NandaaGoncalves

26 - 36 do total de 36 pensamentos de NandaaGoncalves

Entre o que foi e o que é


Eu tô com alguém bom, alguém que me faz bem.
Mas ainda carrego ecos de quem me feriu.
Não porque eu queira voltar,
mas porque certas lembranças não sabem ir embora.


Meu corpo já entende o novo toque,
mas minha alma, às vezes, ainda procura o antigo.
E isso me confunde — me parte.


Ele me fez mal, eu sei.
Mas há pedaços de mim presos nas memórias que ele deixou.
E o amor, mesmo quando dói,
tem um jeito cruel de se fazer presente.


Talvez um dia eu acorde e o passado não pese mais.
Talvez um dia o novo amor ocupe todo o espaço.
Mas, por enquanto,
vivo nesse meio-termo —
entre o que me destruiu
e o que tenta me reconstruir.




---

Entre o que tenho e o que me falta


Tenho um amor que me acolhe,
amizades que me sustentam,
caminhos que me fazem crescer…


E mesmo assim, sinto um vazio.
Não de coisas, mas de momentos,
de sensações que ainda não vivi,
de um brilho que não se compra.


A vida é essa dança silenciosa:
entre a gratidão pelo que construí
e a curiosidade pelo que ainda me chama.

Talvez, o Luar


Ele é lindo como o luar,
silencioso e distante,
brilha só o suficiente
pra eu me perder no olhar.


Seus olhos — calmaria e abismo —
guardam paz e solidão,
como quem já viveu o amor
e ainda sente sua extensão.


Os cabelos, negros como a noite,
guardam segredos que o vento não diz,
e os lábios… ah, os lábios —
tocam o ar e fazem sonhar feliz.


Seu toque é quente como o verão,
um carinho que me desarma,
um instante e o mundo some,
fica só o som da alma.


Mas ele não é meu…
ou talvez pudesse ser,
num outro tempo,
num outro céu,
onde o luar nos deixasse acontecer.

Eu não terminei porque não senti.
Terminei porque senti demais.
Porque a pureza assusta
quem já aprendeu a sangrar em silêncio.
Teu sorriso inocente
pedia um cuidado
que minhas mãos, trêmulas,
não sabiam se mereciam tocar.
Não foi sobre você.
Foi sobre o medo
de quebrar algo bonito
com minhas próprias cicatrizes.
Eu fui embora não por falta,
mas por excesso.
Porque às vezes amar
é também saber recuar.

Hoje eu lembrei de você enquanto me maquiava.
Não por saudade anunciada,
mas por um gesto pequeno,
desses que moram no cotidiano e doem depois.
O delineado seguia firme,
parava no meio do olho,
como sempre parou.
E foi aí que você apareceu —
na memória, não no espelho.
Lembrei daquele dia em que você percebeu
o detalhe que quase ninguém nota.
Metade do traço,
metade do olhar,
inteiro na atenção.
Fiquei encantada não pelo elogio,
mas pela forma como você me via.
Como quem enxerga
o que não grita,
o que não pede,
o que só existe.
É estranho como o tempo faz isso.
Meses passam,
o nome silencia,
o sentimento dorme.
Mas basta um traço torto,
uma manhã qualquer,
e o passado volta sem pedir licença.
Você não voltou.
Foi só a lembrança.
Mas ela ficou ali,
sentada no canto do meu reflexo,
me olhando terminar aquilo
que nunca chegou ao fim.
Talvez algumas pessoas
não foram feitas pra ficar.
Foram feitas pra aparecer de repente,
num espelho,
num detalhe,
numa memória que insiste
em não desaparecer.

Dizem que existe um fio vermelho
amarrado ao dedo de cada pessoa,
invisível aos olhos,
mas impossível de romper.

Ele atravessa distâncias,
cruza caminhos,
se perde entre despedidas
e, ainda assim,
sempre encontra o seu destino.

Talvez o meu esteja preso ao seu.

Talvez todas as pessoas que encontrei
tenham sido apenas nós pelo caminho,
e você,
o outro lado do fio
que eu ainda não sabia procurar.

Não sei se é destino,
coincidência ou apenas desejo.

Mas quando falo com você,
mesmo de longe,
sinto algo puxar dentro de mim.

E, pela primeira vez,
não quero cortar o fio.

Quero apenas descobrir
onde ele termina.

Ela gosta de anime, livros e indie,
de estrelas, pássaros e poesia,
mas também de picolé de uva
— prioridades da vida.

Tem um gato lindo em casa
que ela ama mais que a própria dignidade,
usa All Star como religião
e troca a cor do cabelo
como quem troca de personalidade.

Faz desenhos, escreve poemas,
fala de biologia por horas,
e solta piadas tão ruins
que até o silêncio vai embora.

Ri de coisas sem sentido,
sozinha, no meio da sala,
e quando alguém pergunta "qual foi a graça?",
ela responde:
"Você não entenderia."

Gosta de céu azul, vento no cabelo
e teorias sobre o universo,
porque aparentemente
ser normal nunca esteve nos planos.

É meio garota,
meio cientista,
meio personagem de anime
e meio problema sem solução.

No fim,
é só uma criatura estranha
de All Star e cabelo colorido,
tentando sobreviver
com suco de laranja, gatos
e um senso de humor duvidoso.

Há um garoto que me fascina,
talvez pelos olhos que não sei decifrar,
talvez pelas palavras gentis
que ainda tenho medo de acreditar.

Sempre o achei bonito,
distante demais para mim.
Até que seus lábios tocaram os meus
e o impossível chegou ao fim.

No começo, temi ser uma mentira,
uma brincadeira disfarçada.
Mas encontrei ternura em seus olhos
e uma timidez inesperada.

Desde então, carrego uma dúvida:
se aquele beijo foi só um instante,
ou se, em algum canto de nós,
nasceu algo pequeno e hesitante.

Foram só alguns beijos,
mas por que parecem tão poucos?

Desde então,
às vezes me pego esperando
uma mensagem sua,
um encontro,
qualquer desculpa para te ver.

É estranho sentir tanta expectativa
por algo que aconteceu tão poucas vezes.

Mas quando lembro dos seus beijos,
meu coração acelera
e nasce aquela vontade inquieta
de viver mais um instante assim.

Só mais um beijo.

Talvez dois.

Só para descobrir
por que eu ainda penso tanto em você.

Foi no silêncio que você deixou de ouvir a própria voz,
abrindo mão do seu espaço para caber no mundo de alguém.
Você se apequenou até virar sombra,
esquecendo que o seu universo nunca coube na mão de outro alguém.

Colocou no pedestal um espelho de ilusão,
e entregou a chave do seu templo a quem não sabia cuidar.
A queda foi alta, o chão foi duro,
e o coração se partiu em mil estilhaços pelo ar.

Há quanto tempo você não caminha a sós com os seus passos?
Há quanto tempo não olha para o céu sem buscar outro olhar?
Na urgência de amar o outro, você se abandonou no caminho,
e deixou os seus próprios sonhos poeira acumular.

Agora o peito pesa com essa pergunta que ecoa na alma:
*Como fui capaz de me esquecer assim?*
Mas não carregue a culpa do abandono como uma sentença final,
pois o deserto também é o lugar onde nasce o recomeço do fim.

Não corra para outros braços, não procure outro refúgio no escuro.
A cura que você busca não está em mãos alheias, mas na sua reconstrução.
Recolha cada pedaço dilacerado do chão,
pois cada caco ainda guarda a força da sua própria essência.

Para onde ir agora? Para dentro de si mesma.
O que fazer? Voltar a se habitar.
Descer desse pedestal emprestado,
estender a mão para a sua própria dor e aprender, de novo, a se amar.

Você não se perdeu para sempre; apenas se distraiu da sua luz.
É hora de sair sozinha, encarar o vento e retomar o seu lugar.

No sofá da sala, o novo leito improvisado,
observo os dois degraus que levam à cozinha.
O silêncio ocupa o espaço onde antes havia
risadas, calor, paixão e a vida compartilhada.

Lá fora, a chuva cai num ritmo lento e constante;
no alto do armário, o gato espia pela pequena janela.
No espelho do hall, um semblante exausto me encara,
carregando as marcas de um peito dilacerado.

O caos devora por dentro, as feridas sangram no escuro,
e a saudade me pega de jeito no detalhe mais simples:
na lembrança daquele macarrão que só você sabia fazer,
no sabor de um cuidado que não volta mais.

A esperança parece ter sumido no nevoeiro,
e a vontade de desistir rasteja pelo chão.
Mas olho para os olhos atentos que me observam do alto
e encontro o motivo exato para continuar em pé.

Não posso transformar este refúgio em solidão eterna,
nem deixar que esperem em vão pelo prato cheio da manhã.
Por eles, por mim, seguro os pedaços que sobraram,
atravesso a tempestade e escolho, mais uma vez, viver.