Juremir Machado da Silva
Romance: narrativa de uma história que não aconteceu, poderia ter acontecido, não acontecerá e que, se for bem contada, será interpretada como mais acontecida do que muito acontecimento.
Neoliberalismo: novo liberalismo sem a sabedoria e a eficiência do velho, mas com a falta de compostura que caracteriza a acumulação primitiva do capital e as pilhagens depois que a terra foi arrasada e a ética morreu, o que permite taxas de acumulação diretamente proporcionais à barbárie usada.
Diplomacia: arte milenar de continuar falando de paz quando a guerra já devastou tudo e só resta fazer as contas dos estragos, das perdas, das mortes e das terras que serão roubadas pelo vencedor.
Música sertaneja: gênero escolhido por pessoas que sempre viveram na cidade, mas ganham dinheiro suficiente para comprar uma fazenda em Goiás.
Seria possível contar a história das forças armadas no Brasil como a história dos golpes de Estado fracassados ou bem-sucedidos.
Os militares brasileiros parecem se atrapalhar com as armas sem guerras para combater. Assim, no tédio das casernas, sonham com poderes políticos.
Um dos problemas de se envelhecer é ter de fazer o normal como extraordinário. Por exemplo, levantar os braços, amarrar os sapatos, coçar as costas, abaixar-se e caminhar.
Jovens saem correndo quando chega um velho contador de histórias. Têm pressa de não escutar o que talvez venham a viver.
A elite empresarial e financeira deixou-se seduzir por um capitão dispensado do Exército por tentar um golpe contra seus superiores e o colocou na presidência da República. Foram quatro anos de vexame, culminando com a tentativa de golpe para não devolver o poder depois de derrota em eleições livres e limpas.
Parafraseando o poeta Cesar Vallejo, um dos que mais admiro, há pessoas tão boas na vida, eu não sei!? São pessoas que colocam afetos acima de ideologias, confiança além de resultados, admiração em lugar de colunas Excel, a poesia acima da prosa cinza das segundas-feiras, a alegria dos encontros casuais muito acima dos compromissos agendados no celular.
A geopolítica, a mais cínica das visões de mundo, divide o planeta em três grandes áreas de influência: chinesa, russa e norte-americana.
Países como o Brasil, que não têm poderio militar para defender a integridade do seu território, existem por assentimento internacional.
