Kléber Novartes
Perdi (mais de uma vez) a esperança pelo caminho, mas ela sempre me encontrou uma ou duas esquinas a frente.
Quem você procura? O que você procura em quem você procura? Eu tenho tudo isso? Não, não tenho! Então, o que você procura?
Trepei a trepadeira do quintal do vizinho.
Não há atração por ela, frígida ergue-se com o paredão que nos separa, notei mais cadeados no portão do que na última vez e, as janelas já não se abrem para um único filete de sol.
Não me deixa experimentá-la por inteira ou podá-la por um pouco, face meiga, mas o corpo selvagem machuca.
Não sei o porquê de amá-la sendo ela tão indiferente.
O amor é a espera.
A espera do próximo encontro, do próximo beijo, da próxima saudade. Quando acaba a espera, acaba o amor.
Descobri que não mudei (permaneço com os impulsos de sempre).
Mas, sinto que o intervalo de respiração para uma reação aumentou.
Esse ganho de tempo faz toda diferença hoje.
Eu escrevia uma bobagem qualquer e era aplaudido. O que escrevi de íntimo, vindo da alma, passou em branco.
Quando se perde tudo se tem chance de conhecer a fé.
Quando não sobra nem mesmo a fé se tem chance de conhecer o próprio Deus.
A noite passada o sol partiu e, logo pela manhã apareceu de novo. Acredito que farei viagens mais rápidas, porque levo mais asas e esporas do que ele.
Ela estava com vergonha.
Me dispus a assoamos juntos o nariz [eu não precisava assoar].
Ela sorriu pra mim delicadamente e agradeceu.
Amei todas as mulheres que tive e me senti amado por todas elas, de fato não me ocorre qual me tenha feito mais ou menos feliz, só sei que fui muito feliz.
Não me repeti, meus relacionamentos terminaram por erros diferentes, tenho certo orgulho disso. Mas, em uma coisa fui exatamente igual, todas elas receberam orquídeas. Sempre lindas orquídeas, não para ressaltar o feminismo delas, mas para mostrar o meu, adoro as orquídeas.
E nesses recomeços descobri alguns segredos sobre o amor.
Um novo amor merece cuecas novas, meias novas, escova de dentes nova, paciência nova e ânimo novo.
Alguns minutos de indecisão...
liguei.
Arrependido pensei em desligar,
mas já era tarde, meu número deveria estar registrado.
Caixa postal...
um alívio inesperado.
Às vezes, mesmo depois de tanto tempo, bate uma vontade danada de ligar e saber se ela está agasalhada, ter certeza sobre o guarda chuvas ou simplesmente desejar bom dia.
