Kléber Novartes
Chocava nos olhos a lágrima que não descia, gélida como o coração que a germinara anos a fio. Até que olhos nos olhos desabaram, como as torres. Percebe também? O calor... o calor voltou a deixá-lo vermelho, menino. Agora pode continuar-se que os olhos já não lhe pesam porquanto o coração lhe é contrito.
A palavra nos torna humanos. Se fôssemos privados dela por duas décadas - primeiro de ler e depois de escrever - voltaríamos as cavernas 7 bilhões de vezes mais selvagens
Felicidade.
Não a busco, a permito.
Quando em quando vem me visitar.
Nem sempre a recebo de portas abertas, guardo lá certa dignidade.
A contragosto e com sofriguidão a deixo solta - maldita liberdade!
Mas eu grito - como a mãe por um filho morto... não vá, não vá!
Felicidade.
Não... nunca andei perdido - quiçá confuso - nunca perdido.
Se te pareceu isso é porque miraste em mim teu próprio caminho.
Náutico
Insônia e varanda.
Varanda, cadeira e mar.
Mar e luminares.
Longe o Forte.
Sento-me, nunca me sento.
Sozinho, nunca sozinho.
Despretensioso, pretensio.
Devagar, chegam.
Poucos e inundantes.
Lugares, momentos e pessoas.
Minutos, passados, não passam.
Imagens travadas.
Como registrei depois, sem som.
Boca, lágrimas.
Olhos, sorriso.
Testa sem friso.
Ouvido o silêncio.
Sol e nascer.
Nascer e só.
Exata hora que a onda bate n’alma.
Deito, não durmo.
O mesmo, que era.
Nubloso, fez-se lindo e quente.
Até que acabe, velejo.
Angra dos Reis, 16 de dezembro de 2011.
P#rra, qual o meu hobby? Acho que é interferir na normalidade. Digo... despretensiosamente, na minha própria normalidade.
Para dar certo a vida não requer alinhamentos astronômicos, à exemplo do eclipse, mas requer - muitas vezes - o seu significado: "deixar para trás".
Eu sabia que eu nunca saberia, mas achei que pudesse. Não posso. Soube, definitivamente, mais tarde.
Não há remédio contra a estupidez humana, os diagnósticos são imprecisos e por isso somos acometidos dessa doença tantas vezes.
