O Mago das Palavras
Na enunciação, o sujeito sempre entrega mais do que pretende;
a máscara verbal, por vezes,
revela a anatomia íntima
de quem fala.
Formulações elegantes, pensamentos rarefeitos:
eis o velho luxo da retórica
quando o conceito se ausenta.
A semântica é um
território de disputa;
quem nomeia, organiza o mundo
e, em certa medida,
administra a realidade.
A sintaxe dispõe as palavras,
mas também disciplina
o fluxo do pensamento
e distribui o lugar de cada sentido.
A retórica pode erguer uma liberdade verbal ou refiná-la em
instrumento de domesticação;
tudo depende
da ética de quem a maneja.
A estilística
é a pele intelectual do sujeito,
o modo singular como uma consciência aprende a habitar
a linguagem.
A desigualdade se apresenta como acaso, mas se perpetua como (e com) uma engenharia refinada de privilégios.
A hegemonia
atinge seu auge quando
o dominado internaliza o desejo de repetir a lógica que o limita.
A agência emerge no instante em que a existência abandona
o papel de efeito
e ensaia autoria no mundo.
A vitalidade se manifesta como permanência lúcida:
uma recusa silenciosa em ceder
à erosão do sentido.
