da alma.
E um dia, talvez, eu chore.
Não por perder,
mas por ter sido tocado.
Não por dor,
mas por encontrar paz demais para caber no peito.
Até lá eu sigo assim -
com o céu pousado dentro
e o coração aprendendo a sentir.
"Carrego um chamado"
Carrego marcas que o tempo não levou,
feridas que a infância deixou sem cura,
silêncios que o mundo nunca escutou,
e um coração que aprendeu a ser forte na dor mais dura.
Não sou culpado das sombras que caminham comigo,
sou apenas alguém que tentou ser luz no meio delas.
E mesmo tropeçando no mesmo antigo perigo,
Deus insistiu em me levantar,
como quem recolhe estrelas.
Faltou pai… faltou mãe… faltou abraço.
Mas sobrou presença divina nos espaços vazios,
sobrou Cristo nos cantos do meu cansaço,
sobrou fogo no meio dos meus dias frios.
E quando eu penso que sou nada,
que não mereço, que não carrego talento,
Deus sopra em mim aquela voz calada:
“Filho, Eu faço morada no teu sofrimento.”
Porque o chamado é maior do que o peso que sinto,
é maior do que o erro que insiste em voltar.
E quando Ele me usa, eu só pressinto
que o céu inteiro começa a respirar.
Eu não sou grande,
não sou forte,
não sou perfeito.
Sou só barro nas mãos do Rei.
Mas mesmo assim Ele escolheu meu peito
pra acender um fogo que eu nunca acendi.
E hoje entendo:
não sou culpado,
sou escolhido.
Não por mérito…
mas por graça.
E onde o mundo me feriu,
Deus construiu estrada.
