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Lulena

201 - 225 do total de 233 pensamentos de Lulena

ALUCINAÇÃO OU VISÃO
(A libertação pelos respingos da cruz)


Vi o holocausto
e a natureza morta entre pedregulhos.
Nasceram ervas daninhas,
e me alimentei do ar, da água, da terra…
Sombras do tempo envoltas em mistério,
sem presente, passado ou futuro.
Fui rastejando
nesse filete de luz letal
que delineia os córregos
como lanterna na minha escuridão…
Mergulhei em lágrimas,
naufraguei no fundo do estuário.
Nesse cenário inglório
— pálida e sem vida —
ouço anjos tocando harpa
num inferno sem calvário.
Atordoada, louca e sem noção,
vejo minha alma levitando no espaço
enquanto meu corpo decompõe-se no chão.
Nessa caótica alucinação,
abro os braços e vejo Jesus.
No rosto, respingos do sangue sacro:
a paz me resgata,
e enfim me liberto.
Abro os olhos e desperto!


Lu Lena / 2026

Inserida por Lulena

​O HORIZONTE DA INÉRCIA
(Entre o bater de asas e o silêncio da gaiola)

​A vida é tão complexa e, ao mesmo tempo, simples e natural como o pássaro que voa... O diferencial é que o pássaro pode não ser mais visto, ou pode ficar preso na gaiola por não saber voar, condicionado a essa prisão.
​Assim como as circunstâncias de nossa existência, que não se explicam: a gente observa e as deixa apenas voar, ou elas ficam aprisionadas por nosso comodismo.

​Lu Lena / 2026

A alma dos diferentes é feita de uma luz além.

2 de Abril é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, as palavras de Artur da Távola nos lembram que a neurodiversidade não é um "quebra-cabeça a ser montado", mas um universo a ser compreendido e respeitado. 🧩

É preciso recordar que a criança autista cresce; adultos existem, mas são frequentemente esquecidos.
​Como diz o poeta, a alma dos diferentes é feita de uma luz além... 💫

E é nesse "além" que se encontram os autistas adultos, muitas vezes caminhando de mãos dadas com mães que carregam sozinhas uma lanterna na mão.

​Ser diferente é carregar tesouros de ternura que nem todos conseguem enxergar de primeira. Mas o reconhecimento falha quando a mãe atípica deixa a lanterna cair pelo peso da exaustão.

Que possamos abrir nossos olhos e corações para que essa luz e essa lanterna se transformem em acolhimento, apoio e empatia.

​Mais do que conscientizar, precisamos incluir e amar. Que a sociedade não nos entregue apenas a lanterna para continuarmos o caminho sós, mas que ela seja, finalmente, a própria LUZ. 💡

Lu Lena /2026

​O PESO SAGRADO DAS ASAS
(Dia Mundial da Conscientização do Autismo)🧩

​"Um anjo pergunta a Deus:
— O que é um autista?
E Deus lhe responde:
— É um de vocês que permito descer à Terra!"
(Lu Lena)

​Essa frase está no portal Pensador e é bem anterior a essa minha nova versão. Procurando nesse acervo para postar no dia de hoje, me veio esta reflexão:

​Dizem que, ao permitir que um de Seus anjos desça à Terra, Deus sabe que a gravidade do mundo pode ser dura demais para quem só conhece a leveza do céu. Às vezes, o ar daqui se torna denso, o barulho se torna ruído e as asas desse anjo, antes feitas de luz e brisa, começam a pesar.

​Quando o voo se torna difícil e o cansaço ameaça o caminhar, ocorre um fenômeno silencioso e sagrado: Deus não retira o peso; Ele apenas muda o lugar do apoio. Ele retira as asas das costas do filho e as acopla, com cuidado infinito, nas costas da mãe.

​É por isso que, muitas vezes, o mundo enxerga nessa mãe uma exaustão que parece não ter fim. Não é apenas o cansaço do dia a dia ou das noites mal dormidas; é o peso físico e espiritual de carregar dois pares de asas.

Nós, mães atípicas, caminhamos com a responsabilidade de manter os pés de nossos filhos no chão enquanto sustentamos, sozinhas, a possibilidade de que, um dia, as mãos deles ainda possam tocar o céu — e as nossas também.

​Lu Lena / 2026

​PLENITUDE DE CRISTO
(​Transformando o vazio da alma na certeza da vitória que venceu o mundo)

​Cuide de você; você é um ser único. É essência divina e veio ao mundo com um propósito.
​Não tenha medo do "nada". O vazio não encontra espaço onde o Espírito Santo já fez morada.
​Confia, entrega e descansa na promessa:
​"No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo." — João 16:33
​Se Jesus venceu, você também pode. Sinta-se abraçado(a) por essa verdade!

Lu Lena / 2026

​REVÉRBEROS NA ESCURIDÃO
(​O despertar entre o estuário e a luz letal)

​Vi o holocausto e a natureza morta entre pedregulhos;
nasceram ervas daninhas e me alimentei do ar, da água, da terra…
Sombras do tempo envoltas num mistério obscuro,
sem presente, passado ou futuro.
​Fui rastejando nesse filete de luz letal
que vai delineando os córregos, como lanterna
que clareia a minha escuridão…
​Mergulhei em lágrimas e naufraguei no fundo do estuário;
e nesse cenário inglório, onde me sinto fraca e fugidia,
pálida e sem vida, ouço anjos tocando harpa
num inferno sem calvário.
​Completamente atordoada, em plena suspensão,
vejo minha alma levitando no espaço
e meu corpo decompondo-se no chão.
​Vejo revérberos de almas se esbarrando na escuridão.
​Num sobressalto, acordo...
E já não sei se foi a morte ou a vida
que me despertou dessa caótica alucinação.

Lu Lena / 2026

​LÁPIDE DA ALMA
(​A peregrinação final da saudade)

​Nas lágrimas que borram o céu altivo,
vejo a lua que chora, triste e sombria;
as estrelas, espremidas e sem brilho,
na trágica sina de minha melancolia.
​No vão oco e obscuro de minha incoerência,
busco-te num coração flagelado e de luto;
perambulando em busca de minha existência,
sou peregrina enclausurada num reduto.
​Teu sorriso disperso na luz do luar eu vi...
sigo nesse destino que congela e paralisa,
nesse arrebatamento transfigurado em ti.
​Saudade enegrecida que causa tanto tormento,
círculo vicioso que entorpece e me agoniza…
Diante da lápide, minhas lágrimas borram o teu retrato,
e o vazio, enfim, em mim se eterniza.

​Lu Lena / 2026

​GRITO NA ESCURIDÃO
(​Entre o pesadelo e a redenção)

​Meu grito ensurdecedor,
abafado e ganido...
Minhas lágrimas doridas,
trancafiadas na garganta,
secas, espremidas num
coração corroído...
Sem forças e aflita,
rastejo-me...
Na lama fétida e fria,
meu corpo enfraquecido
lentamente sinto...
As pálpebras que fecham.
​Pergunto a mim mesma:
Morri, será?
Ou apenas mais um pesadelo
interminável, na tentativa
estúpida e inócua de
encontrar-te nessa vida?
​Estou cansada, novamente
entrego-me à mercê dos seres
que zombam de minha dor...
Impossível nesse lamaçal
encontrar você, meu amor...
​Olho para meu corpo e não
o reconheço...
Dou voltas num poço fétido,
imenso...
​Sim, a luz eu vejo, o clarão!
Teu rosto disforme vejo
na imensidão...
Nesse devaneio, por alguns
instantes, seguro tua mão...
​Imploro-te!
Tire-me desse vão
onde você me colocou sem
dó e perdão...
Mate-me de vez,
então...
Para que meu grito
ecoe na escuridão...

​Lu Lena / 2026

​JANELAS ABERTAS

​Abri a janela e o vento bagunçou meus papéis. Os versos caíram, mas o mofo do passado voou com a correnteza. Respirei o aroma de flores. Juntei as letras e, hoje, a poesia sorri para mim.

Lu Lena / 2026

​O ECO DO VILAREJO
(​Fragmentos de um tempo de Outrora)

​E a flor se abriu em rosa ao longe, muito longe, ao som do realejo. Anjos do vento trouxeram-me os sonhos que deixei em tempos de outrora naquele vilarejo. Desperto e o que vejo, apenas o rastro do que foi, uma memória que flutua na fresta da janela: que são as pétalas encurvadas dançando com o vento.

​Lu Lena / 2026

O INTERDITO DO SER
(​Quando a resiliência se torna uma cela invisível.)

​Muitas vezes possuímos a força necessária, mas enfrentamos circunstâncias tão adversas que nos retiram o direito ao sentir; há uma interdição externa que nos nega essa permissão.

​A vida vai passando, e os ponteiros do relógio parecem cavalos selvagens correndo na praia deserta, com sede urgente de um oásis. São como os dias que nascem e morrem: às vezes nos exigem o encilho, mas em outros nos negam o fôlego.

​Então, erguemos castelos de resiliência sobre terrenos movediços, dunas disformes e mares agitados. Sob o peso do dever, os ombros aprendem uma postura que não admite o tremor.

Temos, inevitavelmente, a força — essa força bruta, quase descomunal, que nos mantém de pé quando tudo ao redor desmorona. Mas é uma força solitária que ninguém vê; só a gente sente e observa, desprovida de alento.

​As circunstâncias são como carcereiras invisíveis que impõem o silêncio aos nossos afetos. É a pressa do mundo, o rigor do papel que desempenhamos, a interdição de quem nos olha esperando apenas a solução, nunca o cansaço. O mundo nos aplaude a armadura, mas ignora a pele que pulsa por baixo dela.

​Negam-nos a permissão. Dizem que o sentir é um luxo para tempos de bonança, um desvio de rota para quem tem pressa em chegar. E assim seguimos: fortes por fora, mas com um deserto de palavras não ditas por dentro. Pois a dor que não encontra o direito de ser sentida não desaparece; ela apenas se acumula nas frestas da nossa estrutura, esperando o dia em que a força, finalmente, se canse de ser apenas pedra e reivindique o seu sagrado direito de pulsar.

​Porque a vida, tal qual uma vertente de rio, não foi feita para ficar represada em armaduras; ela nasce para contornar obstáculos e, enfim, desaguar no sentir.

Lu Lena / 2026

​O RITUAL DAS MÃOS LIMPAS
(A reconstrução da essência)

​Às vezes me pego pensando no tempo; olho o relógio que teima em ficar torto no armário da cozinha. Estou sempre endireitando-o, como se ele captasse minha inconstância entre o despertar e o anoitecer.

Houve uma época em que acreditei que o vazio daquela dor seria um inquilino permanente. Ela ocupava os cantos da casa, sentava-se à mesa e, silenciosamente, projetava uma sombra que parecia maior do que minha própria estatura.

Foi um período de invernos internos, onde o sofrimento não era visitante, mas o cinzel que, golpe após golpe, removia o que eu julgava ser essencial.

​Foi uma caminhada de olhos vendados; eu só via a terra árida, como em um deserto sem oásis. O que eu não sabia, enquanto as feridas ainda estavam abertas, é que aquele mesmo cinzel esculpia a mulher que vejo hoje no espelho.

Talvez não fosse apenas dor, mas a mágoa e a incredulidade de percorrer tal caminho. Com uma ironia cruel, esse processo me quebrou, mas também me reconstruiu, fortalecendo minha essência e dignidade.

​Mas chega o dia em que a maturidade nos ensina que tudo passa; até a sombra na memória torna-se um fardo inútil. Olhei para o passado e vi o rastro que ficou — linhas mal traçadas num bloco de anotações que insistiram em projetar esse "risco" na minha jornada.

Por muito tempo, tentei justificar ou curar o que não me pertencia. Hoje, o silêncio substituiu o lamento.
​Em um gesto quase litúrgico, faço como Pilatos: lavo as minhas mãos.

Deixo que a água leve os resquícios daquela influência, o peso e a poeira dos dias em que me senti pequena. Não há ódio, pois o ódio ainda é um vínculo; há apenas a indiferença da libertação.
​Sigo sem olhar para trás.

A sombra ficou onde as luzes não chegam e eu, finalmente, descobri que o idioma da minha pele agora só traduz liberdade. Volto a olhar o relógio torto na parede que, ironicamente, parece entender o que sinto.

​Foi naquela terra de chão batido que fui plantada. Deixei de ser raiz seca para me tornar árvore frondosa, cujos galhos são como braços enormes e as folhas como dedos de Deus. Observando o dia nublado — cinza como aqueles dias de outrora —, vou até a pia, respiro fundo e encaro o espelho:

​"Sei que, às vezes, posso parecer louca, mas é exatamente nessa insanidade que meus pensamentos revelam que hoje sou completamente sã."

​Num ato profético, repito o gesto de Pilatos e, definitivamente, saio de cena.

Lu Lena / 2026

O sorriso muitas vezes é o abraço que a alma gostaria de receber.

Lu Lena / 2026

​A PRIMEIRA CORDA BAMBA
(​Entre o cordão umbilical e o aprendizado da queda.)

Nascemos em uma corda bamba chamada cordão umbilical. Caminhamos entre acertos e erros e, até encontrar a perfeição, levaremos muitos tombos; o equilíbrio exige muita disciplina.

​Lu Lena / 2026

TERÇO DA INTUIÇÃO
(Um Caminho de Luz em Cinco passos)

​A oração é um diálogo livre, e hoje compartilho com vocês a forma que fui intuída a rezar o meu terço. Nele, cada mistério é um passo por um caminho de luz:

​🌍 1º Mistério: Pela humanidade, pedindo cura e conforto para todos os corações.

​✨ 2º Mistério: Aos meus santos devotos, anjos e arcanjos, honrando minha rede de proteção.

​♥️ 3º Mistério: Pela minha família e amigos, o alicerce do meu caminhar.

​🙏 4º Mistério: Por mim, pedindo sabedoria e perseverança na minha fé.

​💙 5º Mistério: À todas as denominações de Maria, que se unem num só manto de amor.

​Rezar assim me traz paz. E você, já experimentou falar com o sagrado do seu jeito? 📿✨

​Lu Lena / 2026

O VALOR DO QUE É ETERNO
(Homenagem Póstuma Rita Lee)


​Existem palavras que a gente escreve e que ganham asas próprias. Hoje, decidi fazer um resgate de um momento que foi um verdadeiro divisor de águas na minha trajetória literária.


​Os que estão me conhecendo agora talvez não saibam, mas essa frase de minha autoria — que nasceu no início das minhas publicações aqui no site Pensador que acabou atravessando fronteiras que eu jamais imaginei.


​Em maio de 2023, durante a despedida da nossa eterna Rita Lee, essas palavras foram escolhidas pela atriz Isis Valverde, para prestar uma homenagem póstuma que repercutiu em veículos como a Revista Caras.


​"O que importa é o talento que vem da alma, o corpo é perene e em breve se desfaz... a alma se perpetua na imortalidade!"


​Mesmo após algum tempo, faço questão de trazer esse registro novamente. Primeiro, porque a imortalidade da alma e do talento (como o da Rita) nunca sai de moda. Segundo, para reforçar que cada micro-conto, cada crônica e cada verso que compartilho aqui carrega essa mesma verdade e dedicação de anos.


​Agradeço a cada um que faz parte dessa jornada comigo, desde o início ou desde agora.


Lu Lena / 2026

​O PALCO DO SILÊNCIO
(​Quando a maturidade dispensa a plateia)

​Às vezes, o despertar da maturidade se esconde atrás de um ruído que só tua alma escuta. E, nessa evolução, o teatro está vazio: apenas as luzes da ribalta acesas e as cortinas fechadas, para que esse barulho interno que ressoa no anonimato seja como aplausos no palco de tua existência.
​O espetáculo não precisa começar, pois a peça já estava escrita.

​Lu Lena / 2026

​INFÂNCIA

​Terra molhada,
Chão batido da estrada...
Vem o petricor.

​Lu Lena / 2026

METÁFORA DA EXISTÊNCIA

​A vida é a linha que tem que passar pelo buraco da Agulha.

Lu Lena /2026

​O SOM DAS CASCAS SOB OS PÉS
(Os desafios invisíveis da maternidade atípica)

​Ser mãe atípica é viver em um território de incertezas: nunca sabemos quando o vento da crise vai soprar, mas sentimos quando ele balança o nosso chão.

​É caminhar constantemente sobre ovos, sentindo o estalo delicado de cada um sob os nossos passos. Viver nesse universo é desafiar a lógica: é tentar acolher as cascas que se esfarelam e montar um quebra-cabeça cujas peças parecem ganhar novas formas a cada dia.

​Não há trégua, não há mapa. Resta-nos o silêncio das lágrimas que secaram, enquanto aguardamos, com o coração alerta, o próximo estalo.

​Lu Lena / 2026

CHÃO E CÉU
​(A plenitude de uma caminhada entre dois mundos)

​Só pelo simples fato de poder ter vivido, caminhando às vezes com um pé no chão e uma mão no céu, já valeria a pena fechar os olhos e adormecer na eternidade.

​Lu Lena / 2026

Inserida por Lulena

​CHÃO E CÉU
​(A plenitude de uma caminhada entre dois mundos)

​Viver é caminhar, às vezes, com um pé no chão e uma mão no céu. E quando fecharmos nossos olhos e adormecermos na eternidade, veremos a luz que nos guiou nessa efemeridade terrena, porque é a mesma que nos soprou o fôlego da vida.

Lu Lena / 2026

​O GALOPAR DO TEMPO


​Um dia de cada vez e o ano termina num dia.


​Lu Lena / 2026

​A BRAVURA ALÉM DO HORIZONTE
(Onde a maioria silenciosa é gigante para erguer o mundo azul)

​Às vezes, nosso olhar só vê a coragem como um ato solitário de ser minoria, mas não enxerga além — naquele horizonte azul no infinito — onde existe uma bravura absurda naquelas maiorias silenciosas que enfrentam o impossível todos os dias.

​Lu Lena / 2026

​EQUILÍBRIO DO INVISÍVEL

​Não tenho segurança do nada, mas Deus me sustenta no tudo.

Lu Lena / 2026