Leônia Teixeira
Almejo teus olhos, respiro desejo... no ar, busco teu corpo, teu cheiro. Me vejo no ontem, me agarro. Quero braços, beijos...me desnudo, me entrego; quero hoje, sonho.
Vontade dos teus olhos, do teu riso...vontade do arrepio na pele, dos sonhos ! Querendo rosas e vinho, versos...sorrisos, carinhos; de novo aquele cheiro, aquele olhar...de novo tua voz, músicas no ar !
Não há amor impossível
Quando se tem sonhos
Tudo é real, permitido.
Não há sujo, não há vergonha...
O amor
Fala sem toques
Se mostra em versos
Músicas...
É uma letra que marca
Um olhar que fica
Palavras caladas
Vividas
Esconder?
Amor não se esconde
É entrega
Gestos, sorrisos
Arrepia, lateja...
Amar é uma dádiva, divino!
Amar é corpo, alma.
Há dias que bate uma saudade tão doida, doída....que fere o peito, rasga a alma. Dor que bate sem dó, machuca...coração chora ! Pior é a certeza de não poder fazer nada, não depende de mim: é você a causa dessa dor, é você o remédio, a cura. Chorei, implorei, mendiguei...me despi diante dos teus olhos, me joguei de ponta nos teus braços ! Nada, nenhuma promessa, nenhuma resposta.
Cada vez que parte apunhala
Fere peito
Chora alma
Cada vez que não me olha
Cada vez que não me canta
Maltrata
Amarga
Cada vez que se esconde
Foge
Leva pedaços
Arranca partes
Me deixa em fogo
Brasas.
Tão decidida dizer te amo
Tão decidida jogar tudo para o alto
Tão decidida cair nos teus braços
Pedir cheiros, abraços...
Mas uma vez me enganei
Me iludi
De certo tua pressa
Nunca tem tempo pra mim
Não conto
Desisto
Deixo rastros
Endereço
Quando quiser a porta vai estar aberta
Quando decidir estarei esperando
Já disse tudo
Já falei o que quero
Quem quero
Dividir contigo segredos
Desejos...
Só não demora
Tô com com pressa !
Vez em quando tomo um porre de sonhos e caio nos teus braços ! Me embriago, te azucrino: te jogo na cama, te chamo pra dança, te caço...lambuzo teu corpo, te tiro a roupa, como do teu fruto, cavalgo !
Revelo meus segredos
Entrego quem sou
Solta no ar
Nos poemas que componho
Em festas
Amo
São repetições
São emoções renovadas
Palavras ditas
Repetidas
Olhares que não se escondem
Silêncio que não cala
Sou um livro escancarado
Sou fotos
Em quartos fechados
Em ruas
Caminhos errados
Tortos
Vivo a poesia
Para falar de enganos
Amores perfeitos
errados
Amores certos
Incertos
Canto minha saudade
Conto
Mulher carente
Entregue
Mulher amada
Que não ama
Mulher que ama
Mulher não amada
Que chora nas noites
Que sorri no dias
Um ser só
Calada
Jogada no tempo
Em livros não lidos
Em versos perdidos
Em sonhos !
Não te peço muito ou te peço tudo
Por Deus olha nos meus olhos
Me manda para o inferno
Mas manda
É no teu silêncio que fica a dúvida
É no teu silêncio que mora a esperança
Então, por Deus
Me tira as algemas
Me liberta !
Tinha um pássaro no sorriso
Tinha um brilho no olhar
Tinha um beija que era flor
Tinha um rio que era mar !
