Kléber Novartes
A alma estreita-se diante da vida. A realidade faz molinhar os ideais. O que sobra é esse caldo, agora grosso, mas que já não dá pra todo mundo.
O aperto apertou ainda mais, espremendo talvez a última lágrima. E eu, sonso, acreditei mesmo que a última pudesse ter sido a de ontem.
Desembesto num cavalo selvagem. Eu não o domo. Ele não me põe medo. Ao final sinto que sorrimos um para o outro, num gesto de hombridade.
Todos nós somos, em primeira instância, egoístas e hipócritas. O que vem depois disso é peculiaridade de cada um e é também o que nos salva.
Se o amor é isso que vejo, se é isso que posso ouvir e até mesmo tocar e que portanto é compreensível. Então, eu senti outra coisa por ti, uma coisa que não sei o nome.
Minha saudade tem algum tipo de desarranjo mental, uma demência clássica que me faz ligar só para ouvir a tua voz dizendo: "Alô, quem fala?"
De repente percebemos - por pior que tenham sido as experiências - que nenhum abraço ou sorriso foram em vão. Um dia as coisas se acham e voltam - mesmo que por pessoas e circunstâncias diferentes.
Só posso escrever sobre a sociedade usando poesia. Sobre o amor, a religião, a arte e a política usando poesia. A poesia é o meu lápis.
Eu nunca soube fazer outra coisa, a minha vida foi essa: amar. Mesmo que a minha maneira - sempre errada...
Fabulismos à parte. Vida e amor são uma coisa só: é essa coisa frágil que a gente torce para que seja forte e dure.
