Oscaralho
Bateu alguém a porta
Vacilei não quis abrir
Pensei que fosse saudade
Que me viesse perseguir
Bateu de novo com força
E depois desistiu
Desceu as escadas em silêncio
É para sempre partiu
Partiu deixando na porta
Estas palavras fatais
Eu sou a felicidade
E não voltarei nunca mais
E só então eu percebi
quando o silêncio ficou no ar,
que a felicidade estivera ali à porta…
e eu não a deixei entrar.
Sai à rua a correr e em chinelos
Procurando essa personagem sorridente
Não conhecendo sua aparência
Fiquei logo transparente
Procurei por ruas e quelhas
Por caminhos e ruelas
Chegando ao fim da estrada
Sinto-me como um barco a deriva
Sem cais para aportar
Sem ninguém que me ame
Ou me ensine a amar
A vida por vezes e madrasta
Castiga duramente e sem dó
Queria que o tempo voltasse atrás
Para eu lhe dar um bom nó
A vida prometeu-me tanto,
e quase nada me entregou,
dei-lhe o melhor dos meus anos,
e ela pouco me devolveu
Aprendi que nem todo abraço
é sinal de proteção,
há mãos que apertam forte
enquanto ferem o coração
Já sorri quando queria chorar,
já disse “estou bem” sem estar,
há batalhas que ninguém vê
e mesmo assim temos de lutar
Cansei de esperar por dias melhores,
de acreditar que tudo vai mudar,
às vezes a vida tira-nos tudo
antes de nos ensinar a recomeçar
Há sonhos que ficam pelo caminho,
promessas que o tempo levou,
pessoas que juraram ficar
e foram as primeiras que partiram
Hoje não peço uma vida perfeita,
nem quero aquilo que não posso ter,
só queria acordar algum dia
sem ter vontade de desaparecer
Porque há momentos em que viver
parece apenas sobreviver,
carregar um coração cansado
e fingir que ainda sabe querer
Fui dando tudo o que tinha,
até ficar sem nada para dar,
a vida levou-me os sonhos
e ensinou-me a desconfiar
Confiei em quem amava,
entreguei sem condição,
e descobri tarde demais
que confiança também dói no coração
Tenho saudades de quem fui,
daquele homem que sabia sorrir,
hoje carrego tantos pesos
que já nem sei onde ir
Há noites em que me pergunto
onde foi que eu me perdi,
se vivi para ser feliz
ou apenas para chegar até aqui
A vida não me matou os sonhos,
deixou-os simplesmente morrer,
e eu fiquei a olhar para eles
sem saber o que fazer
Já não tenho medo da queda,
já caí vezes demais,
o que me assusta é levantar-me
e voltar a sofrer ainda mais
Talvez um dia eu perceba
porque tive de sofrer assim,
mas hoje só sei uma coisa:
estou cansado de lutar contra mim
E se amanhã nascer diferente,
talvez eu volte a acreditar,
mas hoje deixem-me em silêncio,
preciso apenas de RESPIRAR
Perdi-te sem te ver partir,
e esse foi o meu maior castigo,
porque ainda te sinto aqui,
mas já não te tenho comigo
Ficou o silêncio no teu lugar,
ficou a saudade no meu peito,
e mil coisas por te dizer
que nunca mais terão jeito
Eu daria tudo para voltar
àquele tempo em que éramos nós,
quando bastava um simples olhar
para não precisarmos de voz
Hoje abraço a minha almofada
como se fosses voltar para mim,
mas a noite fica mais gelada
quando percebo que chegou ao fim
