O apanhador de nuvens de algodão

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Aprender a conviver com os meus demônios foi a maneira de impedir que os meus anjos me abandonassem.

Que o brilho da lua na noite de 31 de outubro não sirva apenas para caçar bruxas, mas também para iluminar as fadas.

Tornamo-nos estrangeiros em nosso próprio corpo quando desconhecemos os nossos limites.

Tal como as árvores frutíferas, o que define o ser humano é aquilo que ele produz.

No silêncio, existe um mundo inteiro que se permite escutar a si mesmo.

Há um hiato ecoando em cada instante, em busca dos sentimentos mais profundos.

A inspiração é a linguagem dos espíritos.

Entre o espaço e o tempo, somos apenas passagem.

O Demônio habita o centeio do whisky, nas nuances de menta que equilibram a doçura da alma e no aroma que desperta a coragem do desespero; na busca pela última gota que não sacia, apenas sufoca.

Entre um passo e outro, deixamos pegadas de poesia pelo caminho.

O tempo leva, o tempo transforma. Somos apenas areia que o vento dispersa.

Quase um diálogo silencioso com as ondas que vêm apagando minhas pegadas na areia, sem me deixar esquecer que, na vida, tudo é passageiro.

O que nasce de nossa imaginação nos resgata desse silêncio profundo.

Envelhecer não é apenas contar os anos que passaram, mas dar sentido a cada um deles.

Nossa mente é como um jardim: aquilo que cultivamos é o que floresce.

Consumi uma vida em meio a enganos, na ânsia de corrigir minhas imperfeições; talvez bastasse deixar a vida seguir seu curso natural.

Se não terminou bem, é porque não terminou ainda.

Sem querer soar piegas, às vezes somos como um bom vinho francês: esperamos que alguém nos encontre para descobrir o que há dentro.

A crença sem consciência é apenas um cálice vazio diante do sagrado.

Ainda com vestígios do inverno,
a primavera chegou.
Mas nem tudo são flores.
Observo, em silêncio, o mundo se transformar,
enquanto procuro compreender
onde me encaixo
nessa eterna metamorfose da vida.

Na dimensão mais rara da alma, a Catedral permanece erguida como uma utopia esquecida entre o tempo e o infinito.

Destino não é apenas o lugar a que chegamos, mas aquilo em que nos transformamos ao longo dessa viagem silenciosa.

Caminhando pela orla de São Vicente, percebi que eu tenho sérios poemas mentais.

As poesias são escritas para evitar espaços vazios em nossos pensamentos.

De fato, naquelas linhas esboçadas, os versos são tão dependentes que basta conceder-lhes existência.