NillQuest
Ó capitão, meu capitão
Nestas longínquas águas,
Nestes imensos mares,
Não mais me encontro...
Sei que não estou a deriva,
Já que sigo pra um caminho que sei qual é...
Mas não sei para onde me leva.
Nestes tempos tenho me encontrado em tempestades,
Em ruas sem saídas,
Em vales sombrios.
E, em todos eles, meu capitão, não me achei..
Entre ratoeiras e poeiras, entre armadilhas e realezas.
Não me encontrei.
Ó capitão, meu capitão,
Dos poemas larguei a mão,
mas da mão não larguei a mente.
E ela, forte como antes, não dormiu,
Mas eu a reneguei e a rejeitei.
Agora, ando-me só.
Acompanhado mas só,
com companhia mas desacompanhado,
me vejo numa grande ópera, imensa e bela. Linda como nenhuma antes, mas tão vazia e contaminada...
E não sei como sair, sei que quero, mas não sei por que porta sair.
E se eu sair e a ópera se reconstruir tão bela e formosa como é? E se, por menores chances que seja a reconstrução, se descontamine e se reforme por si só?
Sem as tramanhas e mesquinhas mãos dos piratas sujos, tropeiros e interesseiros.
Mas e se eu ficar e desabar? Ou me contaminar por achar que a reconstrução há de vir..
Como hei de ficar? Ó capitão...
Tens me instruído mas não tenho entendido...
Tens me segurado e guardado, mas como covarde e teimoso não te respaldo..
Falho mais que todos os outros..
Fraco mais que todos os outros..
Ó capitão, meu capitão, perdoa pelos tropeços,
Estes tão bravos mares me atormentam e me fazem recordar de momentos de perdição.
Canso-me destes mares e ainda mais dos que vejo pela frente.
Mas me cansas no que eu mesmo me coloquei, ó capitão, meu capitão.
Instrua-me uma última vez por estas bravas águas. Instrua-me e me faça passar pelo fogo, meu capitão.
Que juro-te minh'alma que me tornarei o mais valente e sábio dos mares.
