Northon Salomao

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Conhecimento e poder frequentemente se entrelaçam, inclusive na produção das categorias utilizadas pelo Estado.

As instituições podem produzir comportamentos enquanto afirmam apenas estar regulando-os.

A maneira como uma sociedade define normalidade também revela sua estrutura de poder e seus mecanismos de controle jurídico.

O sujeito não existe completamente separado das práticas sociais que o constituem, nem das normas que regulam sua conduta.

A história das ideias também pode ser uma história das formas de controle exercidas por instituições.

O discurso determina parcialmente aquilo que uma sociedade consegue pensar, dizer e transformar em norma.

A liberdade começa quando interrogamos aquilo que parecia naturalmente inevitável, inclusive quando recebeu aparência de legalidade.

A crítica não serve apenas para destruir certezas, mas para descobrir como elas foram construídas e institucionalizadas.

As instituições produzem categorias que depois passam a parecer naturais, muitas vezes adquirindo consequências jurídicas.

O corpo também é atravessado por relações de poder e por mecanismos jurídicos de disciplina.

Governar pessoas significa também governar possibilidades de comportamento, frequentemente mediante normas.

A verdade socialmente aceita possui uma história e pode influenciar aquilo que o Direito reconhece como legítimo.

Questionar uma norma é investigar as condições que permitiram que ela se tornasse norma.

Toda linguagem carrega possibilidades que ultrapassam a intenção de quem fala, inclusive na interpretação jurídica.

O significado nunca é completamente isolável de outros significados, razão pela qual o texto jurídico também depende de contexto.

Desconstruir não significa simplesmente destruir, mas revelar tensões internas de conceitos e estruturas.

A interpretação começa justamente onde a certeza parece absoluta, inclusive diante da lei.

A justiça não pode ser reduzida inteiramente à aplicação mecânica de uma regra.

O outro introduz uma exigência que nenhuma teoria jurídica consegue controlar completamente.

Toda estrutura contém tensões que podem revelar seus próprios limites normativos.

A responsabilidade começa diante de algo que não podemos dominar completamente, inclusive diante da singularidade do outro perante o Direito.

A linguagem nunca entrega o sentido de maneira totalmente transparente, e a interpretação jurídica vive dessa tensão.

A hospitalidade verdadeira começa quando o outro não pode ser completamente controlado pela norma.

A identidade humana é construída também através do reconhecimento recebido dos outros e protegido por direitos fundamentais.

Ninguém desenvolve sua identidade inteiramente sozinho, porque a personalidade também se forma em relações sociais juridicamente protegidas.