Mia
Era como um copo, não um cheio, apenas um copo meio vazio. No fundo tinha um restinho de água. Alguém esqueceu de beber, ou talvez não quis beber. Ele estava quieto, parado sobre a mesa. Eu fingi que não estava lá, fingi não ver, mas me incomodava... incomodava. Eu joguei na parede, ele quebrou, os cacos se espalharam e furaram meus pés. Doeu. Mas, quando olhei para a mesa, o copo ainda estava lá. Eu tentei tirar uma vez, lavei, coloquei no armário, mas, quando olhei, estava de novo na mesa, no mesmo lugar. Eu sentei no chão em frente à mesa, apenas observei, fiquei encarando. Ele só estava lá, no mesmo lugar. Não importava o quanto eu olhasse, nada mudou. Eu me levantei, fui à floricultura, comprei uma flor, uma rosa, vermelha, bonita, brilhante. Eu completei a água do copo, coloquei a rosa nele. O copo ainda estava lá, ainda me incomodava, mas eu não o observava mais com tanta frequência... Ele virou parte da mobília.
