Laura Maria Guiraldelli
Escolhi a Mim
Eu tinha quinze, você dezesseis, e o amor parecia eterno de uma vez. Duas mãos, dois sonhos, um só coração, fazendo promessas sem saber a dimensão.
Crescemos juntos, lado a lado, a florir, acreditando que crescer era nunca partir. Mas o tempo mudou o que a gente sonhou, e o mesmo caminho, aos poucos, se afastou.
Você voltou dizendo: “Um dia vai dar.” Eu fiquei tentando esse dia encontrar. Você amava o instante; eu queria o amanhã. Você vivia o agora; eu sonhava o divã.
Enquanto eu construía, você deixava acontecer. Eu chamava de amor; você chamava de viver. E fui me perdendo em cada espera vazia, alimentando promessas que nunca tinham dia.
Até que perguntei, com a alma cansada: “Quanto de mim resta nessa estrada?” Eu tentei mil vezes, lutei sem recuar, mas amor sozinho não aprende a caminhar.
Sete dias antes dos meus dezenove chegarem, escrevi sem pedir que você fosse ficar. Não era despedida para te convencer; era a minha coragem voltando a nascer.
Você me chamou de egoísta, sem perceber que eu só queria parar de me esquecer. Eu não queria migalhas, nem dúvida, nem dor. Eu queria presença, certeza e amor.
Eu teria escolhido você outra vez. Teria recomeçado, como sempre, talvez. Mas ninguém sustenta um sonho por dois; quando um não escolhe, o outro vai depois.
Então fui embora, ainda sabendo amar, mas decidida demais para voltar. Porque perder você doeu, eu não nego, mas perder a mim seria um adeus cego.
Hoje entendo o presente que a vida me deu: o amor mais importante sempre foi o meu. Passei tanto tempo querendo ser escolhida…
Até descobrir que eu era a minha melhor escolha na vida.
