Kléber Novartes
Os jovens que acham que a sua liberdade é restrita, ficarão extremante aborrecidos em chegar à velhice, onde a liberdade é nenhuma.
Hoje a saudade encheu os olhos. Caiu suave num rosto que já não a conhecia. E os lábios a guardou depressa, com medo que fosse embora.
Quero dor de barriga. Banho gelado. Joelho ralado. Dedo na porta. Desavença com a paz. Prova de química. Porque estar com azar é estar vivo.
Hoje o arroz ficou um grude, o café estava ralo, faltou sal no feijão. O despertador despertou na hora certa e mesmo assim o trem veio vazio.
Estava falando com o Zé que morreu, mas Zé estava estranho... todo gelado, cara fechada. Deixa de egoísmo Zé! Preciso de um dinheiro.
Eu não guardo. Porque até o mais delicioso pedaço de bolo, guardado, azeda. Chora o luto! Festeja a alegria! Grita a dor! Em nada sê branco.
Tirou-me da minha família, dos amigos, do prazer dos sons, dos toques, do paladar e até mesmo do jardim que tão bem eu cuidava. Mas, riu de ti pobre morte, porque não podes me tirar dos livros – desse vento que me leva.
Rompo com o pacifismo absurdo para comigo mesmo. Com essa vitimologia velada. Com a falta de rédeas sobre o que não se pode domar sem lutas.
Uma aquarela, carnaval fora de época, crianças e um punhado de massinhas, velhinhos e bexigas cheias d’água. E não se sabe quem é quem.
Não me preocupo que vida seja curta ou longa. Ainda menos, que eu seja uma referência - boa ou ruim. Sei que quem me vê, vê apenas um ângulo.
O céu se abrindo, Jesus e os anjos descendo, não me causaria surpresa. Surpresa me causaria um pequeno ato de amor dos homens.
Quando se erra, tudo se descobre. O caminho que não é caminho, o bem que não faz bem, o amigo que não serve.
'Eu tenho uma vida extremamente feliz, mesmo considerando as angustias, dúvidas, sofrimentos, dissabores, insucessos, desamores...'
