Kelvin Alves
Até aquele dia
Até aquele dia,
eu ainda te escrevia.
Dezenove, meu coração dizia,
ainda te amava,
ainda te esperava.
Guardava você
num canto quieto,
onde o tempo não passava
ou eu fingia que não.
Hoje já não mais.
Estranho o coração
ter que aceitar o que já era.
O que acabou há tanto tempo
e eu só agora percebo.
Hoje te deixo livre pra viver,
não que tenhas sido preso em mim,
mas porque enfim
aprendi a viver
sem te guardar no coração.
Quase amor
Algo em mim não está certo,
Um vazio onde havia amor,
Silêncio onde havia riso,
Uma sombra cobrindo o sol.
Te amei como um tesouro raro,
Mas recebi apenas migalhas,
Ou será que fui precipitado,
Em esperar mais dessa batalha.
Você me pede um tempo, um respiro,
Promete amar-me como mereço,
Mas perdi para sua própria guerra,
Estranho agora quem conheço.
O amor já não está à vista,
Você deixou-o escapar, perdido,
Hoje, desisto desta luta,
Esta é, então, a nossa despedida.
