Márcio José dos santos
O corpo agora é apenas a moldura de uma tela , fomos colonizados pelo ruído e hoje assistimos a nossa própria vida como quem olha através de um vidro sujo.
A vida virou um rastro de dados, e o corpo , um endereço onde não mora mais ninguem : fomos despejados de nós mesmos pelo ruído do mundo que acabe na palma da mão.
O lixo digital já programou grande parte da população, roubando suas vidas e tornando-as inquilinas do seu próprio corpo.
A luz incomoda quem vive de sombras . continue brilhando ;a " preocupação " deles nada mais é do que o reflexo do medo que você descubra que não precisa deles para nada .
A injustiça pode até vencer o relógio dos homens , mas não escapa a gravidade do universo : toda ação planta um destino , e o tempo é apenas o solo onde a colheita inevitavelmente amadurece.
O universo não pune, ele apenas devolve. A injustiça é um empréstimo com juros altos: o tempo pode até ser paciente, mas a conta do equilíbrio é inevitável.
Entre um dia e outro, ciclos da vida se iniciam, outros terminam, alguns são aprimorados e outros, procrastinados. E isso não é sobre os dias!
Enquanto a seda e a inteligência exigem o toque, o arame farpado e o humor escrachado exigem o olhar. Assim é a criatividade do mundo moderno.
O esquecimento é o túmulo mais profundo; não preciso de pá ou terra para sepultar alguém vivo, basta que eu não o reconheça no meu silêncio.
Tal como Diógenes, o filósofo cínico, descobri uma riqueza que não se conta em moedas: a sabedoria de não desejar muita coisa. Que venham os "Alexandres " do mundo; eles nada podem tirar de quem já possui a si mesmo.
O bandido do bairro domina a rua, mas o bandido no poder domina a regra. A aliança entre eles é o que transforma o crime organizado em um projeto de poder.
Eu construí meu castelo com as pedras que atiraram em mim,
fiz do silêncio meu elo,
para um novo e forte motim.
Não serei mais o mesmo que antes
eu juro que não serei,
sou agora as minhas variantes
Em tudo que me tornei.
Me reinventei, sim, me refiz
Com a luz que em mim encontrei,
Enfim, me achei, fui feliz,
E para sempre serei.
Mergulhei no teu abismo e descobri que não era queda era pertencimento. Encontrar-me no teu fundo foi, finalmente, deixar de ter pressa de votar a superfície.
A vida é semelhante um rio de águas correntes; em alguns trechos, a pouca profundidade da água impossibilita a passagem com certas bagagens.
O fundo do poço é apenas um lugar momentâneo: um pit stop que a vida nos impõe para sairmos abastecidos e de pneus novos.
A decepção é o desmanche de um castelo que só existia em nós. Ela dói porque é o ego perdendo uma aposta para a realidade.
O meu amor tem calor de Saigon e a paz do teu sorriso, Saigon que ora é verso cantado, ora é o destino vívido.
