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Carolina Marinho

Encontrados 12 pensamentos de Carolina Marinho

Quando eu era pequena, meu primo pegou uma rolinha machucada e levou pra casa pra cuidar. Ele sabia que eu era apaixonada por animais, e me mostrou assim que chegou em casa.
Nós colocamos ela na gaiola até ela se recuperar.
No dia seguinte ela morreu enforcada tentando sair da gaiola.
Ela se matou tentando se libertar.
Não se prende um pássaro que conhece a liberdade, imagina um povo inteiro.

Dias de sol no inverno são um gatilho

Um fenomeno anti natural

Um ciclo dentro de outro ciclo

Que anunciam que a minha primavera chegou, bem no meio do inverno

As borboletas voltam para o meu jardim

E eu sinto que posso ser feliz de novo

São meus dias preferidos

Os dias que me lembram que eu posso suportar tudo, pq sempre vão haver dias de sol no inverno

E nesses dias nem o sol e nem o vento gelado me machucam

Surto


Eu sabia.
Eu sabia.
Mas o saber não segurou a porta
quando a mente resolveu sair correndo.


O surto não chega gritando,
ele chega convencido.
Diz que agora vai,
que dessa vez precisa falar,
que o silêncio já venceu vezes demais.


E eu assisto.
De dentro.
De fora.
De um lugar estranho
onde ainda existe consciência,
mas não existe freio.


Eu falo.
Eu exponho.
Eu rasgo o que eu mesma costurei com cuidado
em dias de lucidez emprestada.


É desesperador
morar num corpo que não obedece,
num pensamento que se auto-sabota
em tempo real.


É como se eu fosse
a câmera de segurança
de um assalto cometido por mim mesma.
Grava tudo.
Não impede nada.


Depois vem o cansaço.
Esse cansaço antigo,
que não é físico,
é ontológico.
Cansa existir dentro de uma mente
que sabe demais
e controla de menos.


Eu volto pra mim aos poucos,
como quem retorna de um incêndio
carregando o próprio nome chamuscado.
Ainda sou eu,
mas com cheiro de fumaça
e a vergonha silenciosa
de quem viu tudo pegar fogo
sem conseguir apagar.


O surto passa.
Eu fico.
Com a memória do estrago
e a pergunta que nunca cala:


— como é possível estar tão consciente
e ainda assim tão ausente de si?

Inserida por madcarolina

Eu quero fugir
Das idéias
Eu quero ir pra longe dos pensamentos
Que me cercam de certezas obscuras


Eu não quero mais entender
Alguém me leve de volta, quando eu podia escolher um lado
Meu lado agora é sob os escombros morais
que antecedem a ruína material


Me sinto doente em saber, e em não saber
Estou rouca de tanto gritar no silêncio, e não ser ouvida
Me sinto doente em saber
que existe uma conveniência em tudo isso
e que isso me torna doente e o mundo são


Me assusta o diagnóstico certo, da doença que me assola a alma
Mas sinto que se eu me curar, eu estaria mais doente ainda
A idéia de aceitar ou conviver com essa realidade
transforma a minha loucura na sobriedade mais avassaladora que eu já senti


Escrevo na esperança de não me engasgar com as palavras
um engasgo mental, quase fatal
De tudo que me assola e me atormenta
Escrevo, no fundo, para que eu nunca deixe a loucura perdida
e me torne alguém saudável
nesse mundo doente

Inserida por madcarolina

Muito se fala sobre a auto multilação, mas pouco se fala sobre a auto humilhação


Quando tudo que vc tem te humilha, e você já criou consciência disso, mas vive num estado de paralisia, onde você não sabe como sair, e escolhe ficar a ter que lidar com seu próprio vazio.

Deus é a nossa evolução.
O amor é a revolução.

Eu sei que sou incômoda.
Eu sei que não sou fácil.
Eu sei que ser eu cansa.


Mesmo assim, eu fico.

Quando o filme da sua vida passar, vai ser um curta, meia ou longa metragem?
Eu espero que se não for um longa, que seja digno de um oscar.

Eu tentei ser compreendida
Tentei me encaixar
Mas as pessoas não conseguiam me enxergar E nem me escutar
Eu tentei mudar o tom
Troquei as roupas
Fiz o que pude, e o que não pude
Para ser compreendida e aceita
Mas nada foi o suficiente.
E eu entendi, que não existe demérito em não ser compreendido, o demérito é não compreender.

Inserida por madcarolina

Aquele que tem ouvidos, ouça


Não foi a maldade que mais me feriu.
Foi o acordo silencioso.


Foi ver mãos limpas
assinando pactos sujos
com a desculpa de que
“não havia escolha”.


Foi a violência vestida de normalidade,
o horror usando crachá,
a crueldade sentada à mesa
falando baixo
para não incomodar.


Não foi o grito do tirano
que me dilacerou.
Foi o coro dos neutros
afinando o silêncio
por medo de perder lugar.


Eu vi pessoas boas
negociando a própria alma
em parcelas pequenas,
chamando de sobrevivência
o que já era rendição.


Vi a mentira virar método.
Vi o interesse virar ética.
Vi a conveniência ser chamada de prudência.


E ninguém sangrava visivelmente,
por isso diziam que estava tudo bem.


Mas eu senti.
No corpo.
No peito.
Na garganta que treme
quando tenta dizer o óbvio
e descobre
que o óbvio virou heresia.


A maldade não venceu porque era forte.
Venceu porque foi aceita.
Porque parecia útil.
Porque dava lucro.
Porque protegia quem fechava os olhos.


E eu, que não aprendi a cegar,
carrego esse peso estranho:
ver demais,
sentir demais,
e ainda assim continuar aqui.


Não me chamem de dramática.
Não me peçam calma.
Não me peçam silêncio.


Eu não falo apenas para não morrer por dentro.
Eu falo porque acredito
que a voz não nasce
para ecoar sozinha.


Eu falo na esperança
de que algum ouvido reconheça o som
como quem reconhece um chamado antigo
e descubra, perplexo,
que também tem voz.


Eu falo porque sei
que a coragem não começa no punho.
Ela começa no peito,
quando alguém decide
não se esconder mais atrás do medo.


Não quero exércitos.
Não quero tronos.
Não quero vingança
vestida de justiça.


Quero gente em pé.
Inteira.
Com o coração exposto
e a consciência desperta.


Quero que os justos se levantem
não para destruir,
mas para não ceder.
Não para odiar,
mas para não negociar a alma.


Que se levantem com amor —
esse amor difícil,
que não passa pano,
que não mente para proteger privilégios,
que não chama covardia de prudência.


Que se levantem com coragem —
não a coragem do grito,
mas a coragem diária
de dizer “não”
quando o mundo inteiro diz
“é assim mesmo”.


Se minha voz encontra um ouvido,
que esse ouvido vire voz.
Se essa voz encontra outra,
que vire coro.


Não um coro de guerra,
mas um coro de presença.


Porque o mal prospera no escuro,
mas treme
diante da lucidez
que não se deixa comprar.


Eu falo porque ainda espero.
E enquanto houver esperança,
há humanidade tentando nascer
outra vez.

Inserida por madcarolina

A Aranha


Não era a aranha.
Era o fio invisível
que me prendia há anos
no mesmo canto do quarto.


A aranha só apareceu
quando o cansaço já tinha nome,
quando o corpo já vivia
em modo de vigília permanente,
como se a paz fosse um boato.


Ela não ameaçava —
eu é que já estava ferida.
Ela não atacava —
eu é que vinha lutando sem armas,
no escuro,
há tempo demais.


A aranha virou símbolo:
do medo que não dorme,
do pensamento que insiste,
do dia que apaga o pouco de luz
que tentou nascer.


Eu não queria o fim.
Eu queria descanso.
Queria um lugar onde o peito
não precisasse se defender o tempo todo.
Queria existir
sem estar sempre aguentando.


E alguém gritou “levanta”,
como se levantar fosse simples,
como se coragem curasse exaustão,
como se a dor tivesse botão de desligar.


Mas ali, naquele instante,
o que me salvou
não foi a vassoura,
nem a força,
nem a razão.


Foi o fio mais frágil de todos:
ser vista.
Ser ouvida.
Permanecer.


A aranha ficou.
O medo também.
Mas eu fiquei mais um pouco —
e, por enquanto,
isso basta.

Inserida por madcarolina

A Profecia


A profecia não vem do futuro.
Ela nasce no corpo cansado
De alguém que aprendeu a prever dor
para não ser surpreendido.


Ela se veste de certeza,
fala firme,
diz: “vai acontecer novamente”,
“a paz não dura”,
“algo sempre vem”.


Mas a profecia não é vidente.
Ela é exausta.


Ela olha para trás
Para todas as noites atravessadas,
Para todos os medos acumulados
e chama memória de destino.


Quando o descanso falta,
a mente constrói mapas de medo.
Não para te enganar,
mas para te proteger.
Ela prefere anunciar a tempestade
a permitir a esperança de um dia de Sol.


A profecia não quer te matar.
Ela quer te poupar.
Ela acredita, ingenuamente,
que se você não esperar nada,
nada poderá te ferir.


Mas ela erra.
Porque confunde repetição com eternidade.
Confunde “aconteceu muitas vezes”
com “acontecerá para sempre”.


A profecia do cansaço é convincente
porque fala alto quando você está fraca.
Ela não precisa gritar —
basta repetir.


E ainda assim…
ela não é lei.
Ela é sintoma.


Quando o corpo descansa,
a profecia perde a voz.
Quando a dor é dividida,
ela fica menor.
Quando alguém fica,
ela vacila.


Talvez hoje
você não consiga ignorá-la.
Tudo bem.
É cansativo agora.


Hoje basta saber isto:
profecias também vacilam.
E algumas só existem
até alguém segurar sua mão
e dizer:
“isso não é o futuro —
é só o agora pedindo descanso.”

Inserida por madcarolina