Luciano Caettano

1 - 25 do total de 41 pensamentos de Luciano Caettano

[ ABORTO ]

Diante da gravidez indesejada,
a jovem desesperada diz a si mesma:
“Minha mãe vai me matar!”,
então escolhe o caminho
que lhe parece mais fácil,
o aborto.

Lá dentro do útero,
se pudesse se expressar,
o filho também diria:
“Minha mãe vai me matar!”,
mas a escolha não lhe cabe,
está morto.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ A POMBA BRANCA FERIDA ]

Sob o jugo do governo bandido,
está tomado de refém
o povo subjugado.

São vidas excluídas,
que povoam as periferias,
que os olhos abertos
fingem não enxergar.

São vítimas desassistidas
pela trágica política,
que faz roleta russa
da vida desvalorizada.

Miséria nas encostas dos morros,
neosenzalas no cenário da cidade,
favelas-quilombos de concreto
e madeirite, lar de quem resiste
em meio a tons de liberdade.

Reduto de vidas frágeis
e sonhos destruídos.
A pomba branca está ferida
e sem o ramo da vida em seu bico pálido.

Lá, o futuro nem é conjugado,
a paz é só um ensaio barato,
assombrada pelos demônios de chumbo,
que cortam os céus em fagulhas
com seus destinos fatais.

Lá, a lei é diferente:
todo mundo é culpado
até que se prove inocente.

Pobres humanos...
Sem voz, sem vez, só voto.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ ADMIRÁVEL VIDA PARALELA ]

Era uma vez uma lagarta
que rastejava, ao deus-dará,
solitária e desimportante,
pelo chão.

O olhar alheio a condenava.
“Que bicho feio!” - alguém apontava.
Muita repulsa
e tão pouca compreensão.

Seguia ela, um tanto desgostosa,
sem câmera, luz e ação,
carregando um estereótipo imposto,
que terceiros julgavam fora do padrão.

Mas a natureza, em sua misteriosa sabedoria,
havia de reservá-la melhor sorte,
certo dia, brotaram-lhe asas, cores, encanto,
era a sua metamorfose.

De repente, alçou voo o inseto alado,
voou e voou, deixando a todos admirados.
“Tudo ao seu tempo”, nos ensinou ela.
Admirável vida paralela!

Luciano Caettano

[ ARMADILHAS DO EGO ]

Ela faz perguntas sem esperar respostas.
Ela quer apenas falar,
não sabe ouvir, interrompe.
Sinto-me um terapeuta sem o divã.

Se eu tento contar algo,
ela começa a falar antes deu concluir
o raciocínio, num misto de carência
e falta de educação. É frustrante!

As minhas histórias são sempre menos
engraçadas e empolgantes.
Se digo que fui ao Beto Carrero,
ela diz que foi à Disney e pulou de bungee jump.

Os meus problemas são sempre menos graves.
Se digo que estou com dor de cabeça,
ela diz que sofre de enxaqueca, e blá-blá-blá...
Não dá para ganhar nunca!

Então, deixo aqui o meu protesto:
abaixo a essa gente morna,
presa nas armadilhas do ego,
com seu olhar cego
e audição que só adorna!

Luciano Caettano

[ CARGOS DE CONFIANÇA ]

Qualificação profissional quase nula;
verdadeiras aberrações, em disfarçada
lida, que a iniquidade adula.

Atividade contraproducente
de gente decorativa e preguiçosa,
com sua mão-de-obra cara, que trabalha ociosa.

Pobreza curricular que não lhes garantiria
nenhum emprego importante
na atividade privada.
E de privada fazem o serviço público!

Para sorte deles, e nosso azar,
a Administração Pública estende as tetas
dando-lhes de mamar.

Nelas, correm as mãos grandes,
que se apoderam, e depois outras,
que puxam e sugam, até quase secar.

De barriga cheia, estes vão embora,
deixando apenas prejuízos ao erário,
e logo chegam outros despudorados famintos
a cumprir o mesmo itinerário.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ COLORFOBIA ]

Eu sou da cor branca,
o asiático é amarelo,
o índio é vermelho,
mas o preto é negro.

Por quê?

100% negro?
Não! 100% humano!

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ DILEMA ]

Tenho me sentido tão inútil,
tão vazio e frágil,
pareço um espetáculo
sem público.

Sufocado por padrões obsoletos,
nada me agrada. Tudo não faz sentido.
Apenas a imaginação
é minha fiel companheira.

Sou um dilema ambulante, um surto,
um paradoxo situado entre o calado
e o tinido do grito sufocado
da minha mente descrente.

Um peixe fora d’água,
uma carta fora do baralho,
um doutor sem doutorado.

Quem desvendou o caminho para a felicidade?
Que direção tomou, afinal?
Eu vejo placas esparramadas no chão,
becos sem saídas, vidas na contramão.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ DOENTE GOVERNAMENTAL ]

Naqueles recantos de pobreza,
onde não se conhece a bonança,
o prato vazio vive cheio
de suculenta esperança.

No lado oposto da luxúria,
falta o pão de cada dia.
A paisagem retrata a penúria,
onde a morte espreita, desafia.

No decorativo fogão de lenha, panelas vazias.
Não restam nem migalhas doutro dia!
A fome tortura o estômago.
Os filhos choram, e a mãe ouve,
chora também a mãe em melancolia.

Os miseráveis comem o que a natureza dá,
o que a caridade fornece,
milhões passando fome,
enquanto o obeso governo adormece.

A falta de vontade política é farta!
É profunda a apatia direcional,
é difícil o exercício de fé numa ação contundente
do ente governamental.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ HUMANIDADE DESUMANA ]

O ser humano
é frágil, é volúvel,
tenta ser o ser
humano que não é.

Quem é esse ser? De onde veio?
A que veio? Para onde vai?
Por que trouxe tanto egoísmo na bagagem?

A humanidade está em paz,
mas um cão de rua na Europa
é muito melhor tratado que milhões
de seres humanos que estão na África.

Isso não deveria nos incomodar
absolutamente?

Enquanto houver gente morrendo
de fome e de sede,
e não nos apiedarmos disto,
nós nunca seremos humanidade.

Essa nossa humanidade desumana
não me engana.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ INJUSTA JUSTIÇA ]

A Justiça é cega?
Que nada.
Tem olhos de águia!

A faixa que lhe cobrem os olhos,
a venda, está à venda,
e pode custar os olhos da cara!

Sua balança não pesa, traz pesar,
sua espada forjada desfere golpismos
e o seu martelo prega o que não cumpre.
No Olimpo das víboras togadas,
convivem intocáveis os doutores sem pudores
com seus dois pesos e duas medidas.

Sua deusa da Justiça caiu na imoralidade,
transformou-se em acompanhante de luxo;
abandonou a delicadeza do vestido longo,
agora usa saia curta, decote acentuado,
e sandália de salto fino. Os cifrões lhe atraem;
vive de promiscuidades com gente poderosa.
E nós pagamos a conta dessa indecência.

Essa Justiça, do faro apurado, não é cega,
ela só não quer ver as injustiças
que lhe saltam aos olhos.

Luciano Caettano

[ LÁGRIMAS ]

Ao verter a lágrima, desliza límpido
o líquido sentimental.
Viaja, em porções inestimáveis,
a expressão íntima de cada um.

De repente, cúmplice da fragilidade da vida,
ela se materializa e abandona os olhos.
Por isso, se uma imagem vale mais que
mil palavras, uma lágrima sincera
vale mais que mil imagens!

Não à toa é incolor,
pois se faz transparência,
indo além do que se vê.

A saudade costuma evocá-la,
vem tímida ante a beleza
e escorre durante a gargalhada.
É nossa companheira
do início ao fim da jornada.

A lágrima é seiva poderosa,
que alivia e acalma,
lubrifica e limpa os olhos,
e aquieta a nossa alma.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ MEDÍOCRES ]

O olfato dos ursos,
a audição dos morcegos,
a visão das águias,
a velocidade dos guepardos,
a resistência dos pinguins ao frio congelante,
a capacidade de apneia das focas,
o salto em altura dos cangurus,
a resistência dos dromedários ao calor extremo,
a força física do gorilas...
Em tudo isso, esses animais
se sobressaem aos humanos.

O nosso grande trunfo é poder raciocinar.
Uma capacidade que muitos de nós
não têm sabido utilizar.
E é do alto dessa mediocridade toda
que o ser humano quer compreender
a natureza íntima de Deus?
Quanta presunção!...

Com nosso espírito mergulhado
no charco lodoso dessa matéria grosseira,
as nossas faculdades estão limitadas,
tão ofuscadas quanto à livre irradiação da luz
em relação ao vidro opaco; respeite o seu estágio.

Luciano Caettano

[ NOVÍSSIMO MANDAMENTO ]

Não cobiçarás a mulher do teu próximo,
nem a mulher da tua próxima,
nem o homem do teu próximo,
nem o homem da tua próxima.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ O CÉU NA ESCURIDÃO ]

Numa noite fria e estrelada,
eu caminhava por um trieiro
no campo da roça tracejado.
Minha lanterna era a lua prateada.

Ao redor, a natureza se expressava:
tritinavam os grilos, coaxavam os sapos,
e uma pequena corredeira
por ali deslizava.

Ia eu, olhos de gato e ouvidos abertos,
ante a beleza traiçoeira da natureza.
Passei por entre a cerca de arame farpado
e cheguei numa estradinha de cascalho.

Cansado, sentei-me no chão
e comecei a admirar as inúmeras estrelas
que cintilavam naquela vasta imensidão.
Obra de um Regente inigualável!

Naquele instante,
com o divino eu estava em comunhão.
Meus olhos admirados marejaram.
Nunca mais esqueci do dia que eu percebi
que o céu na escuridão pode ser notável!

Luciano Caettano

[ PSICOPATA ]

Como pode um ser tão encantador,
tão metódico e envolvente,
revelar-se alma de serpente?

Um sádico ator da vida real,
da vida assassina,
que sorrindo mente.

Sedutoramente inteligente,
fala de amor sem nunca ter amado.
Como pode ser tão dissimulado?

É a própria personificação da mentira.
Remorsos? Nem sente.
E ainda brinca de ser Deus.

Ei-lo psicopata,
alma penada,
que tem na maldade o seu furor.

Diante dele, o convívio social se esvai em desgraça,
nesse nosso destino de ser a caça
sendo ele o caçador.

Luciano Caettano

[ SOL DADO DO MUNDO ]

És um ser luminoso,
centeia divina,
a imagem e semelhança,
a luz que ilumina.

Nobre convidado celestial,
de constituição complexa,
do invólucro perene
e conteúdo imortal.

És um sol humano,
viva esperança,
um dado não viciado e fecundo,
um sol dado do mundo!

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ SONHAR ]

Que fazemos quando dormimos?
Que são os sonhos?
Não seria desperdício de tempo
passar um terço da vida dormindo?

O ser humano é um espírito
imortal aspirando por libertação.
Quando a gente dorme,
extasiado, o espírito se desprende,
abrem-se os horizontes,
a visão se expande,
a audição fica aguçada,
é uma espécie de lucidez universal
que se estende a tudo,
e para a qual não há trevas,
nem obstáculos materiais.

A nossa essência é espiritual,
então a gente vive enquanto dorme
e vai morrendo quando acorda.

O sonho é o portal que nos permite
contatar os amigos celestiais,
é a lembrança do que
o espírito viu durante o sono.

Quer saber como é morrer?
Durma e sonhe.
O sonho é a prévia perfeita da
vida após a morte corporal.

Por isso, dormir é vital!
Sonhar transcende!
Mas noites em claro podem alucinar.

Alucinações são sonhos
com os olhos abertos.

Luciano Caettano

[ POBRE FAMÍLIA RICA ]

Pensa que o dinheiro
é eficaz consolação.
Pobre família rica,
infeliz e desconsolada.

Mergulhada na água suja da ganância
e duma ilusória competição,
é constituída por pessoas altas
e de caráter baixo.

A sua casa grande e espaçosa
vive cheia de gente vazia,
apegada ao supérfluo,
em franca crise existencial.

Eles não têm intimidade,
comem nos quartos,
viajam separados,
valorizam mais os de fora.
Dão coisas, mas não se dão.

Lar amargo lar do cada um por si,
do materialismo sempre candente,
onde usou, descartou,
o lixo e a gente.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ TRIBUNAL VIRTUAL ]

Eu, magistrado virtual sem Juízo,
e longe de qualquer ameaça física,
deixo extravasar o usuário-julgador
que a democracia tornou-me empoderado.

No meu tribunal virtual, ajo feito um
voyeur-tarado do comportamento alheio.
Eu busco as minhas causas.

Como juiz, sinto-me endeusado e sem fronteiras,
um democrata reacionário,
uma espécie de pode-tudo,
com poderes de censor e de libertário.

No meu ofício, rolo a página com olhar policialesco.
Sou prático: leio apenas a manchete,
vejo uma imagem isolada,
um comentário fora de contexto
e mesmo assim os julgo. Sou intransigente!

Esses dias fiz uma postagem
e algumas pessoas discordaram de mim.
Achei estranho.
Será que estão me julgando?!
Preciso deletar essa gente!

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ SUFRÁGIL ]

Durante a votação-velório,
conduzo o meu voto-cadáver
ao sepulcro eleitoral.
Enlutado, visto preto para o ritual.

A urna-eletrônica-mortuária
recolhe as cinzas da minha esperança,
que vai depositada nas promessas
dos santinhos sem santidade.

Em poucas horas, faz-se a apuração
[sem depuração], e o TSE publica
na nota de falecimento da democracia
os nomes dos mórbidos eleitos.

Pelas ruas enlutadas e chorosas,
vejo desfilar a procissão de veículos
da funesta política
que precisa ser enterrada.

A nossa independência é artificial,
não há renovação nos recantos da mãe gentil,
7 de setembro devia ser “Finados”
para homenagear tantos direitos sepultados
nessa pátria-mausoléu chamada Brasil.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ SINTO MUITO ]

Toda vez que eu escuto
a nossa música, penso
no que poderia ter sido,
e não foi.

Poderia ter sido,
mas não tive coragem de assumir
o que sentia por você, e falhei.
Por que, meu Deus?

A sua beleza era tão natural,
o seu sorriso tão bem feito e sincero,
o seu cheiro, o seu toque tão marcantes,
que parecem tão próximos ainda.

Você era como uma goteira d’água límpida
no azulejo sujo do meu coração.
A única que queria saber como eu estava
de verdade, e fazia gosto em me agradar.

Já eu era só um cara imaturo,
mal influenciado e egoísta.
Desculpa por eu ter virado as costas
e fingido que não me importava!

As outras garotas revelaram
o quanto eu estava equivocado.
Fui vítima da minha própria ilusão.
Agora é tarde demais...

Meu conforto é que às vezes
te visito nos meus sonhos.
Nessa hora, o tempo fica tão precioso,
aí eu te beijo com saudade e lágrimas,
e te abraço com a força de uma eternidade.

Pode parecer estranho,
mas ainda tenho fotos nossas
no meu computador.
É tipo um segredo meu;
poucos entenderiam.

Sempre que escuto a nossa música,
ela me toca.
Então fecho os olhos
e consigo ouvi-la na doçura da sua voz,
e eu sinto muito.
Sinto muito por nós.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ SER LIVRE ]

Todo pássaro fora da natureza
é naturalmente triste.
Só o egoísta do homem acha que não.

No cárcere, a tesoura corta a pena.
Que pena,
corta também o meu coração.

Certa vez, uma pessoa foi injustamente presa;
trancaram-na sozinha numa cela suja.
Depois vieram e cortaram-lhe as pernas.
Deitada no chão, à míngua,
ela sentia que a sua liberdade
já não era mais plena.
Tornou-se profundamente infeliz.

Essa pessoa poderia ser você.

Cortar as asas de um pássaro
é como se fôssemos condenados
a viver sem ser amados.

Então, não se iluda:
Os pássaros livres é que cantam,
os presos pedem ajuda.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ RELICÁRIO ]

Preciosa relíquia,
da minha rica lembrança,
Relicário.
Seus foram muitos
dos meus fins de semana,
da risonha mocidade,
no centro da feliz cidade.

Era bar, uma casa,
era um ninho,
onde nós, livres passarinhos,
tínhamos asas para voar.
Sua arquitetura era um encanto
e havia de ser protegida
da humana insensibilidade.
Mas falhamos em cuidar de ti.

Ah, quanta tristeza eu senti
ao vê-lo deitado em ruínas,
sendo-me obrigado a despedir
de tão viva memória.
Naqueles escombros valiosos
dos tijolos despedaçados
ficaram para sempre marcados
pedaços da minha história.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ PROMESSAS ]

Naquele dia, no altar,
na frente de todo mundo,
você prometeu me amar
e me respeitar, e eu te disse sim.

Confiei em você,
nas suas palavras.
Acreditei que viveríamos juntos
até que a morte nos separasse.

Você era o meu grande amor.
A minha cara-metade.

Mas você mentiu!
Passou a beber, sumia, me agredia.
Tornou-se o meu pior pesadelo,
a minha aflição.
Eu rezava para que você não voltasse.

Várias vezes tive medo de morrer,
mas eu não tinha para onde correr.
Sentia um misto de culpa
e vergonha de mim.

Até que um dia,
longe de todo mundo,
você disse que ia me matar.
Isso era verdade!

A última denúncia não te afastou daqui,
a “Maria da Penha” não foi suficiente,
nunca consegui uma ajuda eficiente.
Dois tiros e meu fim se aproxima.

Estou despedindo do mundo,
mas não desejo vingança.
Talvez eu até devesse,
mas não te amaldiçoo.

Aprendi que o perdão liberta,
então daqui a pouco estarei livre,
porque ao invés de te odiar
neste momento eu te perdoo.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ NAQUELES NATAIS ]

O Natal pra mim é saudade.
Saudade do meu tempo de criança,
de quando, ansiosamente,
reuníamos em família para o almoço especial.

Era tudo muito modesto, mas verdadeiro.
Aquela foi a nossa melhor época juntos.

Como esquecer o sorriso de minha saudosa
avó Rita ao ver a alegria dos netos?
Quanto tempo faz!
Quanto tempo jaz!

Depois que ela retornou à pátria espiritual,
foi se perdendo o nosso Natal,
nossa família foi se distanciando,
e ficou só a lembrança de tudo.

Hoje, as lágrimas que deslizam em meu rosto
me fazem recordar com amor:
Aqueles presentes tinham um preço,
mas aquelas pessoas tinham valor.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas