Luciano Caettano

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[ ABORTO ]

Diante da gravidez indesejada,
a jovem desesperada diz a si mesma:
“Minha mãe vai me matar!”,
então escolhe o caminho
que lhe parece mais fácil,
o aborto.

Lá dentro do útero,
se pudesse se expressar,
o filho também diria:
“Minha mãe vai me matar!”,
mas a escolha não lhe cabe,
está morto.

Luciano Caettano
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[ A POMBA BRANCA FERIDA ]

Sob o jugo do governo bandido,
está tomado de refém
o povo subjugado.

São vidas excluídas,
que povoam as periferias,
que os olhos abertos
fingem não enxergar.

São vítimas desassistidas
pela trágica política,
que faz roleta russa
da vida desvalorizada.

Miséria nas encostas dos morros,
neosenzalas no cenário da cidade,
favelas-quilombos de concreto
e madeirite, lar de quem resiste
em meio a tons de liberdade.

Reduto de vidas frágeis
e sonhos destruídos.
A pomba branca está ferida
e sem o ramo da vida em seu bico pálido.

Lá, o futuro nem é conjugado,
a paz é só um ensaio barato,
assombrada pelos demônios de chumbo,
que cortam os céus em fagulhas
com seus destinos fatais.

Lá, a lei é diferente:
todo mundo é culpado
até que se prove inocente.

Pobres humanos...
Sem voz, sem vez, só voto.

Luciano Caettano
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[ ABUTRES-HUMANOS ]

O carro veloz e furioso
fura o sinal vermelho.
Estrondoso é o impacto sobre o corpo,
seguido da urrante frenagem.

De vermelho está tingido
o asfalto-quente-superfaturado
com o sangue do ciclista hostilizado
e suas múltiplas fraturas.

Feito urubu na carniça,
famintos abutres-humanos
se aproximam com seus celulares.
Ninguém pede socorro de imediato.

Os carniceiros sem empatia
filmam, fotografam,
comentam e compartilham
nas redes sociais a tragédia alheia:
olho por olho, lente por lente.

O jovem atropelado morre
diante da omissão assassina.
Ao longe, no engarrafamento,
o giroflex do SAMU se aproxima

Luciano Caettano
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[ ADEUS ]

A você que me amou,
a você que eu tanto amei,
deixo esse meu adeus consolador
para que, mesmo na dor,
o nosso amor fale mais alto.

Eis que os céus me evocaram.
É chegada, pois, a minha hora.
Está feita a transição!
Sei que não é tão simples,
mas os irmãos celestiais
estão me amparando também.
Então acalme-se, pois estou bem.

Peço que não complique nada,
que não procure enigmas,
que não tente desvendar mistérios
e, o mais importante,
que não blasfeme contra o Criador.

Apenas enxergue os sinais do amor
que ficou dessa nossa relação
e lembre-se de mim com alegria.

O seu sorriso me fortalece.
A sua oração me reanima.

Talvez a gente não tenha aproveitado
o nosso tempo da melhor forma possível.
Mas tudo bem.
Um dia a gente vai se reencontrar
e matar essa saudade, que faz doer,
mas que o tempo há de amenizar.

Quando o tempo se esgota
nada pode mudar o destino,
nem toda a fé do mundo,
nem o melhor da medicina.
Não tem jeito, é lei divina.

Nascemos, vivemos, morremos, renascemos.
Olha que maravilha!
Ao certo, estarei por perto,
longe do toque, mas tão próximo
quanto um pensamento puder estar.

Fique bem, e mantenha a sua fé sempre viva.
Nunca desista dos seus sonhos!
E, claro, muito obrigado pela companhia!

Agora preciso terminar a minha mensagem,
estou indo a Deus.
Adeus!

Luciano Caettano
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[ ADMIRÁVEL VIDA PARALELA ]

Era uma vez uma lagarta
que rastejava, ao deus-dará,
solitária e desimportante,
pelo chão.

O olhar alheio a condenava.
“Que bicho feio!” - alguém apontava.
Muita repulsa
e tão pouca compreensão.

Seguia ela, um tanto desgostosa,
sem câmera, luz e ação,
carregando um estereótipo imposto,
que terceiros julgavam fora do padrão.

Mas a natureza, em sua misteriosa sabedoria,
havia de reservá-la melhor sorte,
certo dia, brotaram-lhe asas, cores, encanto,
era a sua metamorfose.

De repente, alçou voo o inseto alado,
voou e voou, deixando a todos admirados.
“Tudo ao seu tempo”, nos ensinou ela.
Admirável vida paralela!

Luciano Caettano
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[ ARMADILHAS DO EGO ]

Ela faz perguntas sem esperar respostas.
Ela quer apenas falar,
não sabe ouvir, interrompe.
Sinto-me um terapeuta sem o divã.

Se eu tento contar algo,
ela começa a falar antes deu concluir
o raciocínio, num misto de carência
e falta de educação. É frustrante!

As minhas histórias são sempre menos
engraçadas e empolgantes.
Se digo que fui ao Beto Carrero,
ela diz que foi à Disney e pulou de bungee jump.

Os meus problemas são sempre menos graves.
Se digo que estou com dor de cabeça,
ela diz que sofre de enxaqueca, e blá-blá-blá...
Não dá para ganhar nunca!

Então, deixo aqui o meu protesto:
abaixo a essa gente morna,
presa nas armadilhas do ego,
com seu olhar cego
e audição que só adorna!

Luciano Caettano
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[ CARGOS DE CONFIANÇA ]

Qualificação profissional quase nula;
verdadeiras aberrações, em disfarçada
lida, que a iniquidade adula.

Atividade contraproducente
de gente decorativa e preguiçosa,
com sua mão-de-obra cara, que trabalha ociosa.

Pobreza curricular que não lhes garantiria
nenhum emprego importante
na atividade privada.
E de privada fazem o serviço público!

Para sorte deles, e nosso azar,
a Administração Pública estende as tetas
dando-lhes de mamar.

Nelas, correm as mãos grandes,
que se apoderam, e depois outras,
que puxam e sugam, até quase secar.

De barriga cheia, estes vão embora,
deixando apenas prejuízos ao erário,
e logo chegam outros despudorados famintos
a cumprir o mesmo itinerário.

Luciano Caettano
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[ CAUSA E EFEITO ]

Creio que tudo tem um porquê.
Que o nosso destino não está traçado,
que o futuro é indeterminado
e piedosamente imprevisível.

O lugar em que nascemos,
a família que temos,
as pessoas com os quais convivemos,
tudo isso tem algum propósito específico
em nossa vida.

Que é a vida? A vida é oportunidade.
É o momento áureo que cada um de nós
tem para praticar o livre-arbítrio.
É quando podemos fazer o bem ou o mal,
e cujo resultado determinará o nosso futuro.

Sem dúvida, o que somos hoje
é o resultado das tentativas e erros
de nossas várias existências.

Na singularidade da gerência universal,
o cuidado divino é perfeito,
deu-nos plena liberdade para agir,
e o que nos há de porvir é da causa o efeito.

Luciano Caettano
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[ CELA DE AULA ]

A cela de aula ensina na prática.
Presos pobres
[que não são pobres presos]
aprendem e ensinam
nas escolas do crime.

Nos internatos criminosos,
diabos de mentes vazias
se misturam e compartilham
as suas oficinas de malditos saberes.

Nelas, os indigitados mestres,
doutores na arte de praticar o mal,
educam os seus detentos-alunos
como serem piores na vida.

Rendidos ante essa pintura caótica,
um desafio se nos impõe:
Como ressocializar quem nunca
foi socializado?

Dentre os muros das prisões sem norte,
está preso o sistema carcerário -
um condenado no corredor da morte
à espera de um milagre.

Luciano Caettano
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[ COLORFOBIA ]

Eu sou da cor branca,
o asiático é amarelo,
o índio é vermelho,
mas o preto é negro.

Por quê?

100% negro?
Não! 100% humano!

Luciano Caettano
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[ CORAÇÕES EM HARMONIA ]

Sequer eu te conhecia,
até que o destino nos atraiu,
talvez por sintonia,
e juntos a gente ria, sorria.

Ainda mais leve a vida ia.
A admiração crescia,
e se a nossa relação não era de felicidade,
certamente era de alegria.

Até que nos importamos certo dia,
eu fui morar aí dentro de você
e você veio morar aqui em mim.
Dois corações em harmonia.

Por causa do nosso convívio,
eu passei a te conhecer melhor,
e de você muito eu sabia,
até mesmo o que eu não queria.

Aí vieram outras pessoas,
outros interesses,
e, sem muita demora,
você foi-se embora.

Mas, fique sabendo,
que o seu cantinho
deixei bem resguardado.

É grande o valor sentimental,
e sentimento a gente não esvazia,
conserva-o ali mais ou menos adormecido.

Se acaso futuramente você retornar,
o seu cantinho pode vir ocupar,
porque quem é importante
nunca é esquecido.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ DESEMPREGADO ]

Estar desempregado
é o mesmo que se sentir um nada,
um inútil,
ignorado.

A dignidade se abala,
o entusiasmo adormece,
a alegria entorpece,
e sem querer a gente se cala.

Sem fonte de renda,
a gente se rende
ao envergonhado ostracismo
dos desprezíveis.

A teoria, na prática, é diferente:
“Fulano é bom”, é “gente boa”,
mas, se não trabalha,
é “vagabundo”, é “à toa”.

Valores caros, que o dinheiro
não pode comprar, tornam-se
irrelevantes ante o julgamento ingrato:
como eu lhe vejo, é como eu lhe trato.

Luciano Caettano
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[ DILEMA ]

Tenho me sentido tão inútil,
tão vazio e frágil,
pareço um espetáculo
sem público.

Sufocado por padrões obsoletos,
nada me agrada. Tudo não faz sentido.
Apenas a imaginação
é minha fiel companheira.

Sou um dilema ambulante, um surto,
um paradoxo situado entre o calado
e o tinido do grito sufocado
da minha mente descrente.

Um peixe fora d’água,
uma carta fora do baralho,
um doutor sem doutorado.

Quem desvendou o caminho para a felicidade?
Que direção tomou, afinal?
Eu vejo placas esparramadas no chão,
becos sem saídas, vidas na contramão.

Luciano Caettano
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[ DOENTE GOVERNAMENTAL ]

Naqueles recantos de pobreza,
onde não se conhece a bonança,
o prato vazio vive cheio
de suculenta esperança.

No lado oposto da luxúria,
falta o pão de cada dia.
A paisagem retrata a penúria,
onde a morte espreita, desafia.

No decorativo fogão de lenha, panelas vazias.
Não restam nem migalhas doutro dia!
A fome tortura o estômago.
Os filhos choram, e a mãe ouve,
chora também a mãe em melancolia.

Os miseráveis comem o que a natureza dá,
o que a caridade fornece,
milhões passando fome,
enquanto o obeso governo adormece.

A falta de vontade política é farta!
É profunda a apatia direcional,
é difícil o exercício de fé numa ação contundente
do ente governamental.

Luciano Caettano
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[ ESPELHO ]

Reparo no espelho
a minha mais nova edição,
o meu eu, íntimo e secreto.

Fita-me igualmente
o grande olho de vidro;
olhar dos outros.

Daqui pra lá, minha verdade,
de lá pra cá, impressão.
Vejo-me por completo,
ele me enxerga com imprecisão.

Ante o reflexo reflito:
Quem sou eu? O que eu fiz de mim?
O que poderia ser diferente?

Sei que sou mais que essa imagem,
fiz-me de mim mais que estética,
e, por ainda não ser quem eu serei,
meus olhares mudam de concepção.

Diante do espelho eu me enxergo,
esse ser mutável, inconstante,
em constante revisão.

Luciano Caettano
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[ HINO A ARAGUARI ]

I

Entoado distintamente o teu prelúdio,
vem dos tempos do Brasil Imperial,
da partilha bendita de sesmarias,
recém-nascida esperança virginal.

“Brejo Alegre” no cerrado reluzia,
água pura e cachoeiras à tua guarida,
do teu solo grandioso brota vida,
ó verdejante “Arraial da Ventania”!

Tomou ares de cidade o vilarejo,
à lei provinciana tempestiva foi selada,
“Araguary” em tua liberdade alçou voo,
fez renascer a esperança renovada.

Rogamos glórias a nossa Terra Adorada,
à cidade-mãe briosa que nos sorri,
louvemos graças aos quatro ventos por ti ditosa,
a majestosa e mineiríssima Araguari!

Avante, araguarinos! Sempre avante!
Salve ó terra da Justiça e do Amor,
aos céus tremula tua flâmula exultante,
és joia rara do Brasil interior!

II

Tua recompensa é o teu povo, Terra Amada,
de gente afável, laboriosa e hospitaleira,
reconhece a boa nova afortunada,
os nascidos sob tão nobre e gloriosa bandeira!

Em solo amado tilintam os sinos da “Matriz”,
desde os tempos do pacato povoado,
dos primórdios garboso chamariz,
em seu louvor incontinenti e abrasado.

“Mogiana” e “Goiás” te raiaram ao mundo,
o símbolo ferroviário em teu seio está marcado,
resplandece o teu espírito de viés fecundo
nos trilhos do tempo imponente e eternizado.

O “Rio Jordão”, ao teu flanco, desliza sem intervalo,
as dádivas emanadas do divino tens por inteiro,
rara beleza em águas cristalinas, o teu regalo,
Araguari – és o orgulho do Triângulo Mineiro!

Avante, araguarinos! Sempre avante!
Salve ó terra da Justiça e do Amor,
aos céus tremula tua flâmula exultante,
és joia rara do Brasil interior!

Luciano Caettano
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[ HUMANIDADE DESUMANA ]

O ser humano
é frágil, é volúvel,
tenta ser o ser
humano que não é.

Quem é esse ser? De onde veio?
A que veio? Para onde vai?
Por que trouxe tanto egoísmo na bagagem?

A humanidade está em paz,
mas um cão de rua na Europa
é muito melhor tratado que milhões
de seres humanos que estão na África.

Isso não deveria nos incomodar
absolutamente?

Enquanto houver gente morrendo
de fome e de sede,
e não nos apiedarmos disto,
nós nunca seremos humanidade.

Essa nossa humanidade desumana
não me engana.

Luciano Caettano
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[ INDIGESTO ]

Num almoço de domingo,
o filho vira para o pai e diz:
- Pai, virei socialista!

O pai, surpreso, olhou nos olhos
do rapaz e respondeu-lhe:

“Ok. Mas na minha casa eu sou o Estado.
Para começar, separe algumas coisas suas,
como videogame, televisão, celular e roupas,
porque vou dar aos pobres.
Estarei redistribuindo entre os mais necessitados.

A partir de agora, companheiro,
na minha casa não tem mais nada privado,
tudo que é seu é meu, ou seja, estatal.

Vou cortar a sua mesada pela metade.
[Não me olhe assim. Eu não sou autoritário!]
Estarei apenas redistribuindo a renda.
Mas, se ficar reclamando, vou ter que te castigar.
Pois aqui não tem espaço para reacionário.

Ah, e tem mais:
Você só poderá assistir na TV da sala, na internet
ou ouvir no rádio aquilo que eu achar educativo,
afinal, meu poder é legítimo [sou seu guardião!],
e no socialismo o Estado sempre sabe
o que é melhor para o cidadão. E...”

- Para, pai! Foi só uma brincadeira!,
disse o filho com sorriso amarelo,
enquanto bebia sua caneca vermelha
cheia de coca-cola.

O pai sorriu de volta,
e continuaram, em silêncio,
aquele indigesto almoço capitalista.

Luciano Caettano
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[ INJUSTA JUSTIÇA ]

A Justiça é cega?
Que nada.
Tem olhos de águia!

A faixa que lhe cobrem os olhos,
a venda, está à venda,
e pode custar os olhos da cara!

Sua balança não pesa, traz pesar,
sua espada forjada desfere golpismos
e o seu martelo prega o que não cumpre.
No Olimpo das víboras togadas,
convivem intocáveis os doutores sem pudores
com seus dois pesos e duas medidas.

Sua deusa da Justiça caiu na imoralidade,
transformou-se em acompanhante de luxo;
abandonou a delicadeza do vestido longo,
agora usa saia curta, decote acentuado,
e sandália de salto fino. Os cifrões lhe atraem;
vive de promiscuidades com gente poderosa.
E nós pagamos a conta dessa indecência.

Essa Justiça, do faro apurado, não é cega,
ela só não quer ver as injustiças
que lhe saltam aos olhos.

Luciano Caettano
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[ LÁGRIMAS ]

Ao verter a lágrima, desliza límpido
o líquido sentimental.
Viaja, em porções inestimáveis,
a expressão íntima de cada um.

De repente, cúmplice da fragilidade da vida,
ela se materializa e abandona os olhos.
Por isso, se uma imagem vale mais que
mil palavras, uma lágrima sincera
vale mais que mil imagens!

Não à toa é incolor,
pois se faz transparência,
indo além do que se vê.

A saudade costuma evocá-la,
vem tímida ante a beleza
e escorre durante a gargalhada.
É nossa companheira
do início ao fim da jornada.

A lágrima é seiva poderosa,
que alivia e acalma,
lubrifica e limpa os olhos,
e aquieta a nossa alma.

Luciano Caettano
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[ LIVRES CONDENADOS ]

Um sopro de vida é o nascimento
na sua intrínseca pureza.
A infância, a singeleza.
O mundo vem e corrompe?

Ao sabor do tempo irrefreável,
nós, livres condenados,
e talvez socialmente constrangidos,
vamos navegando mais ou menos à deriva.

Seres sonhadores com seus sonhos infinitos
repousados no cativo berço da esperança,
quando embalados, se renovam,
abandonados, triste criança.

Incógnitas peregrinas desafiadas a
dar à vida algum significado;
senhores de seu próprio destino,
mas no todo inseridos e até o fim atrelados.

Por isso, o sábio abraça a sua jornada com fé,
pois a fé é a força motriz ante o incerto futuro,
é lanterna divina que ilumina o essencial
onde os olhos errantes só veem o escuro.

Luciano Caettano
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[ MEDÍOCRES ]

O olfato dos ursos,
a audição dos morcegos,
a visão das águias,
a velocidade dos guepardos,
a resistência dos pinguins ao frio congelante,
a capacidade de apneia das focas,
o salto em altura dos cangurus,
a resistência dos dromedários ao calor extremo,
a força física do gorilas...
Em tudo isso, esses animais
se sobressaem aos humanos.

O nosso grande trunfo é poder raciocinar.
Uma capacidade que muitos de nós
não têm sabido utilizar.
E é do alto dessa mediocridade toda
que o ser humano quer compreender
a natureza íntima de Deus?
Quanta presunção!...

Com nosso espírito mergulhado
no charco lodoso dessa matéria grosseira,
as nossas faculdades estão limitadas,
tão ofuscadas quanto à livre irradiação da luz
em relação ao vidro opaco; respeite o seu estágio.

Luciano Caettano
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[ NÃO-VIOLÊNCIA ]

Eu não sou contra a violência,
eu sou a favor da não-violência.

Aprendi que, quando nos colocamos “contra”,
a gente se arma,
mas, quando estamos “a favor”,
a gente se ama.

Aprendi a celebrar o amor, a paz,
a pena de vida,
e jamais a pena de morte.

Aprendi que “oferecer a outra face”
não quer dizer covardia,
mas enfrentar as injustiças pacificamente,
que é diferente de ser passivo.

Aprendi que o mal
com o bem se paga.
Pois amar é elo,
amar é laço.
Amar cura.

Luciano Caettano
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[ NAQUELES NATAIS ]

Natal pra mim é saudade.
Saudade do meu tempo de criança,
de quando, ansiosamente,
reuníamos em família para o almoço especial.

Era tudo muito modesto, mas verdadeiro.
Aquela foi a nossa melhor época juntos.

Como esquecer o sorriso de minha saudosa
avó Rita ao ver a alegria dos netos?
Quanto tempo faz!
Quanto tempo jaz!

Depois que ela partiu,
o nosso Natal foi se perdendo,
nossa família foi se distanciando,
e ficou só a saudade de tudo.

Hoje, as lágrimas que deslizam em meu rosto
me fazem recordar com amor:
aqueles presentes tinham um preço,
mas aquelas pessoas tinham valor.

Luciano Caettano
Inserida por belospoemas

[ NINGUÉM ALÉM DELA ]

Amargura.
No meu peito ecoam vozes
do amor perdido que se foi
e me deixou sem rumo.

A minha base está abalada,
meu porto seguro inseguro ficou,
a vida perdeu a vida.

Agora eu sei
o que é o vazio que dá por dentro.
Agora eu sei
o que é morrer de saudade.

Calar sufoca,
falar é inútil.
A solidão me consome.

Está tudo sem graça,
não consigo dormir,
não tenho fome.

Ah, sinto tanta falta do meu anjinho!...
Choro e lamento e soluço,
porque ela era especialmente única.

Não é à toa que “amor” rima com “dor”:
eles são duas faces da mesma moeda.

Ninguém será capaz de dar-me a ajuda que preciso;

Ninguém vai conseguir tirar do meu pensamento
os nossos momentos infinitamente maravilhosos;

Ninguém vai conseguir ler as palavras do que sinto
quando olhar em meus olhos;

Ninguém poderá trazer a paz que a minha alma
necessita e o sorriso sincero para o meu rosto;

Ninguém vai conseguir preencher o vazio dentro de
mim e transformar o cinza em aquarela;

Ninguém além dela.

Luciano Caettano
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